19 janeiro 2022

Poder inefável do silêncio - Por: Emerson Monteiro


Quando eu era, não existia Deus; agora existe Deus, mas eu não sou.
Kabir

Nas verdes planícies da alma dançam todos esses desenhos em seus volteios harmoniosos, ao som das músicas da Natureza. Aves sobrevoam a imensidão e repousam na ausência dos corpos em movimento. Luzes que acendem no céu imenso a concretude inesperada e derramam notas suaves de todas as cores. Este poder que sustém a certeza das existências, que também vive na essência de tudo quanto há, durante todo tempo.

A leveza desses sons abissais ainda dorme guardada aqui no coração do Universo, onde sonhamos os nossos desejos e sustentamos as nossas escolhas que as transportamos no íntimo do ser, na interpretação do que fazemos. Ouvimos a pureza das histórias que um dia nos contaram e sobrevivem soltas pelo labirinto de nós mesmos. Andamos nossos passos qual quem alimenta o Infinito dentro das certezas que mexem pelas fibras das horas e dizem do Amor ao firmamento.

Em todas as criaturas esse fervilhar de grandeza na consciência dos entes numa única contrição, moléculas da origem que sustém e conduz diante de tanta beleza. Formas de nuvens que se desfazem pelo azul do céu nas criaturas nascidas dos pensamentos eternos bem perto da gente. E vagamos nisso, nas fagulhas de tantos e inesgotáveis momentos que jamais sumirão no definitivo dos sóis. Longas horas e sentimentos puros, marcas da presença imutável do fervor da Eternidade.

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Enquanto cadenciamos o ritmo dessas pulsações, buscamos nos encontrar conosco próprios, pois sabemos ser muito mais do que apenas isso que ora, quimeras em perdidas ausências. Desde longe saboreamos este valor que possuímos, contudo numa fase de aprimoramento. Reunimos vontade, sonhos, saudades, na condição de meros aprendizes do que nos aguarda logo ali adiante. Porém que necessita de renúncia, paciência, dedicação, fé, instrumentos da mutação exclusiva dos herdeiros da Criação em constante renascimento.