24 fevereiro 2022

Leituras - Por: Emerson Monteiro


Houve um tempo quando coisas inesperadas complicavam o meio do campo da impaciência angustiosa que instinto selvagem parecia querer jogar fora a canga e destruir de qualquer jeito os quebra-mares estabelecidos nos sistemas de defesa. Comodidades vaidosas atiravam tudo para o ar, e acendia dentro de mim fome cruel de romper o ferro dos laços da organização pessoal, no sabor dos caprichos que aparecessem à porta principal. Com isso, contrariava fácil o ditame das regularidades, invadia outras praias, feria suscetibilidades, a começar pela saúde interna do respeito aos prospectos guardados meses a fio, na malha do esforço consistente.

Não queria aceitar que mesmo no calor dos testes necessários habitasse o mistério do drama secular das permanências e conquistas cotidianas. Perdia, a bem dizer, o senso do tanto das melhores partes, porque desistia de pagar o preço de acumular a poupança da paz, naqueles momentos de chegar aos limites e merecer resultados produtivos, lições que a vida traz aos seres sobreviventes, livres da discriminação de raça, credo, cor, sexo, idade, partido, time, filosofia, indo, nesse prumo, justificar lá adiante o querer sem a comprovação da resistência, azeite doce da hora de receber o que se ganha com esmero e qualidade.

Já hoje, talvez isso o que denominam experiência, descubro faceiro que inexiste vitória sem a luta correspondente. Noites insones, dúvidas, opiniões, renúncia. Bajulação perde a força no que tange ao valor real das sementes verdadeiras. Ninguém, de insana consciência, que aguarde pacote pronto dos reservos do destino, usufrui da mera credulidade indecorosa, insuficiente, que alimentou. Pode até, nas horas vagas, parece que ganhou qualquer lance, porém o custo da incúria corre solto atrás dos presságios alvissareiros da inércia.

Apresentou-se o desafio, logo em seguida, fruto daquela árvore imensa, crescem, no lodo e no tempo, as perguntas da justiça do merecimento. A cada um conforme seu mérito, porquanto a Natureza trabalha à base de leis matemáticas, soberanas, longe de peixadas sociais dos mundos tortos.

Quase uma mensagem cifrada indica: ou plantou ontem ou haverá de plantar agora, caso pretenda dispor de resultados sonhados para o futuro. Há normas equitativas, independente de que funcione ao passo da individualidade pretensiosa, luxenta, da própria barriga.

Depois de muito forcejar as barras da inconsequência, nenhum vento leve conduz aos segredos universais só por conta dos belos olhos.

Há batalhas pela frente antes da vitória. Luzes das doutrinas humanas caem aos primeiros acordes do dia, residência fiel da balança que estabelece princípios firmes.

O acaso de dados ao vento passa longe do Santo Graal, no passo dos peregrinos. E suportar espinhos permite a maciez da rosa mais perfeita.

A Desatadora dos Nós, de Isis Penido – por José Luís Lira (*)

   Maria, a Mãe de Deus e nossa, é Senhora de muitos afetos, muitos títulos. Pertenço, por nascimento, a uma Paróquia dedicada à Nossa Senhora dos Prazeres. Sou paroquiano de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da Diocese de Sobral. Indo à sede da nossa Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém – Lugar-Tenência do Rio de Janeiro, recebi de presente da estimada amiga Lugar-Tenente, Dama de Comenda com Placa Isis Penido, o livro “Desatadora dos Nós: História da construção da Capela de Búzios”, de sua autoria. São Paulo: Ed. MM, 2020, 120 páginas. Uma pequena joia.

   O título de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, surgiu entre 1699 e 1701, com uma pintura do artista alemão Johann Schmidtner, de 1,1 metro de largura por 1,82 metros de altura e encontra-se na capela de St. Peter am Perlach, em Augsburgo, Alemanha. O então Cardeal Bergoglio, hoje Papa Francisco, levou para a Argentina a devoção e o Santo Padre é devoto da Desatadora!

   Dedicatória especial é feita por Isis Penido a seu falecido marido, Paulo Penido, que retornou à Casa do Pai quando ela finalizava o trabalho. Paulo, diz a autora, foi o grande incentivador da obra.

   Abrindo o livro, o jornalista Eduardo Mattos, também autor de um livro sobre a mesma invocação de Maria, em apresentação, conclui dizendo que “O livro que você tem em mãos é muito mais do que este documento que Isis Penido sonhava fazer – e fez. É a inspiração para aqueles que buscam a fé incondicional”. 

   Dom Rafael Llano Cifuentes, bispo emérito de Nova Friburgo, falecido em 2017, inicia o prefácio destacando a afluência de cerca de 1,3 milhão de peregrinos evidenciando o quão “foi providencial a iniciativa de Isis Penido de construir, em Geribá, na cidade de Búzios, Estado do Rio de Janeiro, a primeira capela do mundo inteiramente dedicada à devoção de Nossa Senhora Desatadora dos Nós”. Diz-nos, ainda, que a Desatadora dos Nós “talvez tenha sido inspirada pelo pensamento de Santo Irineu: ‘O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria’”.

   Na introdução o Pe. Ricardo Whyte confessa que até um domingo de janeiro de 2001 não ouvira falar na devoção à Desatadora dos Nós, quando Isis Penido o procurou para pedir para um espaço dentro da Igreja de Santa Rita de Cássia para colocar uma imagem da Virgem.

   A autora afirma: “olhando para trás, tenho a certeza de que tudo na vida é obra de fé, da confiança e da perseverança. Prova disto é esta Capela, um sonho que plantei e floresceu no jardim de Santa Rita”.
   Seguem-se 23 capítulos nos quais lemos, entre outras preciosas informações, o sonho da autora em dedicar uma capela a Nossa Senhora Desatadora dos Nós, a realização deste sonho, a doação do patrimônio à Igreja, o pátio dos [inúmeros] milagres, a história bíblica de nós desatados, o nascimento da devoção, a imagem e seus 11 símbolos, a Desatadora no mundo, a fórmula da novena com reflexões e muito mais.

   Nos anexos temos as palavras do Pe. Marco Túlio de Castro Carvalho, do Cônego Jorge Luís Neves, nosso amado Cavaleiro Presbítero Pe. Jorjão, e da Dama de Comenda da OESSJ-RJ Dulce Pugliese que testemunha: “A Capela, que emana a luz da divindade, contribui de maneira ímpar para a espiritualidade de Búzios, um lugar abençoado por Deus de muitas maneiras”.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.