28 janeiro 2022

Herdeiros do mistério maior - Por: Emerson Monteiro


Por mais que tentem fugir, todos marcham irrevogavelmente ao centro. Cercados de tantas dúvidas do que não estamos cientes, lerdamente avançam na direção de um constante agora de que desde sempre seremos. Grupamentos vários, pois, deslizam pela paisagem lá de fora, conquanto a resposta vive no íntimo dessas mesmas criaturas artesanais do destino. Esses tais seres encapuzados, sombrios, frios, cadenciam seus passos na firmeza de que, no interior do templo de si próprios, descobrirão essa chama que nunca há de apagar. A isso viemos até aqui onde ora estamos.

Inoculados de sentimentos ainda provisórios, alimentam a farsa do desaparecimento sem ter aonde sumir, senhores do mistério que habita os corações. Vivem o drama da Criação na própria pele, enquanto fervem de desejos vagos pelos corredores do Infinito.

Face ao ritmo de um ser que apenas inicia jornada, pisam a sombra dos séculos e adormecem aos braços aparentes da morte, naquela visão antiga de que pensavam ser origem e fim, no entanto. Às vezes passeiam, durante o verão das bestas, e caem nas armadilhas da sorte incerta das quantas madrugadas que eles mesmos plantaram invés da esperança e da fé. Calejados pelas dores do parto que carregam no ventre dessas almas, sonham acordados nas ocasiões de reconhecer o objetivo que transportam.

Eles, nós, todos, vagamos destarte perante o Eterno que nos observa e alimenta, no invisível das criaturas em movimento. Transportam o néctar da salvação dentro do peito e fervem de ressentimentos de não ter encontrado de vez a porta dos céus na ação das estações.

Bem isso que eles, nós, são e sustentam nas estradas afora, nas cláusulas do Tempo. Doces selvagens da felicidade, sabem, quase sem querer saber, o que lhes aguarda logo depois das dobras do Infinito, e adormecem intranquilos nas guerras cruentas deste Chão. Eles, soldados de Si, heróis da Eternidade.

(Ilustração: Heróis: Marvel e DC).

Espiritualidade e música clássica na OESSJ-RJ – por José Luís Lira (*)

Belíssima fachada da antiga Catedral do Rio de Janeiro
Interior da antiga Catedral do Rio de Janeiro

   A Igreja Nossa Senhora do Carmo – Antiga Sé do Rio de Janeiro (Sé até 1976), guarda, além da história de fé de milhões e milhões de brasileiros, a história do próprio País. Quando Dom João chegou ao Brasil, em 1808, designou a Igreja de Nossa Senhora do Carmo a Capela Real Portuguesa e, depois, Catedral do Rio. O termo “Sé”, da palavra “Sede” designa catedral. É, numa diocese ou arquidiocese, no caso do Rio de Janeiro, a casa principal de Deus (Domus Dei).

   Nascida “como uma pequena ermida dedicada à Nossa Senhora do Ó, construída poucos anos da ocupação portuguesa”, conforme se lê em seu sítio eletrônico; “... por volta de 1590, ... a ermida, foi convertida em Capela da Ordem do Carmo. Em 1619, os frades iniciaram a construção de um convento, ao lado da capela e uniram os dois edifícios por de uma torre com portaria, posteriormente demolida para esticar a Rua Sete de Setembro...”.

   As paredes da Sé Antiga testemunharam momentos indeléveis para a História, como a sagração de D. João VI, rei de Portugal, a bênção matrimonial do libertador do Brasil, Dom Pedro I com Dona Leopoldina, as coroações de Dom Pedro I e Dom Pedro II, com as respectivas imperatrizes, a bênção matrimonial do segundo Imperador e Dona Teresa Cristina, o casamento da Princesa Isabel com o Conde d’Eu.

   Fará 200 anos, em 1º de dezembro próximo, a Coroação do primeiro Imperador e da primeira Imperatriz do Brasil. Foi naquele cenário sagrado. E, desde 2016, início da Lugar-Tenência da Dama de Comenda com Placa Isis Penido (completando este ano Jubileu de Prata na Ordem, exercendo antes, a Chancelaria e Cerimoniário Leigo) e graças ao esforço desta Dama, tem sede na Antiga Sé a Nobre e Pontifícia Ordem Equestre (de Cavalaria) do Santo Sepulcro de Jerusalém. A sede foi indicação do Grão-Prior da Ordem, Cardeal Orani Tempesta, e muito bem acolhida pelo pároco, Pe. Silmar Alves Fernandes.

Na cripta da velha catedral, está o túmulo do Cardeal Arcoverde, ex-Arcebispo do Rio de Janeiro e primeiro cardeal da América Latina. Em frente ao túmulo, na parede, estão parte dos restos mortais de Pedro Álvares Cabral, descobrido do Brasil.


 
    Pois que iniciando as atividades da Ordem neste ainda atípico ano, por conta da pandemia, na tarde de quinta-feira, 27 de janeiro, aconteceu o lançamento do Livro “E a casa inteira ficou cheia do Perfume do Bálsamo”, de Sua Eminência Reverendíssima, o Cardeal Fernando Filoni, Grão-Mestre da OESSJ. O autor, evidentemente, não pode estar presente, mas, a solenidade foi das mais belas. Dando as boas-vindas, o Maestro Marcos Paulo Mendes executou “Jesus Alegria dos Homens”, de Sebastian Bach. Na sequência, Sua Excelência, a Dama de Comenda Isis Penido, fez a abertura oficial da solenidade de lançamento e concerto. O Pe. Silmar Fernandes, Reverendo Pároco de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, fez uso da palavra e logo em seguida, Sua Excelência Reverendíssima Cavaleiro Comendador com Placa, Dom Roque Costa Souza, Bispo Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro e Referencial para o Vicariato das Irmandades na Arquidiocese do Rio de Janeiro, para fazer a apresentação do autor e do Livro, o que sua Excelência Reverendíssima fez com desenvoltura, conhecimento e a piedade necessária a um livro tão profundo quanto este do Cardeal Filoni.

   Ao final, ocorreu o concerto, a cargo do Maestro e Organista Marcos Paulo Mendes, com belíssimas peças, entre as quais “Te Deum” (de Charpentier) e “Prelúdio em Fá menor” (de Maestro Marcos Paulo Mendes).

    Deus Lo Vult!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.