28 fevereiro 2022

Eventual sucessor do Trono do Brasil, Dom Rafael de Orleans e Bragança, participa de ajuda às vítimas das chuvas de Petrópolis

   

No domingo, dia 20 de fevereiro, em nome do Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, seu dileto sobrinho e eventual sucessor dinástico, o Príncipe Dom Rafael de Orleans e Bragança, participou, na Paróquia São José da Lagoa, no Rio de Janeiro, do envio de donativos àqueles que vêm sofrendo em função das fortes chuvas que recentemente atingiram Petrópolis, na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro. A arrecadação foi feita por beneméritos monarquistas cariocas.

   Ato contínuo, durante a Santa Missa, celebrada pelo Vigário daquela Freguesia, Pe. Marcus Vinícius Brito de Macedo, o Príncipe rogou a Deus Nosso Senhor pelo descanso eterno da alma dos falecidos na tragédia, o consolo de seus familiares e o alento dos desabrigados. Naturalmente, a Família Imperial Brasileira nutre profunda afeição por Petrópolis, fundada pelo Imperador Dom Pedro II em 1843. Ademais, Dom Rafael foi criado na Cidade Imperial, sendo, portanto, um petropolitano de coração.

    Uma das grandes preocupações da Realeza autêntica é o bem estar de seu povo. Por isso, dedica-se não somente a orientá-lo quanto ao modo de trabalhar ou produzir, mas também o assiste em todas as necessidades, praticando assim uma das exigências do Cristianismo, que é a caridade.


(Fonte: Facebook do Pró Monarquia)




A Perspicácia e a sinceridade da Princesa Isabel durante a última regência (*)


    A Princesa Imperial Regente do Brasil, Dona Isabel de Bragança, insistia com o Presidente do Conselho de Ministros, Barão de Cotegipe, para que o Governo assumisse uma posição mais decidida na questão da Abolição, sem o que sua força moral cada vez mais se perdia.

   Cotegipe aconselhou Dona Isabel a manter-se neutra, “como a Rainha Vitória”, em uma disputa que dividia tão profundamente o Partido Conservador e o Partido Liberal.

A Princesa, entretanto, retorquiu:
– Mas eu tenho o direito de manifestar-me, e a Rainha Vitória é justamente acusada por sua neutralidade, prejudicial aos interesses da Inglaterra.


(*) Publicado originalmente no Facebook da Pró Monarquia. Fonte:Leopoldo Bibiano Xavier no livro "Revivendo o Brasil-Império". 1º edição. São Paulo: Artpress, 1991, p. 165.


24 de Fevereiro é dia de Nossa Senhora: símbolo perfeito da confiança em Deus (*)

 

   Interessante é a história desta devoção, uma vez que a Mãe de Deus é o símbolo mais perfeito da confiança em Deus. É o modelo completo das virtudes a serem seguidas por todos os cristãos que desejam alcançar a santidade e salvação em Cristo, na vida eterna.

   Abadessa do mosteiro da cidade de Todi, na Itália, Irmã Clara Isabel deixou suas experiências registradas no livro “Relações místicas”, conservado nesse mosteiro desde a sua morte, em 1744. O livro mostra sua forte devoção pela Virgem e cita os numerosos prodígios atribuídos à sagrada imagem do quadro de Maria com o Menino Jesus, venerado por ela em sua cela. A vigorosa fé na Mãe de Deus e os dons místicos da religiosa propagaram entre a população local a invocação de Nossa Senhora da Confiança.

   A invocação de Nossa Senhora da Confiança foi introduzida na Igreja no século XVII, por uma mística católica chamada Irmã Clara Isabel Fomari, ingressou para a vida religiosa orientada por seu confessor, o jesuíta padre Crivelli.

   Em 1781, o sagrado quadro saiu do mosteiro de São Francisco, em Todi, atendendo ao pedido do sobrinho do padre Crivelli, também jesuíta. Padecendo de gravíssima enfermidade, ele desejou se penitenciar diante da imagem de Nossa Senhora da Confiança, cuja devoção seu tio lhe transmitira. Ele se curou e, em agradecimento, mandou fazer uma cópia exata do quadro de sua celestial benfeitora.

   A cópia da imagem o acompanhou a Roma, quando foi designado diretor espiritual para o Colégio Germânico que foi sede, por longo período, do Pontifício Seminário Romano Maior, centro da divulgação da devoção de Nossa Senhora da Confiança, eleita padroeira do Seminário.

   A sede definitiva do Seminário ficou pronta em 1917 e a nova capela foi dedicada à celestial padroeira. O Papa Bento XV, nessa solene ocasião, coroou Nossa Senhora da Confiança. confirmando canonicamente seu título e o dia de sua festa, em 24 de fevereiro.

Oração
Ó Maria! Em vossas mãos ponho esta súplica (pede-se): abençoai-a e depois apresentai-a a Jesus; fazei valer o vosso amor de Mãe e o vosso poder de Rainha. Ó Maria! Eu conto com o vosso auxílio. Confio em vosso poder. Entrego-me a vossa vontade. Estou seguro (a) de vossa misericórdia. Ó Mãe de Deus e minha, Rogai por mim. Nossa Senhora da Confiança, Rogai por nós, que recorremos a Vós!

      ***   ***   ***

(*) Matéria publicada no site: https://www.a12.com/academia/titulos-de-nossa-senhora?s=nossa-senhora-simbolo-perfeito-da-confianca-em-deus)

27 fevereiro 2022

O Sol numa gota de orvalho - Por: Emerson Monteiro


Toda a intensidade da Luz numa mínima fagulha, a força de tudo numa pequena parte do todo. Bem assim a natureza. A lei que rege o Universo habita, pois, a fração de tudo quanto há. Disso também somos parte e um todo mais. Conquanto seja único o sistema universal, dentro dele aqui estamos diante do tempo. O Tempo e vida sendo a mesma ideia de ser, isso que caracteriza o suficiente a sabermos que nos vemos submetidos ao processo natural que movimenta o mundo em que vivemos. Ninguém é uma ilha, porquanto circunscritos a esse deslocamento de ações a que nos vemos submetidos durante o fluir dessa ordem; quedamo-nos suficientes até então, quando aceitamos o nosso grau de comprometimento.

Vê-se suficientemente esse nível de inter-relação desde os mínimos detalhes, por exemplo, quando numa simples gota de orvalho o Sol reflete toda sua luminosidade. Do jeito que as palavras alimentam a função do texto e traz de volta o que desejamos ter na forma de sentido, desse modo as palhas que o vento desloca aos céus bem significam o senso da compreensão. Daí, com o mínimo esforço, lembramos Jesus a dizer que somos deuses e não o sabemos. E São Paulo a considerar que não é ele quem vive, mas o Cristo que vive nele.

No que diz respeito às razões de existir nesse mar de circunstâncias, participamos do grande Todo só em viver, estar neste chão. Importa menos que saibamos e mais que já o somos na verdade. As explicações machucam o juízo das populações no transcorrer das eras, sem, no entanto, gerar o suficiente e ainda definir com clareza, no nosso conhecimento, a existência de Deus, que nem de longe o intelecto pode ainda alcançá-Lo, se não a Consciência através dos sentimentos. Deus, o amor maior do quanto existe e existirá sempre, o Sol e a intensidade inextinguível da Luz na alma da gente.

 

25 fevereiro 2022

Eu e minhas escolhas - Por: Emerson Monteiro


Na face das circunstâncias, este ser que somos padece nas marcas de viver. Fagulhas ao vento, revira nas situações em uma espécie de calvário diante de tudo quanto defronta e sustenta, ainda que seja individualidade em choque nas unhas do constante desaparecimento. Mas tem que viver, continuar, apesar do que encontre nas horas. Ao sabor, por isso, dos embates, necessita sair inteiro e tocar adiante o barco onde navega. São por demais percursos longos ou breves, no entanto inevitáveis na pauta dos destinos.

Vemos isso a qualquer momento, da gente com a gente mesma. Resistir a todo custo processos do aperfeiçoamento individual. Foram dotes guardados de outras práticas lá de longe, porém que traziam o sinete do seu autor que nós somos. Temos de responder, não importa quanto de custo haja de pagar. E sentimos claramente o peso daquelas malquerenças do pretérito, nisto vítimas de nós próprios nos tribunais das vivências. Respondemos pouco a pouco, feitos senhores daquilo que antes fizemos, e erramos.

Esse dever de continuar assinala com força o modo de seguir a trilha da existência, sem alternativa além de aceitar de bom grado as cicatrizes deixadas nos outros. Forte bênção resgatar o que deixamos atrás na caminhada. Nesse momento do acerto, paciência e resignação, exercício de perfeição. Quem viver verá o que plantou, seja de que qualidade forem as sementes. Há que responder, porquanto o que equilibra o Universo vem da exatidão dessa justiça maior.

Durante todo tempo, a história faculta-nos esse poder de prosseguir pelas práticas e vivências, através das maravilhas da Natureza, filha dileta do Poder soberano. Quais duendes imortais, as cenas e as paisagens ora habitam dentro da gente por ser a própria essência de Si, espelhos aonde virão refletidas as ações da evoluçao tão logo compreendamos o Ser real que já transportamos no íntimo.


24 fevereiro 2022

Leituras - Por: Emerson Monteiro


Houve um tempo quando coisas inesperadas complicavam o meio do campo da impaciência angustiosa que instinto selvagem parecia querer jogar fora a canga e destruir de qualquer jeito os quebra-mares estabelecidos nos sistemas de defesa. Comodidades vaidosas atiravam tudo para o ar, e acendia dentro de mim fome cruel de romper o ferro dos laços da organização pessoal, no sabor dos caprichos que aparecessem à porta principal. Com isso, contrariava fácil o ditame das regularidades, invadia outras praias, feria suscetibilidades, a começar pela saúde interna do respeito aos prospectos guardados meses a fio, na malha do esforço consistente.

Não queria aceitar que mesmo no calor dos testes necessários habitasse o mistério do drama secular das permanências e conquistas cotidianas. Perdia, a bem dizer, o senso do tanto das melhores partes, porque desistia de pagar o preço de acumular a poupança da paz, naqueles momentos de chegar aos limites e merecer resultados produtivos, lições que a vida traz aos seres sobreviventes, livres da discriminação de raça, credo, cor, sexo, idade, partido, time, filosofia, indo, nesse prumo, justificar lá adiante o querer sem a comprovação da resistência, azeite doce da hora de receber o que se ganha com esmero e qualidade.

Já hoje, talvez isso o que denominam experiência, descubro faceiro que inexiste vitória sem a luta correspondente. Noites insones, dúvidas, opiniões, renúncia. Bajulação perde a força no que tange ao valor real das sementes verdadeiras. Ninguém, de insana consciência, que aguarde pacote pronto dos reservos do destino, usufrui da mera credulidade indecorosa, insuficiente, que alimentou. Pode até, nas horas vagas, parece que ganhou qualquer lance, porém o custo da incúria corre solto atrás dos presságios alvissareiros da inércia.

Apresentou-se o desafio, logo em seguida, fruto daquela árvore imensa, crescem, no lodo e no tempo, as perguntas da justiça do merecimento. A cada um conforme seu mérito, porquanto a Natureza trabalha à base de leis matemáticas, soberanas, longe de peixadas sociais dos mundos tortos.

Quase uma mensagem cifrada indica: ou plantou ontem ou haverá de plantar agora, caso pretenda dispor de resultados sonhados para o futuro. Há normas equitativas, independente de que funcione ao passo da individualidade pretensiosa, luxenta, da própria barriga.

Depois de muito forcejar as barras da inconsequência, nenhum vento leve conduz aos segredos universais só por conta dos belos olhos.

Há batalhas pela frente antes da vitória. Luzes das doutrinas humanas caem aos primeiros acordes do dia, residência fiel da balança que estabelece princípios firmes.

O acaso de dados ao vento passa longe do Santo Graal, no passo dos peregrinos. E suportar espinhos permite a maciez da rosa mais perfeita.

A Desatadora dos Nós, de Isis Penido – por José Luís Lira (*)

   Maria, a Mãe de Deus e nossa, é Senhora de muitos afetos, muitos títulos. Pertenço, por nascimento, a uma Paróquia dedicada à Nossa Senhora dos Prazeres. Sou paroquiano de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da Diocese de Sobral. Indo à sede da nossa Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém – Lugar-Tenência do Rio de Janeiro, recebi de presente da estimada amiga Lugar-Tenente, Dama de Comenda com Placa Isis Penido, o livro “Desatadora dos Nós: História da construção da Capela de Búzios”, de sua autoria. São Paulo: Ed. MM, 2020, 120 páginas. Uma pequena joia.

   O título de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, surgiu entre 1699 e 1701, com uma pintura do artista alemão Johann Schmidtner, de 1,1 metro de largura por 1,82 metros de altura e encontra-se na capela de St. Peter am Perlach, em Augsburgo, Alemanha. O então Cardeal Bergoglio, hoje Papa Francisco, levou para a Argentina a devoção e o Santo Padre é devoto da Desatadora!

   Dedicatória especial é feita por Isis Penido a seu falecido marido, Paulo Penido, que retornou à Casa do Pai quando ela finalizava o trabalho. Paulo, diz a autora, foi o grande incentivador da obra.

   Abrindo o livro, o jornalista Eduardo Mattos, também autor de um livro sobre a mesma invocação de Maria, em apresentação, conclui dizendo que “O livro que você tem em mãos é muito mais do que este documento que Isis Penido sonhava fazer – e fez. É a inspiração para aqueles que buscam a fé incondicional”. 

   Dom Rafael Llano Cifuentes, bispo emérito de Nova Friburgo, falecido em 2017, inicia o prefácio destacando a afluência de cerca de 1,3 milhão de peregrinos evidenciando o quão “foi providencial a iniciativa de Isis Penido de construir, em Geribá, na cidade de Búzios, Estado do Rio de Janeiro, a primeira capela do mundo inteiramente dedicada à devoção de Nossa Senhora Desatadora dos Nós”. Diz-nos, ainda, que a Desatadora dos Nós “talvez tenha sido inspirada pelo pensamento de Santo Irineu: ‘O nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria’”.

   Na introdução o Pe. Ricardo Whyte confessa que até um domingo de janeiro de 2001 não ouvira falar na devoção à Desatadora dos Nós, quando Isis Penido o procurou para pedir para um espaço dentro da Igreja de Santa Rita de Cássia para colocar uma imagem da Virgem.

   A autora afirma: “olhando para trás, tenho a certeza de que tudo na vida é obra de fé, da confiança e da perseverança. Prova disto é esta Capela, um sonho que plantei e floresceu no jardim de Santa Rita”.
   Seguem-se 23 capítulos nos quais lemos, entre outras preciosas informações, o sonho da autora em dedicar uma capela a Nossa Senhora Desatadora dos Nós, a realização deste sonho, a doação do patrimônio à Igreja, o pátio dos [inúmeros] milagres, a história bíblica de nós desatados, o nascimento da devoção, a imagem e seus 11 símbolos, a Desatadora no mundo, a fórmula da novena com reflexões e muito mais.

   Nos anexos temos as palavras do Pe. Marco Túlio de Castro Carvalho, do Cônego Jorge Luís Neves, nosso amado Cavaleiro Presbítero Pe. Jorjão, e da Dama de Comenda da OESSJ-RJ Dulce Pugliese que testemunha: “A Capela, que emana a luz da divindade, contribui de maneira ímpar para a espiritualidade de Búzios, um lugar abençoado por Deus de muitas maneiras”.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


23 fevereiro 2022

Falo nisso algumas vezes - Por: Emerson Monteiro

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.. Nessas andanças nas ruas, que mais são senão viagens por dentro da gente. Ali nas casas, nas calçadas, nos jardins, e aquelas pessoas que preencheram o passado desse rio claro das horas intermitentes. Quase que com elas voltamos a conversar, a sorrir, retalhos do tempo que vagam feitos folhas secas, nuvens que deslizam lá longe nesse espaço imortal que bem significa as memórias engasgadas dos nossos sentimentos, saudades frívolas de outros espetáculos deixados lá fora quando sumíamos pelas entranhas dessas visões insólitas que custamos compreender que se foram de vez. Bem assim vivem as pessoas. Reúnem momentos e os guardam não sabem onde, porém que elas insistem regressar intensos de dentro dos alforjes que lhes transportam a outras dimensões e cidades.

Sinto isso ao caminhar pelas ruas às caladas dos dias, longe daqueles que sumiram no abismo da presença e seguem soltos na imaginação incansável das outras criaturas humanas. De certeza ficaram impregnados nas mechas da eterna continuação de tudo o que persiste no íntimo das gentes, mesmo que correr não tem aonde. Muitos, multidões, desses personagens sempre ali nas esquinas, de olhos postos no futuro daquilo que transportavam no coração. Apenas significaram esse passado do que jamais existiria. Mergulharam às avessas nas somas do que deixaram nesse para sempre que agora posso colher descompassadamente, nas pisadas do sentimento vivo que sou.

Foram, pois, horas, dias, visões que esmagam de ausência o desejo forte de que nunca houvessem desaparecido. Luas, sóis, estrelas, infinitos, numa velocidade estonteante do movimento que ferve nos olhares vazios, horizonte de visagens e lugares. Eles todos hão de voltar lá certa vez e fazer de tudo isto uma felicidade única, justificativa de andar nas veredas misteriosas da humana solidão. Razões do que existe tais vultos do teatro das histórias que sustentaram durante seus sonhos, do quanto vislumbraram tantas vezes de chegar um dia na alma de um mesmo corpo e ao corpo das mesmas almas, no jamais deixaremos de sonhar, â busca de igual consciência de ser.

(Ilustração: Grato antigo, Rua Miguel Limaverde).

22 fevereiro 2022

O território livre dos sonhos - Por: Emerson Monteiro


São marcas profundas largadas no abismo das noites, a impor condições de compreender o mistério íntimo de existir. Vêm de longe, das quebradas de dentro do sono, e trazem respostas, e mostram o futuro. Lições claras da gente com a gente mesma, eles revelam os segredos monumentais por vezes aguardados de séculos. Oferecem respostas aos enigmas da Criação nos que disso buscam conhecer. Esse universo, um outro, mora, pois, na essência do ser lá onde habitamos pelos infinitos desconhecidos. Nalgumas horas, meras fantasias destituídas de sentido. Noutras, filmes claros daquilo que queremos descobrir. Eles, os sonhos, credos definitivos das almas em contrição.

De tanto esperar, esse dia lá certa feita chega aos sussurros no tanto do que precisávamos do seguimento das vidas. Revelações tonitruantes, acalmam, emudecem dúvidas e determinam destinos. Eles, os sonhos.

Quando acordamos, assim como a luz não dobra esquinas, queremos lembrar os sonhos, mas eles teimosamente se perdem na bruma das memórias apagadas e fogem quais entes sombrios encapuzados. Disfarçam seus conteúdos e nos abandonam, feitos amigos só de véspera. Quanto mais corremos à sua procura, mais desaparecem, fantasmas insistentes de sustentar em sigilo aquilo que há pouco revelaram. Carl G. Jung orienta que devemos escrever logo na hora os sonhos, que daí virá o hábito de lembrá-los com frequência.

Existem os sonhos menores, ligados ao dia-a-dia das preocupações da rotina, quais fragmentos de tempo recente. Porém existem os sonhos maiores, os espirituais, que cuidam de transmitir largas notícias de outros planos, que auxiliam na interpretação dos sentimentos e das verdadeiras emoções, dos planos além da carne, a demonstrar inéditos conteúdos até então desconhecidos.

Esses são os sonhos fundamentais, os que merecem atenção e respeito, no crescendo da evolução individual. Portas abertas à compreensão da sacralidade, neles decodificamos os valores principais de tudo que nos faz tocar adiante e dar o sentido de tudo quanto há.

21 fevereiro 2022

Instinto carnavalesco dos humanos - Por: Emerson Monteiro


A disposição que persiste durante todo esse tempo, desde quando chegaram as primeiras manifestações carnavalescas na sociedade, significa o aspecto escuro da personalidade que vem à tona, lá onde conflitam negatividade e positividade. Símbolo da ilusão dos instintos, as festas carnavalescas caracterizam por demais a expansão do desejo e liberação de valores negativos da criatura humana. Espécie de catarse coletiva, os grupamentos sociais esbanjam descompromisso e despejam propensões ao lado sombrio que transportam, isso numa individualidade liberada a nível comunitário. Carregam consigo a dualidade característica da carne e, enquanto não a dominarem, se veem na condição de expandir sem censura, nem que seja nalguns dias do ano, a força negativa desses valores os quais defrontam durante meses.

Assim, as coletividades adotam comportamentos de exteriorização de aspectos da personalidade individual que sejam vivenciados e presenciados em grupo, na intenção de buscar saturação e expansão da presença da matéria na própria constituição de si mesmo, mesmo que custe marcas profundas de dores e irresponsabilidade.

Qual tudo, afinal, aquela festa, que denominaram o festival da carne, também impõe condições de saturação ao espírito, que precisa vencer o lado negativo de si e lá um dia conciliar respostas positivas durante o processo da evolução das pessoas.

...

Neste ano de 2022, perante o surto pandêmico de virose mundial, as autoridades vêm tendo a orientação de evitar as práticas dessa tradição, sobretudo no Brasil, país em que a festa possui maior manifestação. Dentre as mudanças que aconteceram depois do aparecimento da pandemia do Covid-19, há modificações em cheio no calendário turístico nacional e condiciona os costumes em todo lugar. Desse modo, quase que por encanto, desaparecem os desfiles, as fantasias, as festas de rua, de clubes, refreando viagens, gastos e lucros de muitos, sobremodo nas grandes cidades.

Em situação imprevisível, a bem dizer, a humanidade atravessa fase de reconsideração de um tanto dos costumes antes tradicionais das coletividades; isso de suspender as festas do Carnaval, com ênfase nos países católicos, é um exemplo, vez que ocorre quarenta dias antes da Semana Santa.

Daqui adiante, ao que indicam os novos comportamentos praticados, existirá acontecimentos radicais dos modos e práticas sociais, porquanto a Natureza determina, pois, maiores atenções aos excessos e indiferenças que até recentemente pareciam fazer daquilo que dizia respeito ao desconhecimento de suas leis as quais a Ciência ainda está longe de conhecê-las por inteiro.

(Ilustração: Brueguel, o Velho, A luta entre o Carnaval e a Quaresma).

20 fevereiro 2022

Crônica do domingo -- A imagem histórica de Nossa Senhora da Penha, voltou à Catedral ontem – por Armando Lopes Rafael

 


   Na tarde deste 19 de fevereiro de 2022, antecedendo ao início da solenidade de posse de Dom Magnus Henrique Lopes, como 7º Bispo de Crato, a segunda imagem de Nossa Senhora da Penha, venerada pela população cratense, deu entrada – solenemente – na catedral a Ela dedicada.

    Interessantíssima a história desta imagem. Conforme artigo publicado na “Revista Dom Vital– nº de agosto/setembro de 1955, sob o título “Resumo Histórico”, nas páginas 7/8, consta a origem da imagem ora venerada em Crato. A conferir.

  "A versão geral acerca dessa prodigiosa imagem, é que ela foi trazida para Pernambuco por cinco missionários capuchinhos, que se dirigiam para a Guiné e foram, no litoral africano em 1641, atacados e presos pelos corsários holandeses, calvinistas que infestavam aquelas águas. Os missionários foram mui maltratados pelos corsários e, por fim, entregues aos holandeses que dominavam Pernambuco. Esta tradição geral, que bem desposa a história dos novos missionários, apresados nos galeões espanhóis, quando rumavam para a Guiné, explica-se facilmente porque os missionários puderam conservar consigo o precioso tesouro, que intentavam levar às tribos africanas, qual estrela de salvação, e ao invés veio para terras pernambucanas. Os corsários holandeses apresavam para levar à sede, Pernambuco: o interesse exigia-lhes que respeitassem a presa, ainda que não condissesse com suas crenças"

   "A preciosa imagem de Nossa Senhora da Penha, que fora respeitada pelos próprios hereges, tornou-se a santa de preferência do povo pernambucano, que lhe ergueu um majestoso templo. O culto da mesma Senhora fez com que se obliterasse o título da Capela que a acolheu em 1641, a qual estava dedicada ao Divino Espírito Santo, e que passou a chamar-se “capela” e depois “Igreja da Penha”. A pequena imagem dos franceses foi em 1745, por Frei Carlos de Spezia substituída pela atual, feita em Gênova, modelada pela antiga”. (...) 

***   ***   ***

   A antiga imagem da Virgem da Penha foi então doada, por Frei Carlos de Spezia, à Missão do Miranda (origem de Crato) e aí recebida – em 1745 – por Frei Carlos Maria de Ferrara. Portanto, há 277 anos, a imagem da Mãe da Penha é venerada pelos cratenses. Hoje essa imagem histórica percorre as ruas de Crato na  procissão anual do dia 1º de setembro, e é introduzida na Catedral em dias de grandes festividades, como aconteceu ontem, na posse de Dom Magnus.

Sobre a imagem

"Esculpida em madeira, medindo 0,88m de altura, colocada sobre uma penha de 0,14m (figurando uma rocha) tudo talhado num mesmo tronco, a Virgem da Penha se apresenta segurando o Menino-Jesus no braço esquerdo e empunhando na destra um cetro. Sua fisionomia é serena e séria, o que lhe dá um porte majestoso e tranquilo, de cativante simpatia. Esta imagem não se constitui somente numa valorosa relíquia, é também uma autêntica obra de arte".                                                                              (LÓSSIO, Mons. Rubens Gondim. Artigo “Nossa Senhora da Penha de França, Padroeira do Crato” Revista “Itaytera”, ano VI, nº VI, órgão do Instituto Cultural do Cariri. Tipografia A Ação, Crato (CE) 1961).

(*) Armando Lopes Rafael, sócio do Instituto Cultural do Cariri e Membro Correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris de Salvador (BA).

19 fevereiro 2022

Arte moderna - Por: Emerson Monteiro


O século XX renovou as possibilidades da expressão artística, quebrando de uma vez por todas com a tradição de que apenas houvesse jeito único de se perceber a realidade. Por causa disso, o indivíduo médio pôde externar com independência seu jeito de mundo sob padrões estéticos livres da camisa-de-força que predominava na arte mundial até aquela data.

Essa conquista de expressão rompeu as rédeas do conformismo e trouxe alternativas ao gosto clássico e à comunicação. Nos campos da pintura, por exemplo, os criadores das obras impressionistas forçaram e conseguiram impor, na tela, outras figurações, usando de técnicas inéditas de representar a imagem real.

Aquilo de copiar a forma tridimensional do espaço transferiu-se às mãos de fotógrafos e cineastas, por força dos meios técnicos recentes. Enquanto que, ao talento dos pintores, coube o rompimento das barreiras do  visível infinito.

Nesse período, as duas grandes guerras reviraram pelo avesso os dogmas da cultura, sobretudo na Europa. Desestabilizaram do poder a senhora vaidade, dona absoluta das leis do cotidiano. Viam-se, pois, perdidos a perenidade e o insustentável que prevalecera durante largos séculos.

Tal estilo transformador de reinventar o olho levou os artistas a conquistar territórios inimagináveis, na história da beleza representada.

Todavia, por conta dos acontecimentos dessa primeira metade de século, afloravam os mais diversos confrontos de opinião. Reações contrárias às aquisições da estética explodiam em quantidade, nos salões e nas ruas.

Grandes mestres da pintura, quais Salvador Dali, Picasso, Van Gogh, Gauguin, Renoir, Modigliani, dentre outros, amarguraram penas dolorosas, no afã de mostrar as suas conquistas ao grande público.

A propósito desse clima estabelecido, registrou Stephen Nachmanovitch, no seu livro Ser Criativo, incidente verificado, certa vez, numa viagem de trem, quando cidadão francês reconheceu, no passageiro ao lado, nada menos do que o célebre pintor Pablo Picasso, responsável por inúmeras produções bem características da época revolucionária.

No instinto de aproveitar da oportunidade, o viajante principiou a resmungar e dizer o que bem pensava da arte moderna. Mostrava-se impiedoso quanto à forma dela representar a realidade. Que não dispunha de precisão, de fidelidade naquilo a que se propunha.

Nessa hora, paciente, o pintor espanhol reagiu para indagar do homem o que ele considerava ser “uma representação fiel da realidade”.

Na mesma hora, o interlocutor sacou da carteira uma fotografia da própria esposa e indicou:

- Eis aqui. Isto é o que considero “uma imagem real”.

Picasso segurou a foto, analisou-a de vários ângulos... Frente, verso, lado... Por fim argumentando:

- Mas como a sua mulher é pequena! E, acima de tudo, chata, posso, com certeza, concluir – daí, então, devolveu ao parceiro sua fotografia e o silêncio de novo fez-se presente no lugar.

(Ilustração: Pablo Picasso, Paisagem do Mediterrâneo).

17 fevereiro 2022

Esse eu que não se escreve - Por: Emerson Monteiro


Aos pedaços, pois, juntamos o senso comum e transformamos em palavras, frases, pensamentos, enquanto o mundo real traspassa a alma e parecemos desconhecer completamente a impossibilidade que temos de fazer desses gestos histórias contadas aos pedaços. São luzeiros os quais insistimos transmitir aos que andam pelos mesmos momentos que a gente, pura intenção de romper as barreiras solitárias dessa cápsula que ocupamos durante alguns lapsos, fugitivos da realidade maior que nos envolve no seu manto tenebroso de momentos fugidios e fases de lua. Nisso transferimos ao leu a vontade imensa de querer dominar o presente e fazer dele algo de outro significado além do que tantos falam e poucos escutam através de literatura, mãe do silêncio absoluto nas bibliotecas largadas ao escuro de prédios imensos, solitários, abandonados.

Isto desse impulso que persistirá depois de todos de agora terem sumido na escuridão das horas que se vão numa velocidade constante. Máquinas de permanecer dentro de si, os humanos transferem à sorte o dever de achar o destino a que vieram. Dormem sobre pedras e fiam o cordão do Infinito com fiapos nascidos nas dores do coração. Padecem da ânsia incontida de permanecer naquilo que nem sabem ainda a que vieram.

Horas a fio, portanto, o texto desliza qual rio de gestos de um eu que nunca desiste de continuar intacto durante as marchas das estações, séculos de consciências esquecidas. Ferem florestas inteiras da ausência, pelejando fixar sementes inesperadas de saudade, sonhos de esperança, quase que também desconhecendo o que sejam, mas que nunca desistem de refazer os planos de salvação que carregam consigo neste mar da vontade sem limite de adormecer nos braços da Eternidade quais seres definitivos que tanto buscaram ser, nas páginas livres dessas histórias que quiseram contar e que lhes escaparam das mãos. Só um laivo de certeza, no entanto, sobrevive na boca seca dos que alimentam a existência que vive para sempre nas entranhas e nos pensamentos.


14 fevereiro 2022

A força dos sentimentos bons - Por: Emerson Monteiro


O impacto de deparar o tempo requer estruturas metálicas de largo poder de resistência. Comumente a gente passa pelas pessoas quais objetos em circulação nas ruas, roteiros dos outros, sem nem de longe considerar serem todos viventes no mesmo chão, peças dos mesmos quebra-cabeças, atores dos dramas e das lutas gerais. E somos quase indiferentes àquelas vidas que cruzam conosco transportando dores até bem mais pungentes. Eles, nós, esses viajantes das eras aqui ao lado, rumo dos mares desconhecidos da existência.

Isso requer alguma definição, atenção a nós próprios, presas que somos de igual itinerário. Quer-se fugir desse existencialismo da condição humana, longe, contudo, dos aplausos do fascínio, porquanto estamos aqui presas da matéria e zumbis de uma eterna felicidade. Querer e poder, duas paralelas que irão se encontram lá adiante. Vencer o marasmo das situações e viver a beleza dos mistérios do onde um dia também procedemos.

Nessa hora vem à tona o anseio de encontrar fórmulas de responder ao desafio de achar a paz no coração da gente. Sintonizar com os veios de tranquilidade e repousar no seio da mãe Natureza. Praticar as leis do pensamento e achar as trilhas do sentimento. Amar, acima de tudo. Brilhar diante do que os místicos dão notícia e exerceram com fidelidade. Desvendar os parâmetros da consciência e desenvolver a esperança e a fé, acima de tudo quanto difícil assim pareça ser chegar ao teto dos destinos.

Bom, acertar o foco de nós mesmos e depois dos embates sermos felizes. Elaborar dentro da alma os motivos que têm os pássaros de exercitar o canto e das flores iluminar os caminhos. Aceitar as limitações a vencer e vencer. Palmilhar os céus da paciência e praticar a humildade, qual dizem os heróis da sobrevivência durante suas longas noites de que sempre saíram vitoriosos. Isto que mora no coração e traz de volta as alegrias da tão sonhada Paz. 

12 fevereiro 2022

Clamor desnecessário - Por: Emerson Monteiro


Cobrem-se de ofensas uns aos outros por causa de enternecedoras injustiças, sem saber que, para eles, já justiça se fez.
Saint Exupéry

 As tais agonias da Civilização, pelas quais sucessivamente passarão todos que virão seguindo após os desmanches das tantas lendas. Quer-se revelar o que jamais possível seja longe nas atitudes de paz e sentimento puro, porquanto, o transcorrer das luas, nisto a justiça acontece e justiça determina os passos posteriores desse drama dos humanos. Nalgumas ocasiões, os desatinos impõem respostas a que poucos, ou nenhum, presenciam, face à ingenuidade dos tempos sem fim, amém. Isto de querer a si o merecimento da história, porém, que a ela impera uma natureza desconhecida na multidão dos valores e interesses mundanos em jogo.

Há de haver isto de compreensão, antes de sumirem no precipício das eras. Força descomunal define, pois, o Poder na tranquilidade das circunstâncias, independente da opinião de quem quer que seja, que somos nós esses errantes, nas trilhas da solidão. O brilho fosco do deserto fere nossas vistas e determina senso só de alguns, talvez. Enquanto a caravana segue sua jornada perdida, sobram as ilusões. Vaqueiros da própria consciência, tangem na alma rebanhos de inutilidades, angústia de perdição que ora carregam no peito.

Isto de querer desvendar o segredo pelos caminhos errantes, assim desliza a longa fieira das humanidades vidas afora. Alimentam a fome do impossível e olham uns aos outros quais exóticos seres até então desconhecidos na essência dos séculos. Tais notas de canção inexistente nas asas do vento, nem a si ainda conhecem, como aos outros reconhecerem? E sofrem diante disso, vítimas das mesmas dúvidas que lhes arrastam, pelas eternidades adentro.

Bom, estrelas cruzam os céus, e aqui vamos nós à busca do sentido nas sombras flagrantes da inanição que, desde sempre, nos cabe revelar à criatura que já somos sem, contudo, admitir.

  

11 fevereiro 2022

Um ser positivo - Por: Emerson Monteiro


Tais espectros de outras dimensões, vêm seres que indicam práticas que não só o egoísmo dominante ainda agora na face do Planeta. Preciso será que criemos essas respostas positivas perante as histórias individuais que vivemos agora. Ninguém por si modificará esse universo pequeno das preocupações atuais da sociedade só no instinto sem prática da pura virtude. Entretanto cabe iniciar as providências que irão confirmar a finalidade humana, aqui missionários de outras praias. Pouco a pouco se observará nas situações reais os  meios outros de acalmar as ansiedades e produzir métodos que acrescentem vontade aos que desejam o bem acima de tudo.

Depois de tantas batalhas das circunstâncias gerais, que outra ação senão erguer os olhos e buscar condições de renovar a face da Terra na face da nossa gente. Muitas multidões de atitudes apressadas caracterizam em demasia as modificações apressadas dessa natureza onde mourejamos. Sei que existem os heróis anônimos, pois são eles que mantêm o andamento dos dias. Sei dos autores desconhecidos da transformação que nunca largam de lado a intensidade que alimentam de encontrar um jeito diferente e bom de vencer as agruras e seguir rumo aos dias de pura paz. Não fossem eles de há muito que sumiriam as esperanças num porvir radiante. Contudo, enquanto isto, dentro de cada ser vaga solta a decisão dalgumas fórmulas novas de viver com arte e sabedoria.

Queremos, sim, que a evolução chegue logo e desfrutemos instantes de solidariedade, união, verdade, noutros tempos que tragam liberdade e respeito. A isto caberá a todos profundas mudanças na essência de si mesmo, autores que sejam desse mundo que pretendemos deixar aos que virão. Acalmar os sentimentos, dominar os pensamentos e construir realidade compatível com tudo que até hoje sonhamos. Perto disto estaremos à medida que leguemos aos demais o que pretendemos a nós próprios, e os frutos da existência serão de pura felicidade e sabor inigualável.

São Vicente de Paulo– por José Luís Lira (*)

 

   Rachel de Queiroz, ao escrever sobre a Irmã Apolline Simas, sua mestra no Colégio da Imaculada Conceição, em Fortaleza, fala sobre os santos e sou tentado a copiar suas palavras: “Ninguém, mais que o santo, pode ser uma alma livre (...). Nós falamos em infinito, mas na verdade somos incapazes de conceber o ilimitado. Por detrás de uma muralha, sempre haverá outra muralha; e a ideia do sem-fim nos choca como um absurdo. Eles [os Santos] não: fazem do infinito a sua pátria, por onde vogam livremente, sem medida de tempo nem de espaço, sentindo-se verdadeiros donos da eternidade”. 

   Irmã Simas era Filha da Caridade de São Vicente de Paulo e sobre ele, também, Rachel escreveu, em 1960: “Há, na santidade de Vicente de Paulo um elemento que o aproxima especialmente de nós, no nosso século tumultuoso. É a sua condição de ativista, de homem atuante, de operário de Deus, que enfrenta o mal pegando-o pelos chifres, em vez de apenas o exorcizar. Com a sua energia de camponês, o seu bom senso popular, fez da caridade uma tarefa do corpo, além de uma exaltação da alma”.

   Em agosto de 2015, numa pesquisa de rotina, encontrei fotos da exumação de São Vicente de Paulo de 1960. São fotos em preto e branco. Procurei o Dr. Cícero Moraes que, por sua experiência, achou que dariam para fazer a reconstituição, todavia, solicitou a análise de vários peritos que foram unânimes em afirmar a possibilidade de reconstrução. De posse dessas informações, em outubro de 2015, contactei o então Superior Geral da Congregação da Missão, Pe. Gregory George Gay, CM, pedindo a autorização de uso das imagens e, ainda, para reconstrução facial. Ele prontamente nos respondeu, via Secretário Geral da Congregação, dizendo que depois de ouvir o Postulador Geral, o uso das imagens deveria ser autorizado pelo responsável pelo site onde elas estavam e desejou-nos bom trabalho.

   Os negativos em preto e branco estão sob a guarda da DePaul University, em Chicago, nos Estados Unidos. Cícero Moraes que fala e escreve fluentemente inglês, escreveu à DePaul University e a resposta veio do ex-Reitor daquela Universidade Vicentina e grande investigador sobre São Vicente, Pe. John E. Rybolt, dando a autorização de uso das imagens e dizendo-se interessado em reconhecer o resultado final.

   A reconstrução poderia ter sido feita naquela época, mas, confirmando o preceito contido na Bíblia, em Eclesiastes 3,1 “Para tudo há momento, e tempo para todo o propósito debaixo do céu”. E agora, quando nosso estimado amigo Cícero Moraes, recebe por seus méritos e feitos para a ciência o Título de Doutor Honoris Causa pela Faculdade Tecnológica de Limoeiro do Norte, da Fundação Cariri, dirigidas pela Prof. Ma. Antonia Ladislau, e a Diocese de Crato, administrada pelo Mons. José Vicente de Alencar Pinto, temos a oportunidade de conhecer a vera face de São Vicente de Paulo, neste dia 13 de fevereiro, na Catedral de Crato, terra do Pe. Cícero.

   São Vicente tinha uma retrusão de mandíbula. Não desfrutava de beleza física. Possivelmente sua voz era diferenciada. É a prova de que Deus habita o que de melhor temos que é o coração e nisso está a grandeza de Sua beleza. Não só na oração, mas, sobretudo, na caridade e nas virtudes evangélicas.

   São Vicente vive!
   Salve São Vicente de Paulo!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.



10 fevereiro 2022

EDNARDO - 50 ANOS

Rosemberg Cariry 


Ele perfaz 50 anos de atividade artística. Está firme e forte, criativo e brilhante, após enfrentar intempéries e sobreviver à Covid-19. Uma jangada firme, que teima em flutuar sobre o andar do tempo e do mar revolto de um país em crise. A notícia de tão rica efeméride nos alegra e ao Ceará inteiro, pois afinal se trata de um dos seus mais ilustres compositores, que se destaca por sua criatividade e amor à terra, “sem ser bairrista e com lúcida emoção”, como tão bem revela a socióloga Mary Pimentel, no livro Terral dos Sonhos. Vale dizer que Ednardo é, para nós, o que Caetano é para a Bahia – um manifesto de puro afeto e iniciação nos mistérios, belezas e tristezas de suas respectivas culturas. 

A nossa geração cresceu com Ednardo, ouvindo emocionada a sua música: lírica e leve, por vezes crítica e ácida, mas portadora da crônica de uma época, traduzida em utopias e paixões. Com ele, sabemos das ironias do Artigo 26, aprendemos a ver o “farol velho e o novo”, como os olhos do mar, viajamos em pavões misteriosos, nos maracatus encantados de falsos negrumes, somos emigrantes (bois mandingueiros) em carrocerias de caminhões, gritamos liberdade com Bárbara de Alencar e lutamos contra o autoritarismo, entoando canções que se tornaram verdadeiros hinos. 

A sua obra revela um intenso processo criativo do compositor, associado ao talento de seus parceiros: Brandão, Petrúcio Maia, Fausto Nilo, Belchior, Augusto Pontes, Fagner, Rodger de Rogério e tantos outros. Há na música do Ednardo uma renda delicada, um lirismo herdado de além-mar, um rumor de cantigas indígenas, uma dolência afro-brasileira, uma conexão ousada com as contraculturas dos anos 1960-70, que resulta em uma obra toda marcada por grande originalidade e beleza; sem esquecer o seu senso de coletividade, ao agrupar pessoas em torno de ideias generosas. A Massafeira Livre foi a expressão de um desses momentos marcantes para a cultura e a música cearense, dando voz a dezenas de artistas, de todos os gêneros e de diferentes gerações. Por tudo isso, Ednardo merece medalhas e homenagens, afetos e aplausos. Ave Ednardo!

* Publicado no jornal O Povo – 9 de fev. de 2022

08 fevereiro 2022

As cores dos finais de tarde - Por: Emerson Monteiro


Além das meras descrições, as horas trazem narrativas esplendorosas de beleza mais rara que toca de perto os viventes. Nem que se pudesse, alguém jamais esqueceria os momentos da beleza que envolvem de mistério os finais dos dias, hora da essência dos seres. Espécie de ocasião propícia a dedicar sobremodo ao silêncio, nessa oportunidade os pássaros entoam seus derradeiros cantos e as pessoas distinguem pedaços da existência a envolvê-las de melancolia, qual saudade de outra dimensão inalcançável. Enquanto isso,  nuvens tingem de cores vivas o poente e comunga de amor ao Sol que seguirá lá adiante, largando aqui às sombras da escuridão.

Nessa hora, algo de religioso domina o mundo. Hora mística de doce harmonia da natureza que adormece. São as luzes do dia que fecham empanada ao Universo em volta e convida todos aos pomos da oração. Já foram muitos sóis postos no horizonte das vidas, que guardamos no recesso de nós feitos medalhas das tantas epopeias de que participamos. Juntamos em nós, em feixes, os segredos das almas. Trabalhamos fielmente a dor de existir e juramos lá um dia realizar todos os sonhos guardados. Momento mágico, transcendente, quando tudo trabalha o viver das criaturas em novas esperanças tão logo regresse a luz a dominar, de novo, as trevas. Somos nós pedaços desse dever.

Nisso, vem a movimentação dos astros no manto escuro do céu, que nos devolve a sede dos amores, senhores da felicidade. Planejamos o porvir na vontade imensa de concretizar esse definitivo dos melhores dias. Pelejamos o desejo de paz aos corações, neste lugar bonito que a história nos conduz. Assim são os acordes das luzes nessas cores do final do dia, testemunhos da perfeição de onde nascemos e aonde também regressaremos.

São, por isso, tantas as vezes dessas ocasiões de pureza e esperança que transporta aos páramos do desconhecido essas visões dos nossos dias, parcelas inestimáveis da solidão que ainda somos.

07 fevereiro 2022

Abstrações - Por: Emerson Monteiro


A insistência das palavras de querer vir à tona leva a isto, de dizer por dizer. Conversar consigo mesmo através dos tempos que se foram, das perdidas ilusões. De buscar sentido em tudo, nas nuvens, nas matas, nos bichos... Sair de si bangolando pelas encostas feitos cascalhos largados ao vento. Nessa fome insistente de contar que quer que seja nasce o desejo forte de olhar de frente o tempo e rever os filmes extasiados do passado bem distante, as peças que nos encantaram, os invernos, as frustações, alegrias, escolhas, palavras inúteis, palavras úteis, do que disseram e ficou ali grudado nas paredes da memória, nas fibras do coração. Os amores esquecidos, machucados de memórias vagas nas lutas cotidianas; chuvas, viagens sem volta no itinerário do esquecimento nesse baralho de muitas noites vazias e dias cheios.

Quando menos espero, lá vem de novo o trecho de vida que me marcou profundamente. As dores dos tantos partos, das tantas esperanças, voragens e ansiedades quase que presentes dentro da alma, e nós aqui fora persistindo na existência desse tudo imenso de letras e sinais adormecidos. Bênção isto de viver e alimentar o ensejo monumental de achar o sentido das razões que juntamos à mesa farta do Infinito.

Luas e luas que mudaram os céus e pouco mudaram o Chão. Os pássaros na faina incessante de criar a trilha sonora das manhãs, das tardes, e que adormecem ao som dos próprios cantos. De certeza que a vida sustenta inesquecíveis sonhos, quando o tempo é o senhor da razão. E que todos marchamos inexoravelmente a um fim útil, ainda que desde sempre misterioso, arisco, fugaz. Porém que sobreviveremos à custa disso, de olhar o brilho das estrelas, escutar o coaxar das rãs nos invernos, perscrutar os valores e prêmios da humana condição. Seres que somos, vazios e encontrar o alento. Luzes que aos poucos acendam a chama da essência de permanecer na busca plena de felicidade. 

04 fevereiro 2022

Um céu de luz na Consciência - Por: Emerson Monteiro


Vem de bem longe a busca desses mistérios do aprimoramento, das certezas que gente guarda durante todo tempo aqui no Chão. Reviramos os dias no sentido de encontrar nos mínimos detalhes a humana perfeição que alimentamos ao notar o quanto a Natureza oferece de exatidão. Saudosos de felicidade, vez em quando somos dela origem e a continuação através dessa vontade de achar o motivo real de estar aqui. Insistimos nisso, no trabalho, na arte, do ânimo, em descobrir que o objetivo de viver tem mais do que só largar a matéria e pronto. Vazamos noite e dia feitos nesse desespero de responder à grande questão da existência. Isso em tudo quanto estudam os sábios e revisam os anônimos seguidores.

Bom, o quadro significa, pois, desvendar esse tanto de significado. Nem adianta esconder, que a loteria da vida impõe esforço constante de fugir da angústia de não ter aonde ir depois de tudo. Uns enterram a cabeça na areia desse deserto, enquanto outros enganam a si próprios feitos náufragos da imensidão dos mares eternos, entregues às ondas do Destino. Lá por dentro, no entanto, na essência de cada ser persiste um objetivo dessa busca incessante que representa o palco dos momentos. Ninguém que seja nutre a fome de desaparecer para sempre.

Eis a trilha da continuidade por meio da qual dispomos, no campo de batalha, transportar a solidão de carregar vidas e vidas até chegar o céu da Consciência, que isto é assim e nada mais. Conhecer a nós em si mesmo. Responder ao dilema que temos na mão e dar de cara com o endereço certo das histórias dos paraísos findos de matéria no centro da alma, ainda aqui neste cotidiano. Destarte, ser o começo e o final de tudo quanto há, porquanto somos o centro do Universo em nós. Pouco ou quase nada resta além, quando abriremos a porta da eterna Felicidade.

Que falta faz a “etiqueta” social – por José Luís Lira (*)

 


       Cotidianamente faço refeições em restaurantes. Sempre busco os lugares mais discretos dos restaurantes. Mas, observo muitas coisas que às vezes me obrigam a tratar do assunto. Muitas vezes observa-se, principalmente em tempos de pandemia, que as pessoas buscam as áreas livres e mais distanciadas. Entende-se que em espaços fechados não convém conversa alta demais ou uso de cigarros. Nas áreas livres existe certa flexibilidade, contudo, nos tempos em que vivemos, os espaços se igualam. E lembro-me de São Paulo: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém”. (1 Cor 6,12). Então, não vejo coerência de um fumante desagradar a muitos. Particularmente, não hesito em sair das proximidades de mesas de fumantes ou de pessoas barulhentas demais. Quanto aos barulhentos, a mim me passam a impressão de que querem que suas conversas sejam “ouvidas” e não deixa de ser uma falta de educação. 

    Alguém pode achar a ideia de etiqueta ultrapassada, contudo, lembrando o sociólogo alemão Norbert Elias, as regras de etiqueta “são normas de conduta que denotam boa educação, a partir da ideia de autocontrole como indicador de civilidade”. O auge dessas regras se deu na Inglaterra e se espalharam pelo mundo. No reinado (1837 a 1901) da Rainha Vitória do Reino Unido, a etiqueta tornou-se o código moral da elite e se apontava os modos de etiqueta como a forma correta. Há até com grande destaque a etiqueta vitoriana.

    Destaque-se do período vitoriano o não aperto de mãos. As mulheres nunca tiravam as luvas em público, exceto para comer. Quando o faziam, deviam pousá-las sobre o colo. Ao entrar em algum lugar, as mulheres precediam os homens. Era comum que casais dormissem em quartos separados, entre outras. Observando essas regras, algo que sempre me incomodou em restaurante foi alguém chegar e estirar a mão para cumprimento. Lógico que sempre retribuí por educação, mas, não de gosto e logo que podia lavava as mãos, pois, ter-se-ia contato com o alimento. As luvas das mulheres vitorianas nos lembram, hoje, as máscaras. Elas são necessárias e só devem ser retiradas na hora da alimentação. Mas, observo sempre nos dias presentes, pessoas já chegarem ao restaurante sem máscaras, mas, fazer o quê?

    Fora disso, às vezes me assusto com alguns comentários ou modos pessoais. Como tenho problemas nos tímpanos por conta de uma violência sofrida numa tentativa de assalto, fico extremamente incomodado com barulhos muito altos ou concentrados em pequenos instrumentos ou celulares. E está se fazendo comum se chegar a algum lugar e colocarem seus celulares em alturas para ver vídeos, ouvir mensagens ou músicas. Existem os fones de ouvidos e estes são adequadíssimos para isso. Ainda neste campo, não consigo ver nada mais ridículo do que sujeito que chega numa praça, num bar ou algo semelhante e abre o porta-malas de seu carro para colocar em alturas determinado som. Nada mais brega e deselegante.

   Por último recordo aquele velho ditado: “Costume de casa vai à praça”. Meu comportamento em sociedade vai mostrar muito do que sou. Por isso temos que nos esmerar para causarmos uma boa impressão, pois, talvez não seja errado aquele outro ditado: “a primeira impressão é a que fica” pois, não haverá uma segunda chance para deixarmos “uma primeira boa impressão”.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


03 fevereiro 2022

Os livros sagrados - Por: Emerson Monteiro


Desde as primeiras inscrições rupestres que persiste a vontade de transmitir os sentimentos por meio de formas gráficas que cheguem lá adiante às outras pessoas. Códigos são desenvolvidos em todo lugar à busca de partilhar o que dizem os segredos internos desses autores. Nos inícios, à mão; depois, com os tipos móveis, à máquina. Nisto hoje a Humanidade dispõe dos mais variados estilos de comunicação guardados em bibliotecas, parte essencial do quanto buscamos conhecer mais dos mistérios que circulam o tempo das gerações. A sabedoria, contudo, carece de um tanto que nem apenas os livros profanos possam dizer. Existem as escrituras das religiões tradicionais que oferecem instrumentos de revelação daquilo que os místicos transmitem, preenchendo longo curso desse conhecimento de que tanto necessitamos a fim de descobrir os recônditos da Cultura original.

Os livros santos são falas que tocam o coração e requer convicção dos que os encontram. Falas de poderes mágicos dos mistérios maiores das existências, eles nascem pela necessidade, querendo assim reunir civilizações em torno dos ideais místicos, a demonstrar esse lado secreto de nossa experiência de vida na Terra. Contudo reclamam o mínimo de respeito e a aceitação dos seus conteúdos. Trazidos por meio de profetas, esses compêndios da espiritualidade alimentam crenças, valores, atitudes. Demonstram os páramos celestes de modo contundente, nos quais só podem avançar os iniciados que recebam a revelação desses mistérios e os comunguem nas estradas do sentimento sincero das almas aceitas pelo poder dos Céus.

Os tempos vêm mostrando o potencial dessas obras sagradas que acompanham lado a lado a evolução da história durante as eras. A verdadeira interpretação desses manuais de salvação fica por conta de cada um dos seus estudiosos, a ponto do escritor Rabindranath Tagore, poeta e religioso da Índia considerar que a religião verdadeira do homem é o próprio homem. Que a todos resta, pois, a aceitação na consciência do que contêm os livros sagrados, independente do que afirmem as pessoas entre si. Porquanto o mistério se revela a quem tem onde guardar, no dizer das mesmas Escrituras.