01 abril 2022

As grandes interrogações - Por: Emerson Monteiro


Face a face com nós mesmos, tocamos o ritmo desse mundo próprio a tanto tormento. Mergulhamos nos dias feitos senhores, porém cheios de profundas indagações a propósito de tudo, sem responder à altura os desafios que surgem. Desejamos achar o caminho que nos leve à certeza absoluta, no entanto cercados de limites brutais, intransponíveis. Por vezes, admitimos tais fragilidades, de comum, e queremos dominar e atravessar o rio do tempo de qualquer modo. Somos cheios de conceitos e alternativas, igualmente amarguramos a ausência de uma sintonia que seja maior, definitiva, em relação aos mistérios desse todo onde habitamos, desconhecedores de nossas origens e da destinação dos acontecimentos sob os quais comandamos a nossa sorte então desconhecida, nalgumas ocasiões mesmo apreensiva. Aventureiros de plantão, eis o que somos de verdade.

Queremos merecer felicidade, contudo experimentamos diversos meios na busca dessa aspiração. Pisamos em solo fértil e destruímos as riquezas que nos acompanham e sustentam, e ignoramos os irmãos aqui do lado. Ah, quanto sonho desfeito em virtude de atitudes egoístas. Mas existe uma fração de erro que nos ensina aprender, lá certa vez, o jeito ideal de viver e merecer melhores dias. A isto viemos, todos.

Desde quando aqui estamos e até quando estaremos nessa praia dos mares do Infinito? Uns poucos dão notícias de caminhada de sucesso. Há nítida distância entre esses tantos que seguem à frente dessa procura incontida pela paz. Raros demonstram saber a que esforço, nas  jornadas diárias. Exemplificam, padecem incompreensões, sacrifícios, todavia praticam as lições aprendidas, deixando traços de perfeição na história dos humanos. Significam exemplos, modelos, sinais, missões, realizações...

A esses devemos o direito de aceitar a dúvida e nutrir de esperança nossas experiências sob o crivo de uma razão maior, vinda doutras margens de que falam e demonstram. Não fossem eles, as dores desta vida dar-se-iam bem mais estridentes e cruéis, enquanto representam valores superiores ao exercício da ignorância que necessitamos vencer a qualquer custo e narrar instantes de plena alegria no coração de todos nós.



Três ilustres sobralenses – por José Luís Lira (*)

   Este fim de semana três importantes eventos marcam a vida de três ilustres sobralenses. Os três são tão importantes que eu os classificaria no mesmo valor afetivo. Então, pedirei permissão às duas damas e vou iniciar pelo cavalheiro, um Lord, na acepção da palavra. Falo do professor, gestor e acadêmico José Ferreira Portella Netto que, jovem e cheio de tarefas, chega aos 90 anos. Prof. Portella nasceu em Sobral, na Fazenda Tanque. Foi seminarista no casarão da Betânia; passou pelo Exército Brasileiro, chegando a Sargento; trabalhou no Banco do Nordeste e no Banco do Brasil; formou-se em História, pela extinta Faculdade de Filosofia Dom José; ingressou na Universidade Estadual Vale do Acaraú, como professor concursado, em 1995, mas, que desde 1986, ainda na gestão do fundador e primeiro reitor Mons. Sadoc de Araújo, atua na UVA. Destaco seu trabalho na Comissão Executiva de Processos Seletivos da UVA, aplaudido e reverenciado. 

   Prof. Portella é o decano entre os acadêmicos que presidiram a Academia Sobralense de Estudos e Letras, ocupante da cadeira n° 2, tendo por patrono General Sampaio. Sua posse foi na década de 1970 e sua presidência foi entre 1993 e 1996. Presidiu o Instituto de Estudos e Pesquisas do Vale do Acaraú – IVA e suas qualidades pessoais de marido, pai, avô e bisavô são exemplares. Em suma, o Prof. Portella é homem honrado, digno cidadão e amigo. Pela Resolução nº 03/2017-UVA/CONSUNI o Prof. Portella Netto recebeu a titulação de Professor Emérito da UVA e eu digo, com todas as honras, fruto do grande valor do que fez e continua a fazer, com suas nove décadas de vida completadas e, pelo que dele conheço, não vai parar. 

   Neste sábado, dia 2, após ser vice-governadora e governadora interina por várias vezes ao longo de dois mandatos, toma posse como governadora, após a renúncia do titular, assume o governo do Ceará como governadora, a Profa. Mestra Izolda Cela de Arruda Coelho. Nascida em Sobral, ela é formada em Psicologia, pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Educação infantil pela Universidade Estadual do Ceará e em Gestão Pública pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, onde se tornou professora do curso de Pedagogia anos depois. É, ainda, Mestra em Gestão e Avaliação da Educação Pública pela Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). Secretariou a Educação do Estado do Ceará deixando marcas ainda hoje visíveis. Sua seriedade e sensibilidade permitirão que ela faça um grande governo. Izolda Cela é casada com nosso confrade e amigo Veveu Arruda que tanto fez e faz pela cultura.

   Também no mesmo dia, após ser vice-reitora por dois mandatos, assume como primeira reitora eleita para o cargo, a Profa. Dra. Izabelle Mont’Alverne Napoleão Albuquerque, reitora da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Sobralense e de famílias que ajudaram a firmar a heráldica Sobral, a Profa. Izabelle é casada com o médico Cássio Albuquerque e traz uma grande esperança à nossa Universidade. Com seu dinamismo, capacidade de diálogo e articulação, ela fará uma grande gestão, deixando sua marca na história da Universidade-Máter de nossa região.

   Saudações sobralenses, votos de prosperidade e muita graça de Deus, pela intercessão dos servos de Deus de Sobral, Pe. Ibiapina, Dom Expedito, Mons. Arnóbio e Mons. Waldir, é o que apresentamos e desejamos aos homenageados.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.