13 maio 2022

Acreditar no imponderável - Por: Emerson Monteiro


Quanta distância entre o visível e o inalcançável pelos sentidos da matéria. Nesse espaço imenso ali acontece a evolução do espírito humano. Dali nascem as buscas, filosofias, religiões. O que um de nós percebe torna-se exclusividade individual, porquanto por mais que digamos, descrevamos, resta uma própria presença de quem ouve dentro da vivência pessoal. Nisso o direito inevitável do respeito a ambos, vez ser impossível só duvidar, vez que ninguém é proprietário do outro na sua essência. São muitas as narrativas das descobertas através dos tempos. O materialismo, a seu modo, impõe limite particular a dizer que existe o que possa cruzar a experiência sensória, o que é pouco face ao aspecto abstrato da existência, a subjetividade da experiência humana.

Ainda assim, persiste a necessidade premente do método, larga conquista da Ciência, a impor a demonstração do fenômeno antes de aceitá-lo qual definição de uma verdade conclusiva.

Porém negar, por si só, é insuficiente a provar a impossibilidade, conquanto conhecesse unicamente uma face do poliedro infinito nas normas do Universo. E negar, apenas negar, em minuto algum oferece inviolabilidade aos conhecimentos científicos, também humanos, aferidos através dos mesmos elementos que pretendem contradizer a imponderabilidade.

Ao afirmar seu absoluto desconhecimento (Sei que nada sei), o filósofo Sócrates testemunha     a insuficiência da percepção diante do Tudo magnânimo da Natureza. O puro raciocínio, raiz do pensamento, estabelece bases relativas ao que o ser humano sustenta de certeza perante o Cosmos. Enquanto isto, outros fatores de compreensão existem que propiciam navegação noutras dimensões, às quais se nega foro absoluto face à subjetividade, a percepção através dos sentimentos, das emoções, dos sonhos, visões que pouco requer da participação dos sentidos materiais.

Todavia há quem afirme que se diz o que pensa que está dizendo, e que o outro ouve o que pensa que está ouvindo, deixando, destarte, a percepção definitiva de tudo quanto há, numa margem de profundidade que afirma a clareza das palavras do filósofo grego que citamos, no mundo particular de cada um.

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