12 fevereiro 2022

Clamor desnecessário - Por: Emerson Monteiro


Cobrem-se de ofensas uns aos outros por causa de enternecedoras injustiças, sem saber que, para eles, já justiça se fez.
Saint Exupéry

 As tais agonias da Civilização, pelas quais sucessivamente passarão todos que virão seguindo após os desmanches das tantas lendas. Quer-se revelar o que jamais possível seja longe nas atitudes de paz e sentimento puro, porquanto, o transcorrer das luas, nisto a justiça acontece e justiça determina os passos posteriores desse drama dos humanos. Nalgumas ocasiões, os desatinos impõem respostas a que poucos, ou nenhum, presenciam, face à ingenuidade dos tempos sem fim, amém. Isto de querer a si o merecimento da história, porém, que a ela impera uma natureza desconhecida na multidão dos valores e interesses mundanos em jogo.

Há de haver isto de compreensão, antes de sumirem no precipício das eras. Força descomunal define, pois, o Poder na tranquilidade das circunstâncias, independente da opinião de quem quer que seja, que somos nós esses errantes, nas trilhas da solidão. O brilho fosco do deserto fere nossas vistas e determina senso só de alguns, talvez. Enquanto a caravana segue sua jornada perdida, sobram as ilusões. Vaqueiros da própria consciência, tangem na alma rebanhos de inutilidades, angústia de perdição que ora carregam no peito.

Isto de querer desvendar o segredo pelos caminhos errantes, assim desliza a longa fieira das humanidades vidas afora. Alimentam a fome do impossível e olham uns aos outros quais exóticos seres até então desconhecidos na essência dos séculos. Tais notas de canção inexistente nas asas do vento, nem a si ainda conhecem, como aos outros reconhecerem? E sofrem diante disso, vítimas das mesmas dúvidas que lhes arrastam, pelas eternidades adentro.

Bom, estrelas cruzam os céus, e aqui vamos nós à busca do sentido nas sombras flagrantes da inanição que, desde sempre, nos cabe revelar à criatura que já somos sem, contudo, admitir.