10 maio 2022

As tardes assim - Por: Emerson Monteiro


Das que deixam aqui de junto da gente a larga margem de compreender o som cálido das manifestações que acontecem no bojo da imaginação. Tons pálidos de cinza que esvoaçam suavemente pelas gretas do sentimento e revelam a intensidade maior que tem em tudo de um mistério imortal. Qual pulsar dos mecanismos das horas dentro dessas pessoas, persiste o ritmo monótono da existência enquanto mergulha nas ondas o inesperado; velhos guerreiros que regressam aos pousos de todas as batalhas chegam devagar. Uma espécie de ficção olha de frente a cada pessoa e deixa que desista de acreditar nos segredos apenas guardados a sete capas nas florestas da ausência, que aos poucos some pelo abismo da tarde. Algo que tal, sons cavos das longas noites que virão logo depois ali no deslizar frágil dos dias. Tardes definitivas das doces lembranças só agora trazidas ao silêncio das horas que não terminam nunca. Voos de pássaros invisíveis nas estradas que sustentam, pois, esse calor de sol na alma das criaturas humanas, caudal insistente do somatório das inúmeras vidas espalhadas pelo mundo.

Pudessem determinar os próximos passos e jamais reuniriam tamanhas sombras, que descem pouco a pouco nas encostas do poente avermelhado. Ao fechar os olhos desses viajantes, o dia alimenta para sempre as bordas do firmamento nas entranhas do Paraíso. E adormece dentro de si feito senhor da vontade que arrasta o cordão dos séculos afora. Ele, o autor da solidão que transporta no peito as criaturas a quem deu origem, guardião do próprio sonho de que não quer dele desprender as amoladas garras.

Isto de seguir adiante sob o signo dessas alucinações reunidas no tempo e que ainda irão permanecer estiradas nos desejos das luas inevitáveis e novos sóis, e outros apegos. Assim, tais mantos rubros formados nas pequeninas células que sustentam as individualidades, além do que tenhamos de certeza, restam palavras que se sucedem nas malhas da consciência, adormecida na escuridão das noites. Nós, prudentes anônimos das aventuras deste chão, peças do tabuleiro das dúvidas e mestres na Criação em movimento, eis algures os mártires das epopeias que se desfazem na sombra imensa das árvores em volta. Profundos textos das sinfonias das muitas cores, sussurros cálidos aos ouvidos surdos, melodias do Infinito de que somos agora uma pauta no coração do Universo.

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