07 janeiro 2022

Tempo, o vertedouro dos carismas - Por: Emerson Monteiro


Há o tempo psicológico e o tempo real. Um que passa, de acordo com as impressões pessoais. E um que é eterno, inclusive dentro da própria pessoa. Porém, de comum, na flor das águas só se enxerga a matriz das ilusões, senhor do ego, que manda e desmanda nos focos e nos objetos e desaparece logo depois das ansiedades humanas. Sem qualquer esforço, o que a gente imagina ser real porém sem nenhum fundamento, pois some numa velocidade estúpida. E as pessoas baixam a cabeça diante das impossibilidades de dominar esse ente misterioso. Veem-se dominadas, e tudo bem, que outra senão essa alternativa frustrada?!

Contudo correr na busca de reverter aquele sentido que parece único eis a porta da libertação dessa escravidão ao tempo-matéria, tempo-ilusão. Dito isso, vem a vontade transcendental de sobreviver às ilusões. Transferir ao outro universo a força vital. Recriar o momento. Ressuscitar da lama do chão.

Tarefa por demais insana para a grande maioria, a anestesiada pela ilusão, alguns mergulham fundo nas águas desse mar de que falam os místicos. Avançam nas tradições e, por vezes, chegam a presenciar o outro lado das imagens, no espelho do tempo real. Têm que renunciar ao desejo de dominação das coisas e criaturas. Baixar a fome da ignorância e descobrir a fonte do mistério.

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Qual quem procura na essência de Si, renunciam ao brilho fosco do imediato e largam os apegos. Nem parece a voz geral que impõe condições inarredáveis ao vulgo. Largam de admitir a velocidade com que tudo parece escorrer das lâminas da matéria e deixar de lado as possibilidades do processo vida. Que assim tem sido, que assim possa continuar, que o tempo não para e algo deve ocorrer às malhas dos destinos. Entretanto disso já se sabe o final, enquanto resta achar o outro universo de Si mesmo nas ondas fortes desse mar. Tais de um sonho lá um dia despertarão noutro Universo de pura luz, a plena Realidade.