09 abril 2022

Há um ser que somos nós - Por: Emerson Monteiro


Indivíduo. Indivisível. Num só ser. Vago silêncio de esplendoroso mistério, conduzimos tal espectro vidas afora adiando segredo da maior revelação. Do agora pelas longas noites de reconhecimento de este ser que nós somos hoje. Ele que esquisita dos escombros, que vai largando restos de sobejos pelas encostas dos monumentos forjados nas batalhas do passado esquecido. Pedaços de si que pertencerão para sempre ao mesmo ente que o elaborou de dentro desse eco infinito das próprias sombras. Olhos fixos não sabem aonde, permanece único elemento possível de referência diante de tudo. Amargurada solidão. Dorme vadio nos sonhos dos abismos da consciência, que amadurece nos erros e desprende crostas nos incêndios e nas dores em que a isso reverte sempre, perante a justiça das circunstâncias que virão logo depois. Erros. Acertos. O que de real existe durante todo tempo, ser este que em nós avistamos, no espelho das existências pessoais. A quem representamos, nesse teatro de viver, senão a si mesmo, valor de vaidades e desesperos, presença e ausência que acende e apaga nas miragens da história, que nada mais significa do que o jeito de ver os acontecimentos detrás do longe que vem perto, de sequenciá-lo ao testemunho da alma que fala de um lugar lá nas profundezas do que ainda desconhece. Enquanto isso, tropeça nas pernas e caí sobre a lama do único sangue que derramou. Todos e um só. Valores. Pudores. Amores.

Dotados desses poderes além do conhecimento, no ardor da sabedoria ainda adormecida nas entranhas, mergulha nos desejos e desaparece face aos menores argumentos da matéria  que desmancha na busca das outras vidas que vêm. Escondido debaixo das sete capas do destino de suas mesmas ações, desprende nas ilusões derradeiros equívocos, qual prisioneiro de gestos que ainda ignora, por mais algum espaço de eternidade ao sabor das sementes que ora seja. Porém às luzes da perfeição a si segue de perto, pastor da fera que logo ali conciliará consigo os humores da sombra que transporta e iluminará os céus da tanta claridade que já carrega no âmago da alma. Por ser indivisível, apenas vive essa intenção de achar a paz, o que quanto busca, a isso veio, nas folhas do coração, na fresta do existir definitivo que é.

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