08 janeiro 2022

Ao modo de crônica-registro-revelação – por José Luís Lira (*)

   No calendário da Igreja Apostólica Romana a Festa de Reis é também a Epifania (revelação) do Senhor, celebrada no domingo passado. Antes se celebrava no dia 6 de janeiro que é, também, o dia da gratidão, seguido do dia 7 com a Liberdade de Cultos grafada no calendário cívico. E nesta data de hoje, dia 8, lembramos o dia do fotógrafo e amanhã é a solenidade do Batismo do Senhor. Neste domingo, ainda, rememoramos os 200 anos do Dia do Fico quando o então Príncipe Português Dom Pedro de Alcântara, futuro Dom Pedro I, decidiu ficar no Brasil e assim lançava, digamos assim, os fundamentos da Independência do Brasil que ocorreria em 7 de setembro de 1822.

    São celebradas religiosas de grande importância para nossa Igreja Católica Apostólica Romana e nos deixam em júbilo: a festa de Reis, as solenidades da epifania e batismo do Senhor. Deus seja Louvado! 

  Também o calendário cívico traz o dia da gratidão. Buscando um significado para gratidão encontraremos: “um sentimento de reconhecimento, uma emoção por saber que uma pessoa fez uma boa ação, um auxílio, em favor de outra”. E como é belo ser grato. Gratidão sempre por tudo o que recebemos, incluindo gratidão a Deus que todos os dias nos premia com maravilhas às quais nem sempre agradecemos. É bom refletir.

   A liberdade de cultos é uma dádiva do constitucionalismo assegurada no Estado Democrático de Direito. Essa liberdade de culto foi sendo edificada no dia-a-dia e nela não podemos deixar de lembrar o respeito aos diferentes credos. Todos o direito de exercer nossa religiosidade sem querer interferir ou ferir mesmo a religião do outro e os que assim agimos também gostamos de reciprocidade de respeito. Respeitar não é ter que participar do culto do outro. É permitir que ele faça seu culto e não o tentemos convencer disso ou daquilo. Evangelizar é uma missão dos que acreditam na palavra salvífica de Jesus. E aqui me lembro do Evangelista Marcos (9, 38-39) quando João chega ao Mestre e diz: “Mestre, vimos um homem que, em teu nome, estava expulsando demônios e procuramos impedi-lo; pois, afinal, ele não era um dos nossos”. E o Mestre respondeu: “Não o impeçais!”.

     O dia do fotógrafo me é muito caro. Não sou fotógrafo profissional como nosso amigo Marcildo Brito, mas, tenho uma predileção pela fotografia. Acho um registro fantástico. Vez por outra me deparo com antigas fotografias e pareço viajar no tempo. A este respeito, todos sabem, participo de trabalhos de reconstrução facial a partir de fotos de crânios de personalidades e de santos, juntamente com meu amigo Cícero Moraes. Essas reconstruções faciais a mim sempre me pareceram um “retrato”, uma fotografia que nos foi enviada do passado. Assim fizemos Dom Pedro I, em 2018, o que relaciona o tema ao Dia do Fico. Nos últimos dias do ano passado e nestes primeiros dias de ano novo trabalhamos São Vicente de Paulo e, em breve, contemplaremos sua aproximação facial.

   No próximo dia 13 celebraremos o segundo ano de eternidade do Pe. Osvaldo Carneiro Chaves. Imagino seu sorriso vendo essa observação lá do Céu. A sua bênção, Pe. Osvaldo!

    Essas celebrações dão continuidade ao Natal e iniciam o ano e que Deus nos livre da pandemia que aflige ao mundo. A recomendação é seguir a ciência e que cada um de nós, façamos nossa parte.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.