04 abril 2022

Artimanhas do Destino - Por: Emerson Monteiro


Qual menino travesso, ele vaga solto pelas velhas alamedas do firmamento e arma das suas sobre as longas populações do Planeta. Sacoleja as bases das pessoas qual necessidade urgente de transformação que elas já trazem consigo. Impõe condições de escolhas. Conquanto sejam o que sejam as nossas escolhas, vadiamos sob os olhares do Destino, afeitos que acostumamos de não ver as consequências dos praticados que são nossos frutos. O que é só e definitivo, somos essas alimárias do Destino. Diziam os gregos que nascemos do deus Cronos, o Tempo, que pare e devora os próprios filhos, e que assim acreditamos todo momento, pois lhe obedecemos, espécies de sujeitos da sorte qualquer que venhamos a plantar e de onde ninguém sabe decerto retirar a força de nossos subterfúgios, porquanto viajamos nas asas do Infinito tais fagulhas de fogueiras inesperadas, e viajamos rumo às estrelas, nos céus do invisível mistério.

Sob, então, as tais artimanhas, tangemos o rebanho de nós mesmos aos currais de mares desconhecidos, senhores de ilusões e parceiros de caprichos individuais e coletivos. Aceitamos de bom grado que rodem o roteiro traçado nas pranchetas do Sol de todo dia, profetas do inimaginável e autores de epopeias grandiosas a se desfazer logo ao romper das auroras sucessivas.

Enquanto que escrever a isto permite, conduzir o barco do pensamento através de linhas, palavras e frases, velemos pedaços deste oceano do Tempo que escorrega da ponta dos dedos e chega às outras criaturas. Palmilhamos as dúvidas do anonimato de quem as leia, ausentes das visões atuais, no entanto participando da esperança que vive recolhida embaixo das folhas secas da floresta de ontem. No entanto padecemos às nossas mãos calejadas, adotadas pelo Destino, que apenas abre as cortinas do impossível e as fecha em seguida depois dos nossos atos, tantas vezes vítimas de vaidades inconsequentes. Dele aprendemos esse jogo de claro/escuro que pratica com tamanha facilidade, e adormecemos em seguida nos seus braços de um pai afetuoso que costuma ser.

Verdades esparsas - Por: Emerson Monteiro


No decorrer das oportunidades, leituras e pensamentos, a gente passa a compreender que existirá um nível de conhecimento bem maior do que hoje classificamos de senso comum. Vêm conceitos trazidos pelos mestres espirituais que avançaram além da singeleza dos raciocínios circulantes. Eles vão lá adiante ao que a gente trabalha de conceitos e avaliações desse mundo. Chegam ao território do sublime, das virtudes, dos céus, pelejosos por demais a cada ser pensante. Isso fica até difícil de calcular com precisão a hora disso acontecer, porquanto ainda pisamos no solo desse astral daqui de baixo e alimentamos desejos das circunstâncias mais viáveis ao nosso ser. Somos meros aprendizes do que virá na evolução. Pecamos pelos crivos da mediocridade, digamos assim, até obter o grau de interpretação.

Porém necessário seja aceitar o que temos à frente no desapego deste chão. Trabalhar o esquecimento da matéria, abandonar os vícios, as sensações materiais imediatas, nas fugas da realidade que tanto nos aprisionam. Operários dessa existência, aos poucos descobrimos os caminhos da libertação, contudo numa velocidade apenas proporcional ao poder que ora temos. Não importa a vontade extrema de ser feliz na permanência dos dias que virão, pois somos submetidos aos sabores dessa condição atual.

Ninguém que seja poderá dar saltos quilométricos nessa vivência gradual antes de vencer as tendências dos instintos, os prazeres da carne e os valores do imediato, sem renunciar às exigências deste mundo. E o exercício dessas verdades carece do desapego qual resposta sensata ao dever de aprimoramento. Quantas histórias nisso de libertação significam a única possibilidade que levará ao conhecimento do Absoluto. Eis o roteiro de nossa existência, escutar as lições e transformá-las em prática pessoal.

São os livros, as aulas, as notícias, tudo, afinal, que nos norteia e alimenta nesse dia-a-dia do que experimentamos todo tempo, até quando, numa fração de segundo, seremos de vez senhores de nós mesmos, o que tanto buscamos no transcorrer dos infinitos. Destarte, que felizes sejamos a qualquer instante, quem sabe hoje?...