23 janeiro 2022

Interesses e razâo - Por: Emerson Monteiro


Isso do tempo que ora se vive, onde senso e contrassenso ganham espaço diante dos extremos da necessidade, quando existe ausência de compreensão do que seja nosso e da coletividade nos interesses em jogo. As palavras enchem livros e o pensamento individual busca confundir os princípios da economia. Foram tantas versões, belas canções, noites de sonhos, organização de trabalho, e agora nos deparamos face a face com o egoísmo de grupo na criação das certezas pessoais, esquecida a visão revolucionária que pauta o futuro das nossas esperanças desde décadas.

Qual diz na Bahia, farinha pouca, meu pirão primeiro. A gente olha no trilho do tempo e ainda vê brilhar a túnica dos nossos heróis carcomidos pelas esquinas do passado. Quanta vontade que houvesse plena coerência nos procedimentos humanos perante o que tangem teoria e a prática de todos os instantes. Mas essa fome de ilusão insiste querer negar a essência dos sonhos.

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Aonde foi parar a beleza de todas as flores? Frêmito de saudade parece circular o corpo inteiro da Civilização, depois de tudo que até aqui ocorreu, deixando-nos estáticos a presenciar o tumulto da dúvida de quando iremos, afinal, desvendar este mistério de uma existência mais justa. Dói só de pensar na situação atual dos humanos, seres capengas, esdrúxulos, bizarros, no furor de repetir os velhos equívocos da história, perdidos pelos escombros da repetição.

Quais prisioneiros de cápsulas isoladas, lutamos todos em nome de abstrações desencontradas, frutos da alucinação coletiva que impera nas quebradas noturnas dos vícios e prazeres fáceis. Sei que a ciência caminhou nesse vazio, contudo caiu nas mãos dos feiticeiros da ganância e um grito de compaixão impera nos bolsões da injustiça social. Chegam e formam blocos isolados, e salve-se quem puder. Nem adiante apontar dedos sujos, que a visão da perenidade dará, por si, o sentido que buscarmos até aqui. Quem viver verá.