26 março 2022

Palavras proferidas na inauguração do "espaço-memorial" do Padre Cícero, no Palácio Episcopal de Crato, em 24-03-2022 -- Por Armando Lopes Rafael

 

   Na mensagem de outubro de 2014, enviada pelo Secretário de Estado de Vaticano, Cardeal Pietro Parolin ao Bispo do Crato – em nome do Papa Francisco – contém um parágrafo, emblemático. A conferir.

“(...) não é intenção desta Mensagem pronunciar-se sobre questões históricas, canônicas ou éticas do passado. Pela distância do tempo e complexidade do material disponível, elas continuam a ser objeto de estudos e análise, como atesta a multiplicidade de publicações a respeito, com interpretações as mais variadas e diversificadas. Mas é sempre possível, com a distância do tempo e o evoluir das diversas circunstâncias, reavaliar e apreciar as várias dimensões que marcaram a ação do Padre Cícero como sacerdote e, deixando à margem os pontos mais controversos, pôr em evidência aspectos positivos de sua vida e figura, tal como é atualmente percebida pelos fiéis”.

    Esta solenidade se insere dentro dos pequenos gestos, advindos após aquela mensagem oficial, enviada há oito anos pela Santa Sé. Ela se insere nos gestos, sempre crescentes, das análises sobre os frutos advindos da herança espiritual deixada pelo Pe. Cícero. Estamos, agora, materializando um pequeno gesto. Dando continuidade às pequenas atitudes – algumas vezes feitas com pequenas (e grandes) palavras...  De olho nas perspectivas da História. Os grandes acontecimentos históricos resultam, muitas vezes, do somatório de pequenos gestos... Estamos agora fazendo, embora tardiamente, uma significativa homenagem – há muita reclamada - a um dos mais ilustres homens nascidos nesta Cidade de Frei Carlos Maria de Ferrara.

     Parabéns ao Pe. Ivo, idealizador deste pequeno memorial.  Parabéns ao Pe. José Vicente, o qual, como Administrador Diocesano temporário, apoiou esta iniciativa. Nem é necessário justificá-la. Pois, dentre as personalidades nascidas no Cariri, Padre Cícero tornou-se a mais conhecida em todo o Brasil. Ele veio ao mundo, aqui, neste pequeno chão, que agora pisamos, da então Real Vila do Crato, em 24 de março de 1844. Homenagem justa.

       Deus lo vult.  (Deus o quer)

    Padre Cícero foi, inegavelmente, um padre humilde e obediente aos seus superiores. Também obedientes às autoridades da nossa Igreja foram – e continuam sendo – os devotos deste sacerdote. Sobre o Padre Cícero já foram escritas mais de duas centenas de livros; dezenas de teses de doutorados (em renomadas universidades brasileiras e estrangeiras) e centenas de monografias de mestrado. Abordando a figura do Padre Cícero, foram realizados filmes (de curta e longa metragem), além de documentários, seriados e reportagens para a televisão. Incontáveis são as matérias e reportagens publicadas em revistas e jornais sobre este sacerdote. Sem falar nas canções gravadas e nos cordéis publicados pelo povo. Inimaginável o número de ruas, praças e estabelecimentos comerciais – com o nome do Padre Cícero – espalhados Brasil afora. Incontáveis os monumentos públicos e particulares – pequenos bustos ou de corpo inteiro – espalhados na vastidão da Nação Romeira, como é chamado o semiárido nordestino, onde o Padre Cícero continua a ser, cada vez mais, admirado, venerado e amado... 

     E agora, neste gesto concreto, nesta Cúria Diocesana de Crato, é afixada uma placa comemorativa ao local do nascimento do Padre Cícero. Nada mais precisa ser dito. O fato fala por si. Parabéns à Igreja Particular de Crato pela continuação deste diálogo (prudente, transparente e verdadeiro) com seus fiéis daqui e de longe sobre a figura do Padre Cícero. Afinal, a influência da Diocese de Crato não se restringe ao espaço geográfico do extremo meridional do Ceará.  Vai além. Chega ao imenso Sertão Nordestino e até em menor escala noutras partes do Brasil. Tudo isso graças à memória do Padre Cícero.  

     Obrigado pela atenção!