25 março 2022

Há 104 anos um jornal surgia em Sobral– por José Luís Lira (*)



 

    Domingo, 31 de março de 1918. Os sinos do campanário da Catedral de Sobral tocavam alegremente, pois é a Ressurreição de Cristo. Domingo de Páscoa que nos remete à boa-nova de Cristo. Graças a Dom José Tupinambá da Frota, sobralense, símbolo maior da sobralidade, nosso primeiro bispo, surgia um jornal semanal da Diocese de Sobral, então, com menos de 3 anos de instituição. Na Sobral, literalmente de Dom José, circulava o primeiro número do Correio da Semana, tendo como redator o Padre Leopoldo Fernandes, primeiro Cura da Sé Sobralense, que 4 anos depois, há cem anos (1922), foi um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Sobralense de Letras que teria pensado o jornal junto com o Padre José de Lima, primeiro Vigário da Paróquia do Patrocínio.

   Ao longo de 104 anos, muita coisa mudou. Findou a Primeira, teve início e conclusão a Segunda Guerra, a sociedade começou a mudar, primeiros colabores e o fundador do jornal faleceram. Neste jovem século, uma guerra surgiu em meio a uma pandemia; o Sumo Pontífice da Igreja Católica, Papa Francisco, protagonizou cenas memoriais, nestes tempos ditos pandêmicos: percorreu a Praça São Pedro sozinho e abençoou o mundo e fez a Consagração da Rússia e da Ucrânia ao Sagrado Coração de Maria, unido com o Papa Emérito Bento XVI e os Bispos de todo o mundo.

   Em suas páginas ficaram gravadas a História de Sobral, de suas paróquias; das paróquias das atuais Dioceses de Crateús e de Tianguá; do velho Seminário São José da Betânia, cantado em prosa e em verso, principalmente nos versos do ex-aluno e poeta maior Pe. Osvaldo Carneiro Chaves, saudoso; da Academia Sobralense de Letras, de 1922, fundada pelo Pe. Leopoldo Fernandes; da Academia Sobralense de Estudos e Letras, de 1943, fundada pelo Mons. Vicente Martins, que por decisão de seus membros, sucede a anterior; da Academia Sobralense de Letras Jurídicas e, por último, do Instituto Histórico e Geográfico de Sobral, os dois últimos por mim fundados; da Faculdade de Filosofia Dom José (extinta), fundada por Dom José Bezerra Coutinho; da Universidade Vale do Acaraú, depois transformada em Universidade Estadual Vale do Acaraú, fundada pelo Mons. Francisco Sadoc de Araújo; da transformação da Heráldica Cidade em Cidade Universitária, com a chegada de universidades públicas e institutos, centros universitários; as posses de prefeitos, vereadores e outras autoridades civis, militares, eclesiásticas, com destaque para os nossos bispos, Dom José Bezerra Coutinho (bispo auxiliar, 1956); Dom João José da Mota e Albuquerque (1961), Dom Walfrido Teixeira Vieira (1965), Dom Aldo de Cillo Pagotto (1998), Dom Fernando Saburido (2005), Dom Odelir Magri (2010) e de nosso atual Bispo e Pastor Dom José Luiz Gomes de Vasconcelos (2015).

   O jornal se tornou História. É mais que centenário. Se perpetua no tempo. Parabenizo a toda a equipe administrativa, técnica e de colaboradores nas pessoas do Sr. Bispo Diocesano, Dom José Vasconcelos, Pe. Lucas Moreira, Wilson Calixto e Marcildo Brito. Aos diretores passados, felicito-me na figura do imortal Mons. Francisco Sadoc de Araújo. Que as páginas do Correio da Semana, o mais antigo jornal do Ceará em circulação, continuem a levar aos nossos lares a boa-nova, a boa-notícia!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.