02 março 2022

A grande busca de adaptação - Por: Emerson Monteiro


Desde sempre que o ser humano peleja na intenção de achar o seu lugar no Universo. Isso bem caracteriza toda a história durante todo tempo. Desejo sem limites de revelar a si mesmo o melhor jeito de viver. Viver sem medo, com facilidade na aceitação dos segredos que a vida impõe. No entanto, longe de qualquer dúvida, no processo de perceber com clareza o que seja isso de existir, vem sendo a grande interrogação de todos nós no diversos quadrantes. A resposta de ontem não serve nos dias de hoje. E a resposta de hoje não servirá nos dias de amanhã. Daí a luta insana de acertar, contudo fora de cogitação, que muitos notem o melhor lenitivo.

Por isso, nessa loteria dos mistérios, a Humanidade experimenta de tudo, porém quase nunca descobre o modo ideal de responder aos enigmas do momento. Razão fundamental de ser assim é que em cada um há seu próprio foco de anotar as muitas ações da Natureza. Uns falam desse modo, outros, daquele, enquanto gira a roleta da sorte nas mãos de tantos. Grupos inteiros veem-se submetidos aos caprichos dos líderes, que, por sua vez, veem-se limitados nas condições imprecisas da razão. A Ciência oficial prova isso com facilidade. Ninguém que se preze aceita por inteiro todas as versões da História. Qual pedra que desliza na imensidão do Tempo, todos nos sujeitamos a essa estação inevitável de padecer as normas das razões de cada povo, de cada tempo aonde quer que for.

Qual dizíamos, vem sendo assim desde muito. O intuito de acertar denota o instinto de encontrar a resposta ideal que favoreça, sobremodo, a que esteja no comando. Depois, pouco importam os frutos das experiências, algo que demonstra a escuridão dessas mentes de conduzir os destinos de tantos jogados em suas mãos e manipulações. Os grandes traumas humanos nascem desse procedimento irresponsável de quem chega no alto e esquece dos que ficaram lá embaixo. A dor do próximo deixa de ser dor quando distante das classes que dominam.

Nisso, os embates da condição humana pelas vidas afora. Ao indivíduo investido de poder quase nada representam os interesses das multidões. Persiste então o grosso modo de abandonar fracos aos seus alvedrios de vítimas da solidão particular que têm de transportar consigo nas crises e hecatombes, às indiferenças dos gigantes. São grupos de poder que determinam os trilhões gastos a todo ano em armas e mecanismos de defesa dos países, em detrimento dos menos aquinhoados que amarguram fome, fragilidades mil, vítimas da perversidade e indiferença dos poderosos. Arrastam famílias inteiras à miséria, ao sofrimento coletivo, ralés do atraso da espécie de que aparentemente fariam parte.

Essa autocrítica poderia significar algo, entretanto vaga solta nas mentes de alguns alienados dessa carga pesada que domina e impõe por milênios, por vezes comentada, criticada, até confrontada, sem, com isso, acontecer práticas diferentes. A seara da política, que no início parecia desvendar o grande lance de transformação necessária, hoje merece baixos qualificativos, usada a interesse de alguns, talvez a marca de negociatas e níveis inferiores adotados na intenção medíocre de favorecimento dos mais ambiciosos que abiscoitam as posições.

Quiçá perente fase de sacrifício de gerações, o movimento do barco desses dias indica novos desafios aos que prosseguem acreditando em horas melhores, quando as riquezas naturais sejam revertidas em prol de todos, do tipo que Jesus quis ensinar, de sermos irmãos e um só rebanho de paz neste mundo de tantas maravilhas a que, na certa, estamos longe de merecer, até provarmos o contrário, que deverá vir do coração de todos, sem distinção de credo, raça, cor, nacionalidade, poder aquisitivo, direito de todos e sonhos de poucos.