03 janeiro 2022

Certezas mais certas - Por: Emerson Monteiro


Quais reflexões soltas no espelho do Tempo, seguem os rios de gente e objetos, nessa ladeira longe dos reais conhecimentos da Verdade. Vagos sinais de depois, perduram só nalguns momentos o mais que sejam meras estatísticas criadas pela imaginação superficial. De certo em absoluto apenas vive nos rastros deixados fora, logo ali antes de agora. Queiram os maiorais e nem de longe registram algo que não seja a fuga disso. No entanto há que se tocar o barco, ainda porque fugir não existe aonde. E os orgulhos da raça imperam nas aves ansiosas pelas noites da história.

Querer diferente, ainda que desejemos porém que outro resultado vamos encontrar aguarda nas curvas desta condição de alimárias do Destino. As civilizações criam muitos personagens divinizados, querendo explicar o inexplicável. Existem deuses que encarnam figuras diversas e seus compromissos em ocorrências várias. A humanidade precisa que assim seja. Que leia nas lendas os valores que nunca dominam. Nisso, vagam entre os astros com as diversas interpretações, fruto das passadas vivências. Daí pede com gosto que seja diferente o que acontece adiante.

Em cada um habita pois esses autores nascidos pelas dores do parto da imprevisão. Padecem de causar espanto à busca de responder ao impossível. Prendem-se a manias, pensamentos, sentimentos, atitudes, apegos, prazeres e lutas, empreendimentos da fuga livre nos corredores de uma sequência natural de tudo. Tais fagulhas ao vento, deslizamos nas ondas desse mar, olhos postos em nós mesmos, vistos nos espelhos dos dias, o contrário do que somos na realidade pura.

Isso de juntar palavras dá nisto, numa flutuação inesperada de conceitos que regem o senso e, por vezes, impedem de a gente ver a nós próprios, achar o Eu que vê sem compreender o suficiente de acalmar o impulso desta comodidade e apurar o melhor, de clarear o império da Razão que vive no íntimo de todos, motivo do que somos e seremos sempre.

É Razoável Crer?



 
Nesta tarde, Cristo do Calvário, venho pedir-te por minha carne doente mas, ao ver-te, meus olhos vão e vem de teu corpo com vergonha.
Como vou queixar-me de meus pés cansados quando os teus estão destroçados?
Como mostrar minhas mãos vazias, quando as tuas estão cheias de feridas?
Como explicar-te minha solidão, quando estás só, pregado no alto da cruz?
Como explicar-te que não tenho amor, quando vejo teu coração rasgado?
Agora já não me lembro de nada, fugiram de mim todas as minhas dores.
O ímpeto da súplica que eu trazia afoga-se em minha boca imóvel.
Só quero pedir-te, para não pedir nada, estar aqui junto à tua imagem morta e aprender que a dor é somente a chave santa de tua santa porta.
Amém 

Postagem original: Via Mariana Bueno Lopes / No Caminho de Compostela

Reflexões sobre o bicentenário da nossa independência -- 2

 

O regime republicano promoveu perseguições aos monarquistas

    No campo das leis, tão logo foi instalado o novo Governo Provisório republicano - decorrente do golpe militar de 15 de novembro de 1889 -  este promulgou o Decreto nº 85, criando um tribunal de exceção, para julgar – em corte marcial – sumariamente, qualquer pessoa que ousasse modificar a forma de governo recém imposta ao povo brasileiro. E nas sucessivas 5 (cinco) efêmeras constituições republicanas (promulgadas em de 1891, 1934, 1937, 1946 e 1967) sempre constou uma cláusula pétrea proibindo qualquer tentativa de modificar a forma de governo republicana. A única exceção foi a atual e vigente Constituição de 1988. Veio,com esta última Carta Magna,  o indulto para os monarquistas terem liberdade de expressarem suas ideias. Os monarquistas foram, assim, os “últimos anistiados políticos do Brasil”.

     Ademais, desde os primeiros tempos do novo regime, com mais intensidade no segundo governo, chefiado pelo Marechal Floriano Peixoto, as autoridades republicanas promoveram violenta repressão à ideologia monárquica. Essa perseguição chegou a custar a vida de muitos patriotas brasileiros. Dentre eles citamos com profundo respeito:  o Almirante Saldanha da Gama (morto em Campo Osório); o Marechal Barão de Batovi – herói da Guerra do Paraguai – fuzilado com seus companheiros monarquistas no Estado de Santa Catarina. 


Acima, memória da  Revolta da Armada, movimento de rebelião promovido por unidades da Marinha do Brasil contra os dois primeiros governos republicanos do Brasil (leia-se Marechais Deodoro e Floriano Peixoto), por estes terem adotados feições de uma ditadura militar.O líder do movimento, Almirante Saldanha da Gama foi assassinado, pela tropas republicanas, na batalha de Campo Osório, no Rio Grande do Sul.

       Acrescentem-se à lista os trucidamentos perpetrados contra o Barão do Serro Azul e seus aliados, no Paraná; o Coronel Gentil de Castro, assassinado, após longa prisão, no Rio de Janeiro.  Também foram trucidadas, em ocasiões diversas, dezenas de ex-escravos negros, entusiastas da Princesa Isabel, quando saíam às ruas dando vivas à Redentora. Citamos ainda o Genocídio de Canudos, promovido pelos fanáticos republicanos no sertão da Bahia. Nesta página negra da nossa história, uma população inteira de sertanejos, fixada no vilarejo de Belo Monte (onde vivia a trabalhar e rezar) foi dizimada, nas três expedições militares consecutivas, deslocadas do Rio de Janeiro para promover esse massacre.

Texto e postagem: Armando Lopes Rafael