22 março 2022

Escrever tem disso - Por: Emerson Monteiro


De recolher pensamentos no decorrer do tempo e formar nova realidade por dentro, através das palavras que descem ao papel. São lembranças, emoções, sentimentos; retalhos da presença da gente com a gente mesma, num processo de contar o que se passou no tribunal da consciência. Às vezes, são duras penas, saudades, angústias, etc.; e doutras, alegrias, doces recordações, planejamentos e encontros consigo próprio, nessa jornada de viver e aperfeiçoar  o sentido das horas no íntimo. Viram imagens mentais que as letras reúnem por meio do discurso e das falas escritas. Nisso, as previsões de um futuro que nascerá de nossos braços e que nem nós sabemos o quê ou quando virá.

Esse jornal que vem e vai no território interno das pessoas serve de motivo a imaginar o ser que somos, longe, no entanto, da realidade plena que todos buscam sem saber direito o que seja. Representa a produção de significados de onde colhemos as experiências e transformamos no diálogo interno, a fim de construir um eu melhorado, aprimorado, que, lá certa vez, fará de nós alguém que venha merecer a vida de novos seres. Um processo de aperfeiçoamento em que revisamos as atitudes e modos de plantar as sementes da evolução.

Escrever, pois, qual quem analisa a si e trabalha o ente que ora seja na personalidade, no caráter, longe de poder esconder a verdadeira natureza que já conhecemos agora. - Quem engana se engana, qual diz a sabedoria do povo. Autoconhecimento, autocrítica, isso bem representa o instante atual de todos, em fase contínua de revisão, nos textos que produz.

O que vejo de maior destaque nisto de mergulhar na alma e desvendar seus mistérios demonstra que estamos onde precisamos estar e que existe um itinerário a cumprir no decorrer de tudo. Nós conosco, nesta empreitada rumo a níveis mais adiantados de perfeição. Limpar o ser que aqui vemos e aspirar graus maiores de esperança e felicidade, à medida que pratiquemos as virtudes adquiridas em cada existência. Nós, senhores da realização do Ser em si mesmo. E as palavras a servir de instrumento a tais avaliações continuadas.

(Ilustração: O jardim das delícias terrenas, de Pieter Brueguel, o Velho).


Crato inaugura espaço-memorial do Padre Cícero – por Armando Lopes Rafael

Memorial feito para assinalar o local onde teria nascido o Padre Cícero

     O antigo Palácio Episcopal de Crato – onde hoje está localizada a Cúria Diocesana – ganhará na próxima quinta-feira, 24 de março de 2022, um pequeno memorial para assinalar o mais provável local de nascimento do Padre Cícero Romão Batista. Como é de domínio público, naquele terreno – numa casinha simples situada entre árvores fruteiras – teria nascido, em 24 de março de 1844, o menino Cícero, filho do casal Joaquim Romão Batista e Joaquina Ferreira Castão (Dona Quinô).

   Duas versões sempre circularam sobre o local do nascimento do Padre Cícero, na cidade de Crato. A primeira, defendida pelo escritor Irineu Pinheiro, é que ele teria vindo ao mundo numa casa localizada na antiga Rua Grande, hoje denominada Rua Miguel Limaverde. No entanto, conforme pesquisas feitas pelo historiador Padre Antônio Gomes de Araújo, publicadas na revista “Itaytera”, Ano V, Número 5 (1959) e, posteriormente, reproduzida no seu livro “A Cidade de Frei Carlos” (1971), consta:

“É corrente que, no chão onde hoje se ergue o Palácio Episcopal, nasceu o Padre Cícero Romão Batista. Esta informação me foi prestada pelo Cônego Climério Macedo, que afirmou: “Minha tia paterna, Missias Correia de Macedo, cortou o cordão umbilical do Padre Cícero, numa casa que foi substituída pelo atual Palácio Episcopal de Crato (...) no terreno onde se ergue aquele palácio, havia de fato uma casa, que foi cenário, por exemplo, da recepção do Padre Cícero quando este chegou do Seminário de Fortaleza, ordenado sacerdote, bem como das festas que envolveram a celebração de sua primeira missa. É certo que dita casa pertenceu ao major João Bispo Xavier Sobreira (...) com sua morte a dita casa passou à viúva, dona Jovita Maria da Conceição. Seus herdeiros venderam a casa a esta diocese”.

    Esta versão é defendida hoje pela maioria dos historiadores cratenses.

O pequeno memorial

     Por iniciativa do Pe. Joaquim Ivo Alves dos Santos – Pároco da Paróquia de N. S. Aparecida de Crato e ecônomo da Diocese de Crato – foi providenciada uma pintura, numa parede existente nos jardins da Cúria Diocesana, muro esse que é um provável resquício da casinha onde teria nascido o Padre Cícero. Ali está agora um desenho com a figura do Padre Cícero, de seus pais e de uma irmã do sacerdote. Também foi colocada uma placa para assinalar a efeméride, bem como instalada uma pequena estátua do Padre Cícero. Iniciativa louvável e que agradou a muitos caririenses.

        Agora, na cidade de Crato,  serão dois os lugares a serem visitados pelos devotos do Padre Cícero, Anteriormente, ao tempo que Dom Edmilson Ferreira Neves (hoje Bispo de Tianguá)  foi Cura da Catedral de Nossa Senhora da Penha, ele restaurou a pia batismal da Sé cratense. Lá foi colocada uma fotocópia da Certidão de Batismo do Padre Cícero, constante da folha 61 do Livro de Batizados de 1843 a 1845 – onde se lê:

“Cícero, filho legítimo de Joaquim Romão Batista Meraíba, e de sua mulher Joaquina Ferreira Castão. Nasceu em 23 de março de 1844 e foi batizado pelo pároco solenemente com santos óleos nesta cidade do Crato em 8 de abril do mesmo ano. Foram seus padrinhos seu avô paterno Romão José Batista e Antônia Maria de Jesus, do que para constar mandei fazer este assento em que me assino. Manuel Joaquim Aires do Nascimento”.

   Crato começa a conservar a lembrança do seu filho ilustre, Padre Cícero Romão Batista...

Pia batismal da Catedral de Crato