22 fevereiro 2022

O território livre dos sonhos - Por: Emerson Monteiro


São marcas profundas largadas no abismo das noites, a impor condições de compreender o mistério íntimo de existir. Vêm de longe, das quebradas de dentro do sono, e trazem respostas, e mostram o futuro. Lições claras da gente com a gente mesma, eles revelam os segredos monumentais por vezes aguardados de séculos. Oferecem respostas aos enigmas da Criação nos que disso buscam conhecer. Esse universo, um outro, mora, pois, na essência do ser lá onde habitamos pelos infinitos desconhecidos. Nalgumas horas, meras fantasias destituídas de sentido. Noutras, filmes claros daquilo que queremos descobrir. Eles, os sonhos, credos definitivos das almas em contrição.

De tanto esperar, esse dia lá certa feita chega aos sussurros no tanto do que precisávamos do seguimento das vidas. Revelações tonitruantes, acalmam, emudecem dúvidas e determinam destinos. Eles, os sonhos.

Quando acordamos, assim como a luz não dobra esquinas, queremos lembrar os sonhos, mas eles teimosamente se perdem na bruma das memórias apagadas e fogem quais entes sombrios encapuzados. Disfarçam seus conteúdos e nos abandonam, feitos amigos só de véspera. Quanto mais corremos à sua procura, mais desaparecem, fantasmas insistentes de sustentar em sigilo aquilo que há pouco revelaram. Carl G. Jung orienta que devemos escrever logo na hora os sonhos, que daí virá o hábito de lembrá-los com frequência.

Existem os sonhos menores, ligados ao dia-a-dia das preocupações da rotina, quais fragmentos de tempo recente. Porém existem os sonhos maiores, os espirituais, que cuidam de transmitir largas notícias de outros planos, que auxiliam na interpretação dos sentimentos e das verdadeiras emoções, dos planos além da carne, a demonstrar inéditos conteúdos até então desconhecidos.

Esses são os sonhos fundamentais, os que merecem atenção e respeito, no crescendo da evolução individual. Portas abertas à compreensão da sacralidade, neles decodificamos os valores principais de tudo que nos faz tocar adiante e dar o sentido de tudo quanto há.