31 janeiro 2022

O desafio das páginas em branco II - Por: Emerson Monteiro


Viajar dentro da gente a cada instante permite isso de avaliar o fluir dos pensamentos. No tanger das horas, aonde formos iremos junto do que fomos e somos agora. Instáveis no quanto de continuar pelos momentos, tornamo-nos meras peças do deslocamento no tempo, só que através da tela mental da nossa própria consciência. Daí essa necessidade constante de querer preservar a continuidade que se desfaz, e vem na escrita essa vontade do dizer nas páginas que se sucedem o que existe de sentimentos e ausências, saudades, ideias e dúvidas. Uma sede imensa de juntar num bloco único a visão da realidade que vivemos, que domina os céus da presença nas palavras que formam as frases e os textos.

Nisso a urgência de desvendar o segredo da Arte que segue as pessoas no decorrer das tradições. Um instinto poderoso de somar ao mundo o que dentro de nós acontece e impõe essa condição de quem quer trazer adiante a vontade extrema de vencer a solidão de si mesmo sem perder o fio que a tudo transcende. Partilhar as emoções a outras pessoas, falar do universo que transportamos e buscar preencher o vazio das histórias naqueles que escutem e leiam. Falar noutra linguagem de quem vive, sofre, testemunha, ganha margem de avançar no silêncio e clamar parceria nas dores alheias doutras existências. Perpetuar o fervor de viver entre os demais; querer encontrar o sonho diante das realidades que dissolvem.

Longos dias, assim, desmancham a beleza de tudo em que persistimos na busca desse lugar eterno que já o somos sem disso ter a certeza plena. Querer ser parte da luminosidade que nos clareia os passos, eis a razão inigualável de, lá certa vez, desvendar o texto definitivo que persistará para sempre na felicidade que ora mourejamos de chegar, no trilho das palavras e na esperança das páginas em branco.

29 janeiro 2022

Uma história de bons propósitos - Por: Emerson Monteiro


Desde seus inícios que acompanho o trabalho de Alemberg e Roseane à frente da Fundação Casa Grande, de Nova Olinda, interior do Ceará. Movidos pela força do idealismo de resgatar a história da cidade e sua cultura, cuidaram de ocupar edificação situada no centro da cidade, herança de sua família, preservando com isso as características originais, e nela instalaram instituição destinada à formação da infância, tudo dentro dos padrões exemplares de boa convivência e amabilidade, sobretudo dirigida aos conceitos da melhor educação. Assim, construíram um espaço digno do respeito que hoje desfruta a Casa Grande, não só a nível regional, mas com prestígio e obtenção de expressivos prêmios nacionais e internacionais, durante  três décadas de valiosos frutos.

Portanto, sou conhecedor de perto de tudo quanto essa fundação vem contribuindo em resgatar crianças e jovens, produto da dedicação de seus iniciadores, sendo seus egressos pessoas inseridas na sociedade, homens e mulheres respeitáveis e de bons princípios.

Venho aqui, nesta hora, dar este testemunho face a ocorrência recente verificada no âmbito da Casa Grande, quando um dos seus educandos veio de perecer, vitimado por um acidente, sem que pudesse ser evitado. Sei, sim, do quanto isto fere profundamente os sentimentos da comunidade e, sobretudo, os pais de Bruno, as principais vítimas dessa perda irreparável. Resta-nos, por isto, respeitar seus sentimentos e tributar o mais justo amor a todos que amarguram as dores daquela fatalidade.

Nosso apreço, pois, aos membros da Fundação Casa Grande, neste momento de extrema tribulação, no que devotamos igual conformação aos pais de Bruno e toda sua família, ocasião quando rogamos ao nosso Pai e Criador misericordioso as bênçãos divinas, no sentido profundo da visão eterna de todas as adversidades, dando-nos Luz à consciência e a Paz aos nossos corações, hoje e sempre.

28 janeiro 2022

Herdeiros do mistério maior - Por: Emerson Monteiro


Por mais que tentem fugir, todos marcham irrevogavelmente ao centro. Cercados de tantas dúvidas do que não estamos cientes, lerdamente avançam na direção de um constante agora de que desde sempre seremos. Grupamentos vários, pois, deslizam pela paisagem lá de fora, conquanto a resposta vive no íntimo dessas mesmas criaturas artesanais do destino. Esses tais seres encapuzados, sombrios, frios, cadenciam seus passos na firmeza de que, no interior do templo de si próprios, descobrirão essa chama que nunca há de apagar. A isso viemos até aqui onde ora estamos.

Inoculados de sentimentos ainda provisórios, alimentam a farsa do desaparecimento sem ter aonde sumir, senhores do mistério que habita os corações. Vivem o drama da Criação na própria pele, enquanto fervem de desejos vagos pelos corredores do Infinito.

Face ao ritmo de um ser que apenas inicia jornada, pisam a sombra dos séculos e adormecem aos braços aparentes da morte, naquela visão antiga de que pensavam ser origem e fim, no entanto. Às vezes passeiam, durante o verão das bestas, e caem nas armadilhas da sorte incerta das quantas madrugadas que eles mesmos plantaram invés da esperança e da fé. Calejados pelas dores do parto que carregam no ventre dessas almas, sonham acordados nas ocasiões de reconhecer o objetivo que transportam.

Eles, nós, todos, vagamos destarte perante o Eterno que nos observa e alimenta, no invisível das criaturas em movimento. Transportam o néctar da salvação dentro do peito e fervem de ressentimentos de não ter encontrado de vez a porta dos céus na ação das estações.

Bem isso que eles, nós, são e sustentam nas estradas afora, nas cláusulas do Tempo. Doces selvagens da felicidade, sabem, quase sem querer saber, o que lhes aguarda logo depois das dobras do Infinito, e adormecem intranquilos nas guerras cruentas deste Chão. Eles, soldados de Si, heróis da Eternidade.

(Ilustração: Heróis: Marvel e DC).

Espiritualidade e música clássica na OESSJ-RJ – por José Luís Lira (*)

Belíssima fachada da antiga Catedral do Rio de Janeiro
Interior da antiga Catedral do Rio de Janeiro

   A Igreja Nossa Senhora do Carmo – Antiga Sé do Rio de Janeiro (Sé até 1976), guarda, além da história de fé de milhões e milhões de brasileiros, a história do próprio País. Quando Dom João chegou ao Brasil, em 1808, designou a Igreja de Nossa Senhora do Carmo a Capela Real Portuguesa e, depois, Catedral do Rio. O termo “Sé”, da palavra “Sede” designa catedral. É, numa diocese ou arquidiocese, no caso do Rio de Janeiro, a casa principal de Deus (Domus Dei).

   Nascida “como uma pequena ermida dedicada à Nossa Senhora do Ó, construída poucos anos da ocupação portuguesa”, conforme se lê em seu sítio eletrônico; “... por volta de 1590, ... a ermida, foi convertida em Capela da Ordem do Carmo. Em 1619, os frades iniciaram a construção de um convento, ao lado da capela e uniram os dois edifícios por de uma torre com portaria, posteriormente demolida para esticar a Rua Sete de Setembro...”.

   As paredes da Sé Antiga testemunharam momentos indeléveis para a História, como a sagração de D. João VI, rei de Portugal, a bênção matrimonial do libertador do Brasil, Dom Pedro I com Dona Leopoldina, as coroações de Dom Pedro I e Dom Pedro II, com as respectivas imperatrizes, a bênção matrimonial do segundo Imperador e Dona Teresa Cristina, o casamento da Princesa Isabel com o Conde d’Eu.

   Fará 200 anos, em 1º de dezembro próximo, a Coroação do primeiro Imperador e da primeira Imperatriz do Brasil. Foi naquele cenário sagrado. E, desde 2016, início da Lugar-Tenência da Dama de Comenda com Placa Isis Penido (completando este ano Jubileu de Prata na Ordem, exercendo antes, a Chancelaria e Cerimoniário Leigo) e graças ao esforço desta Dama, tem sede na Antiga Sé a Nobre e Pontifícia Ordem Equestre (de Cavalaria) do Santo Sepulcro de Jerusalém. A sede foi indicação do Grão-Prior da Ordem, Cardeal Orani Tempesta, e muito bem acolhida pelo pároco, Pe. Silmar Alves Fernandes.

Na cripta da velha catedral, está o túmulo do Cardeal Arcoverde, ex-Arcebispo do Rio de Janeiro e primeiro cardeal da América Latina. Em frente ao túmulo, na parede, estão parte dos restos mortais de Pedro Álvares Cabral, descobrido do Brasil.


 
    Pois que iniciando as atividades da Ordem neste ainda atípico ano, por conta da pandemia, na tarde de quinta-feira, 27 de janeiro, aconteceu o lançamento do Livro “E a casa inteira ficou cheia do Perfume do Bálsamo”, de Sua Eminência Reverendíssima, o Cardeal Fernando Filoni, Grão-Mestre da OESSJ. O autor, evidentemente, não pode estar presente, mas, a solenidade foi das mais belas. Dando as boas-vindas, o Maestro Marcos Paulo Mendes executou “Jesus Alegria dos Homens”, de Sebastian Bach. Na sequência, Sua Excelência, a Dama de Comenda Isis Penido, fez a abertura oficial da solenidade de lançamento e concerto. O Pe. Silmar Fernandes, Reverendo Pároco de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, fez uso da palavra e logo em seguida, Sua Excelência Reverendíssima Cavaleiro Comendador com Placa, Dom Roque Costa Souza, Bispo Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro e Referencial para o Vicariato das Irmandades na Arquidiocese do Rio de Janeiro, para fazer a apresentação do autor e do Livro, o que sua Excelência Reverendíssima fez com desenvoltura, conhecimento e a piedade necessária a um livro tão profundo quanto este do Cardeal Filoni.

   Ao final, ocorreu o concerto, a cargo do Maestro e Organista Marcos Paulo Mendes, com belíssimas peças, entre as quais “Te Deum” (de Charpentier) e “Prelúdio em Fá menor” (de Maestro Marcos Paulo Mendes).

    Deus Lo Vult!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

 

26 janeiro 2022

O condão de amar - Por: Emerson Monteiro


Questão básica dentre todas elas, a razão pela qual viemos aqui. O que nos mantém vivos, desde sempre, eis o Norte dos seres humanos. Busca incessante de persistir no rio das existências, defrontamos os destinos e mergulhamos nas luzes das indagações. Qual por demais quer acontecer face ao desaparecimento da matéria, restam às religiões e estabelecer as bases dessa compreensão do que virá logo ali no despenhadeiro dos vivos, apanágio das vaidades.

Quer-se crer na imortalidade, no princípio original que transportamos passo a passo. Isto impõe a condição de imaginar demasiadas ficções dos povos e suas considerações de cruzar o teto do imediato e chegar ao infinito das eras.

Ninguém de sã consciência aceitaria de bom grado o puro desaparecimento. Daí o apego às respostas em fase de esclarecimentos, mensagem através de médiuns, cartas, falas, descrições, narrações, enquanto persiste a vontade imensa de aceitar de bom grado essas alternativas no instinto das procuras.

Enquanto isto, cada um de nós estuda, aprofunda experiências e constrói o próprio caminho do que se nos espera. Espécie de máquina ainda em fase de aprimoramento, recorremos aos sonhos, às visões, aos sentimentos, formando painéis dessa visão que a uns que acalma e a outros, porém, deixa muito a desejar em termos de aceitação do mistério.

Assim, os melhor aquinhoados da natureza desvendam maiores frutos naquilo que encontraremos no frigir de tudo, quando largamos o corpo físico, a merecer nova consciência do lado de lá do que ora vivenciam.

Nuvens escuras encobrem, pois, a floresta do outro mundo. Bem isso a longa viagem deste chão, numa jornada parcial rumo ao segredo maior dos humanos.

Então, a quem ama todas as dúvidas se desfazem. Ampliar o desejo que chegou à sabedoria, e amar o suficiente, reconhecer que a vida sempre esteve aqui bem juntinho de nós, nas dobras infinitas do humano coração, guardada nesta busca incessante da divina confirmação do Ser mais absoluto que já o somos.

Frase do Príncipe Dom Rafael de Orleans e Bragança

 “Vivemos em um sistema econômico baseado no consumismo, onde os bens materiais passam por cima dos valores morais e cristãos. As pessoas se tornam objetos e a essência da família se perde quando se estabelecem relações ‘descartáveis’. Devemos enfrentar esse materialismo fortalecendo a Fé e a espiritualidade, sobretudo através da educação.

– Sua Alteza Real o Príncipe Dom Rafael de Orleans e Bragança, quarto na linha de sucessão ao Trono e à Coroa do Brasil, em entrevista concedida ao Boletim “Herdeiros do Porvir”.


 

NOTA DE PESAR

 NOTA DE PESAR DE SUA ALTEZA IMPERIAL E REAL O SENHOR DOM BERTRAND DE ORLEANS E BRAGANÇA, PRÍNCIPE IMPERIAL DO BRASIL, PELO FALECIMENTO DO FILÓSOFO E PROFESSOR OLAVO LUIZ PIMENTEL DE CARVALHO

 


   Com grande consternação recebi hoje a notícia do falecimento do Filósofo e Professor Olavo de Carvalho.
   O Brasil deve muito aos seus ensinamentos. Soube enfrentar galhardamente o sistema “politicamente correto” que encapsulara as consciências e conseguiu abrir para incontáveis brasileiros, sobretudo jovens, novas perspectivas.
   Há mais de quinze anos, tive com ele uma longa e agradável conversa na Sede do Instituto Plínio Correa de Oliveira e pudemos então compartilhar nossas preocupações sobre o futuro do Brasil e do mundo. Hoje, os bons frutos de seu profícuo magistério começam a aparecer e são motivo de esperança.
    A coincidência de sua morte com a festa da Conversão de São Paulo faz pensar na delicadeza da Divina Providência, que escolheu esta data para chamar para si um Professor que converteu inúmeros de seus alunos à verdadeira Fé.
   Consola-me saber que ele foi confortado nos seus últimos momentos pela recepção dos Sacramentos da Extrema-Unção, Confissão e Comunhão.
   Ofereço minhas orações de hoje pelo descanso eterno de sua alma. Que a Virgem Santíssima interceda para que ele – que era devoto da oração do Rosário – receba na glória eterna a recompensa por todo o bem que fez à nossa Pátria.

Dom Bertrand de Orleans e Bragança
Príncipe Imperial do Brasil




25 janeiro 2022

O eterno retorno - Por: Emerson Monteiro


Nesta tarde acinzentada de janeiro aqui do pé da serra, deu de me voltar um sentimento bem remoto, dos tempos da infância, de quando, depois de passar o mês de férias no Tatu, via minha mãe organizando os trens para regressar ao Crato, trazendo a família. Eu ficava sem planos, andando acima e abaixo pelas estradas do sítio já o coração apertado de saber que, logo no dia seguinte, de novo não mais estaria naquele lugar que tanto amo, onde nasci e passei os quatro primeiros anos.

Algo assim como se o mundo viesse abaixo e nada fosse como antes fora; deixava pedaços de mim naquelas matas, cercas, currais, casas, árvores, marmeleiros, o brejo, o engenho, as cancelas, os animais, um fim de era talvez, o que nunca compreendi bem porquê. Dor de não ter tamanho invadia minha alma e me parecia que ninguém sentisse o mesmo, pois se animavam de voltar à cidade lá longe qual atitude natural, que a mim quase dizia só da saudade que amarguraria dias afora. Olhava o Açude Velho, a varanda da casa de meu avô, nossa casa, a igrejinha, o movimento dos moradores, as comadres que viviam lá em casa, os meninos com quem brincava, aquilo tudo sumiria assim como num passe de mágica, e ficaria um ano a esperar, outra vez, reviver aquela felicidade que adormeceria, sem dúvida, no outro dia pela manhã ao viajar.

Um sentimento forte esse que às vezes cresce no meu peito e chama atenção ao momento atual da existência. As pessoas, os lugares, os sons, as cores, o tempo, o céu, o clima, as nuvens, os próprios pensamentos, as lembranças agarradas dentro da gente, nesse tudo de agora que somos. E aquela saudade do Tatu de novo pulsa em mim tão alto de não saber aonde isto de hoje irá parar num dia, em que oceano, em que outro universo que seja, a tocar nas pessoas uma urgente necessidade de exercer o momento qual aquilo que jamais irá se repetir no decorrer do Infinito.

Artistas caririzeiros nascidos em 1953: um alinhamento raro de astros

 


Por Carlos Rafael Dias

 

A

constelação caririzeira tem muitos astros que brilham com luz própria. A priori, todos alinhados em uma perspectiva de cultura e arte inclusivas, voltadas para a construção de projetos de vida diferenciados e portadores de justiça histórica e bem-estar coletivo.

Dentre os astros que iluminam o horizonte caririzeiro, alguns estão também alinhados por uma sincronia temporal, vistos que nasceram no mesmo ano, o de 1953: Jackson Bantim (Bola), Luiz Carlos Salatiel, Rosemberg Cariry, Geraldo Urano e Luís Fidélis. Artistas e seres humanos que já deixaram uma marca indelével nesta existência, por serem protagonistas de memoráveis feitos na seara da arte e da cultura, também estratégicas trincheiras do bom e necessário combate.

Cultura e arte são, pois, suas armas e armaduras. Armas que não matam, pelo contrário. Projetam tão somente certezas e esperanças de que a vida é bela, basta querer e fazer.

Com exceção do poeta Geraldo Urano, nascido em Crato, em junho, que já se mudou para a Pasárgada Celestial, - os demais estão vivos e bem vivos. Atuantes e compromissados com o fazer artístico cotidiano.  Sintonizados pela criatividade imorredoura que projeta novos horizontes. Antenados nas ondas das mudanças necessárias e que renovam sonhos, utopias e desejos. Formuladores de ideias e ideais proponentes de identidades que permitem o sentimento de pertencimento a uma nação guerreira e intransigente na luta pelo bem comum, a Nação Cariri.

Jackson Bantim é um artista versátil e eclético. Cineasta, fotógrafo, compositor, artista plástico e radialista, além de ser um grande animador cultural e memorialista. Há 20 anos é servidor da Universidade Regional do Cariri – URCA, lotado na Rádio Universitária FM 94.3. Cratense, aniversaria em maio.

Luiz Carlos Salatiel, nascido em Araripe, é de abril. Compositor, cantor, ator, fotógrafo, comunicador, poeta e o escambau, além de produtor cultural. Fez da cultura a sua religião e filosofia de vida. É um sacerdote da arte, na melhor acepção da palavra.

Rosemberg Cariry, nascido em Farias Brito, também é de abril. Uma das maiores referências da identidade caririzeira. O homem que carrega a região até no nome. Poeta, escritor, jornalista, pesquisado e cineasta de renome internacional, só para citar algumas de suas “trincheiras”.

Luís Fidélis, nascido em Juazeiro do Norte, é de outubro. Cantor e compositor de músicas qualificadas e popularmente reconhecidas. Tem músicas gravadas por vários cantores e bandas do Nordeste.

Todos são companheiros e irmãos de vida e de arte. Integraram o Grupo de Artes Por Exemplo, participaram dos festivais da Canção do Cariri e fizeram cinema experimental e documental, ainda nos anos 1970. Fundaram o movimento Nação Cariri, pioneiro na proposição de uma cultura e identidade caririzeiras. Foram protagonistas e abre-alas de uma frente por onde até hoje passamos todos, fluindo nas trilhas da cultura cabloca-kariri.

Salve, salve Jackson, Salatiel, Rosemberg, Geraldo e Fidélis! Flâmulas que brilham e brilharão eternamente, a nos guiarem por essas sendas insondáveis e belas da vida.

23 janeiro 2022

Interesses e razâo - Por: Emerson Monteiro


Isso do tempo que ora se vive, onde senso e contrassenso ganham espaço diante dos extremos da necessidade, quando existe ausência de compreensão do que seja nosso e da coletividade nos interesses em jogo. As palavras enchem livros e o pensamento individual busca confundir os princípios da economia. Foram tantas versões, belas canções, noites de sonhos, organização de trabalho, e agora nos deparamos face a face com o egoísmo de grupo na criação das certezas pessoais, esquecida a visão revolucionária que pauta o futuro das nossas esperanças desde décadas.

Qual diz na Bahia, farinha pouca, meu pirão primeiro. A gente olha no trilho do tempo e ainda vê brilhar a túnica dos nossos heróis carcomidos pelas esquinas do passado. Quanta vontade que houvesse plena coerência nos procedimentos humanos perante o que tangem teoria e a prática de todos os instantes. Mas essa fome de ilusão insiste querer negar a essência dos sonhos.

...

Aonde foi parar a beleza de todas as flores? Frêmito de saudade parece circular o corpo inteiro da Civilização, depois de tudo que até aqui ocorreu, deixando-nos estáticos a presenciar o tumulto da dúvida de quando iremos, afinal, desvendar este mistério de uma existência mais justa. Dói só de pensar na situação atual dos humanos, seres capengas, esdrúxulos, bizarros, no furor de repetir os velhos equívocos da história, perdidos pelos escombros da repetição.

Quais prisioneiros de cápsulas isoladas, lutamos todos em nome de abstrações desencontradas, frutos da alucinação coletiva que impera nas quebradas noturnas dos vícios e prazeres fáceis. Sei que a ciência caminhou nesse vazio, contudo caiu nas mãos dos feiticeiros da ganância e um grito de compaixão impera nos bolsões da injustiça social. Chegam e formam blocos isolados, e salve-se quem puder. Nem adiante apontar dedos sujos, que a visão da perenidade dará, por si, o sentido que buscarmos até aqui. Quem viver verá.

21 janeiro 2022

Guerras, o limite da imbecilidade humana - Por Emerson Monteiro


Nesta época de tanto desenvolvimento tecnológico, tanta experiência de tudo quanto é qualidade, tempo de avanços mil nas mais diversas áreas do conhecimento, de quanta beleza na música, nas artes como um todo, enquanto se enfrenta uma pandemia de largas consequências em todos os quadrantes, sob os riscos vários da ausência de meios de controle; enquanto bilhões padecem da ausência de sentimento humanitário coletivo, com pessoas a morrer de fome, de sede, ausência de moradia, de cultura, de segurança, esperança; exato neste momento de quanta expectativa, inclusive em matéria de preservação da espécie na face do Planeta, veja o que se percebe, início de mais um conflito entre nações tão carentes quanto a nossa Humanidade inteira. E ouvimos falar que, na fronteira da Ucrânia, os russos acantonam tropas e já existem movimentações belicistas de países outros envolvidos nos interesses geopolíticos em jogo.

Não bastassem as consequências dos dois conflitos mundiais que ocuparam o século anterior, eis que a imbecilidade do gênero humano parece crescer de novo nos próprios cascos e sujeitar toda a espécie numa das suas aventuras de frutos indesejáveis. O arsenal das armas acumuladas no decorrer dos últimos 60 anos, à base da fissão nuclear, nos dias de agora, possui poder destruidor capaz de eliminar de tudo a vida na face deste Chão.

Durante milênios haverá de ser isto tudo o que se aprendeu nos campos de batalha, de feras contra feras, pessoas contra pessoas? Nem vejo margem a maiores avaliações, porque sobra indignação e somem as palavras; todos, fracos contra fracos, sem o mínimo senso de civilização qualquer que seja, de ordem espiritual, ética, filosófica... Inútil dizer o mesmo que disseram os sábios durante a História, e ainda falar dos mesmos vícios e da mesma perversidade que dormem na inconsciência dos líderes?!

Que o poder maior das potestades superiores toque a alma dessa gente e lhes permita raciocinar em termos de Paz, eis tudo de que carecemos hoje e sempre!...

Há um ano: Reconhecimento Doutoral – por José Luís Lira (*)

   Raramente trato de assuntos estritamente pessoais nesta coluna, embora todo cronista seja um pouco autobiógrafo. Mas, hoje, peço a permissão do leitor para tratar de acontecimento pessoal que se deu há um ano nesta Coluna Semanal. Por opção fiz mestrado e doutorado numa universidade pública argentina, a Universidade Nacional de Lomas de Zamora, na Província de Buenos Aires. Selecionado incialmente para o doutorado, após cumprir as matérias obrigatórias, abriu-se na mesma Universidade o Curso de Mestrado em Direito Processual Constitucional. Busquei informações e matriculei-me, contando, com um imprevisto, mas, que serviu para aumentar, digamos assim, a paciência. Só pude defender o Doutorado em Direito depois de defender o Mestrado. 

    Assim ocorreu. Com o aval do então Reitor da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, Prof. Dr. Antonio Colaço Martins, pedi ao colegiado do meu Curso, o Curso de Direito, liberação para concluir o Doutorado. Aprovado no colegiado, originou-se o processo cuja autorização final foi do Governador Cid Gomes. Foi um ano no qual preparei e depositei a chamada dissertação de mestrado, aqui no Brasil, e a tese de doutorado. Houve tempo, ainda, para conhecer um estágio de pós-doutorado na Universidade de Messina, na Itália, fundada em 1548, onde, de logo iniciei a pesquisa.

   Em 2015, defendi a Tese de Doutorado, tema que me inquietou desde os tempos de faculdade, “O Direito Natural na Completude das atuais Constituições Argentina e Brasileira”. Considerando as regras da Universidade, só em 2017 recebi o diploma. Fui, então, em busca de uma Universidade brasileira que reconhecesse o diploma, conforme determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira. Depois de idas e vindas, cheguei à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, fundada em 1946, mas, com suas bases lançadas em 1908, data de criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento, agregada à nova Universidade.

   Apresentada a documentação em novembro de 2019, o parecer da pré-análise de mérito se deu em 12 de março de 2020 e logo depois o País parou devido à pandemia. Somente em novembro de 2020 obtive a certeza da aprovação do Parecer definitivo declarando o título obtido no exterior equivalente ao título de Doutor em Direito do Programa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Para mim foi uma alegria que não dá para mensurar e aguardei, com certa ansiedade, o dia que receberia o diploma com o necessário apostilamento do reconhecimento. Em 4 de janeiro de 2021, recebi mensagem da PUC-SP para me dirigir ao Campus Monte Alegre, no bairro Perdizes, em São Paulo, para receber o diploma com o procedimento finalizado, no dia 22 de janeiro de 2021. Então, há um ano, acompanhado de minha sobrinha Leandra Lyra, que reside em São Paulo, fui receber este diploma tão esperado. Um ano. 

   Não vou citar nomes porque seria impossível enumerar a todos os que contribuíram para que essa titulação se desse, mas, em nome de Deus, o Autor de tudo, manifesto meus agradecimentos muito sinceros. E se janeiro já era feliz pelo início das chuvas no Ceará e pelo nascimento de minhas duas irmãs: Maria Luíza, dia 20, e Elisiane, dia 26, tem, ainda, este marco em minha história acadêmica.

   Gratidão!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


20 janeiro 2022

Um sol no coração de todos - Por: Emerson Monteiro


A isso estamos aqui, nas asas da libertação... Da iluminação... Essa existência  sujeita ocasionar noites de insônia, angústia, dúvidas, que resultarão adiante num tempo de encontrar o caminho da própria essência e reverter os enganos desse chão. Buscadores da verdade nas nossas consciências individuais, crescemos pouco a pouco, alimentando sonhos por vezes pesadelos, e nisso construímos a arca que nos levará à outra margem. Ninguém existe ausente, nesta jornada infinita. Peças do enigma da Criação, seremos coautores de transformação dos que, em si, alimentam os mundos novos em todas as galáxias. Nesse laboratório existe lugar aonde descobrir a porta que nos leva à inteira compreensão de uma verdadeira paz. Viemos nesta intenção exclusiva.

Dias atuais oferecem os meios de sobreviver ao desaparecimento, porquanto dispomos de tudo quanto necessário, nesta hora, a fim de solucionar o que seria só um mero acidente dos fenômenos naturais. No entanto, contamos em todos com os recursos de minerar a Salvação. Esse mergulho ao Infinito eis o motivo de estar na história, escravos e senhores das condições que herdamos e vivemos.

São inumeráveis os testemunhos da resposta definitiva pela forte presença do mistério vivo em nossos corações. Palmilhamos a certeza da existência maior, perene, nesta sequência dos acontecimentos. Importa sobremodo buscar instrumentos que ofereçam da Eternidade a consciência através do coração de cada pessoa. Dado tal desiderato, significamos assim o objetivo principal de tudo quanto existe e perfaz o universo desta compreensão.

Na presença, pois, de tamanha esperança, o que habita a nossa mesma essência disto se formam os melhores sonhos, enquanto aqui persistimos na jornada às estrelas, transportando as nossas almas conosco, no absoluto da perfeição que nos criou. Mestres e senhores dessa exatidão, alegria inesquecível representa poder somar ao grande Todo a justa missão que nos cabe na plenitude da Razão.

19 janeiro 2022

Poder inefável do silêncio - Por: Emerson Monteiro


Quando eu era, não existia Deus; agora existe Deus, mas eu não sou.
Kabir

Nas verdes planícies da alma dançam todos esses desenhos em seus volteios harmoniosos, ao som das músicas da Natureza. Aves sobrevoam a imensidão e repousam na ausência dos corpos em movimento. Luzes que acendem no céu imenso a concretude inesperada e derramam notas suaves de todas as cores. Este poder que sustém a certeza das existências, que também vive na essência de tudo quanto há, durante todo tempo.

A leveza desses sons abissais ainda dorme guardada aqui no coração do Universo, onde sonhamos os nossos desejos e sustentamos as nossas escolhas que as transportamos no íntimo do ser, na interpretação do que fazemos. Ouvimos a pureza das histórias que um dia nos contaram e sobrevivem soltas pelo labirinto de nós mesmos. Andamos nossos passos qual quem alimenta o Infinito dentro das certezas que mexem pelas fibras das horas e dizem do Amor ao firmamento.

Em todas as criaturas esse fervilhar de grandeza na consciência dos entes numa única contrição, moléculas da origem que sustém e conduz diante de tanta beleza. Formas de nuvens que se desfazem pelo azul do céu nas criaturas nascidas dos pensamentos eternos bem perto da gente. E vagamos nisso, nas fagulhas de tantos e inesgotáveis momentos que jamais sumirão no definitivo dos sóis. Longas horas e sentimentos puros, marcas da presença imutável do fervor da Eternidade.

...

Enquanto cadenciamos o ritmo dessas pulsações, buscamos nos encontrar conosco próprios, pois sabemos ser muito mais do que apenas isso que ora, quimeras em perdidas ausências. Desde longe saboreamos este valor que possuímos, contudo numa fase de aprimoramento. Reunimos vontade, sonhos, saudades, na condição de meros aprendizes do que nos aguarda logo ali adiante. Porém que necessita de renúncia, paciência, dedicação, fé, instrumentos da mutação exclusiva dos herdeiros da Criação em constante renascimento.  

16 janeiro 2022

Ânsias de poder - Por: Emerson Monteiro


Bem típica nos humanos essa vontade, querer dominar o que quer que seja. O olhar deles quase não disfarça a fome de poder que carregam consigo. Quando declinam de alguma regalia ou razão o fazem qual quem deseja aplausos. Sendo autoridade, então, viram feras quando perdem alguma vantagem. Impor vira regra. Mas para ganhar ou receber títulos, ou mesmo merecer elogios, aí acalmam o instinto e deixam passar um tanto de oportunidades que demonstrariam o quanto já dominaram da fragilidade humana e ganhos de vantagens com relação à grande massa.

Bom, quase não parece estejamos revendo os conceitos em voga no mundo em que vivemos. Algo fala como as ficções da primeira metade do século passado, em George Orwell, Ray Bradbury, Aldous Huxley, dentre outros autores proféticos que viram, desde antes, aquilo que hoje impera nos becos atuais da civilização. As feras andam soltas à volta periodicamente das guerras espalhadas na História. Os problemas do egoísmo agravam as coletividades e vêm as tropas fortemente armadas resolver os impasses da geopolítica.

Essa tal síndrome de dominar logo espalha suas garras aos grupos sociais. De pessoas a desejar poder passa aos clãs, às minorias endinheiradas, experimentadas no ímpeto de salvaguardar conquistas e sustentar práticas de escravizar os demais. Daí ditam as regras, formulam poderes constituídos e fazem leis que as mantêm na frente da ganância, e sacrificam, e acontecem.

Porém, aqui Quem tem poder na realidade apresenta os meios da Justiça verdadeira e acontecem situações que repõem as peças no lugar devido. Que venham choro e ranger de dentes. A força da realidade sempre vencer. Ninguém que deve passará impune. Disto as tantas histórias, as profecias, os valores trazidos aonde foram retirados. Cada um por si e Deus por todos nós, nessa hora livre.

15 janeiro 2022

As natas da memória - Por: Emerson Monteiro


Gosto por demais de deixar que o filme da memória projete suas imagens constantes através do pensamento. Frases, períodos, textos, livros, películas inesgotáveis que sucedem histórias, cenas inteiras, impressões de viagem, luas e sóis das caminhadas no campo das abstrações em que todos nós vivemos. De uma hora a outra, vou de Crato a Brejo Santo, a Salvador, Iguatu, Lavras, Minas, São Paulo; nada nem ninguém a comandar as imagens do projetor na tela do meu infinito, no entanto eu aqui comigo sozinho a relembrar fiel velhas estradas, ruas, praças, cinemas, comércios, cemitérios, festas, hospitais, passeios, pessoas, dramas, angústias, aulas, palestras de antanho, num fervilhar de situações as mais inesperadas. Vêm, vão, ao sabor dessa função avassaladora de viver e experimentar, e gravar, e recontar, e reviver...

Quantas vezes me acho nos lugares a olhar as mesmas pessoas, sofrer e gozar das mesmas saudades; muitos que foram embora mas ficaram dentro de mim acondicionados nas lembranças insistentes de imaginar que houvesse acontecido diferente e os tivesse mantido todos juntinhos em minha alma acesa. Admiro essa capacidade, e reconto as histórias que li nos romances, nos contos, nas crônicas; as alegrias, os devaneios. Tudo bem perto, no meu coração, a pulsar nas veias, quais de um deposito inesgotável do sangue das maravilhas em fusão com dramas e dúvidas, solidão e amores inesquecíveis.

Ando às vezes tonto nesse território que bem sei pertencer ao tempo eterno. Nessa ocasião chego interpretar que tempo e espaço significam tão só e a mesma espécie de existência, una, exclusiva. Que Infinito e Eternidade são de que única essência e significação. Seriam aquelas duas paralelas a encontrar o Infinito no Tempo, e o Tempo na Eternidade, nesse chão de galáxias adiante de nós próprios, pequeninos seres, moléculas do Grande Universo. Porquanto o Nada e o Tudo, ao saber dos guardiões dos mistérios, hão de somar, ambos, nos lados inevitáveis de um mesmo corpo. Ou de corpo nenhum, indivisível.

Isso a memória me fala com tamanha intensidade que procuro com esforço acalmar o pensamento a fim de dormir um pouco ou serenar a fome das ansiedades. Tenho comigo isto de afagar essa celulose das películas de sempre, e que isto, a certo momento, fará de nós seres únicos, imortais, quando, então, reuniremos as tantas vivências no poder superior da Consciência perfeita.

14 janeiro 2022

O passado esteve aqui – por José Luís Lira (*)

   O título desta conversa de hoje é uma lembrança. Um livro infanto-juvenil de 1988 que não li por completo, lembro-me bem, porque apareceu “Em algum lugar do passado” e optei por este. Mas, hoje revi sua capa. Não tenho mais o livro físico. Foi-se embora na voragem do tempo e, sinceramente, talvez hoje é que compreenda mais este título. Vamos vivendo e o tempo, como dizia o Cazuza, não para.  Não para. E vez por outra nos encontramos em mesmos lugares, mas, não temos os mesmos convivas, as mesmas sensações e se tem a impressão de que o passado quase passou por ali, mas, recordando Drummond. “Não serei o poeta de um mundo caduco./ Também não cantarei o mundo futuro”. E ouso citar a Rainha Elizabeth II em sua clássica mensagem do último Natal: “A vida, claro, consiste em despedidas assim como primeiros encontros”.

   Este tempo que vivemos não tem sido fácil. Até uns dias nos animávamos com o afastamento da pandemia. Aos poucos a vida começa ou começava a se normalizar. Pude ir ao Rio de Janeiro e cumpri as atividades que me são afetas naquela Cidade Maravilhosa. Por aqui, fui ao cinema e até viajei a Juazeiro do Norte. Fizemos a reunião presencial de fundação do Instituto Histórico e Geográfico de Sobral – um grande alento. O Natal permaneceu como em 2020, só a família. Não posso nem dizer que poucos amigos lá estavam. Só a família mesmo. E, de repente, não mais que de repente, como dizia Vinícius de Moraes, a turbulência começou a nos assustar novamente.

   O aumento dos casos de Covid e de gripe se constitui realidade e dessa realidade não podemos fugir. É preciso ter cuidado. Parece até exagero, mas, muito cuidado mesmo. E o que resta a nós é nos apegarmos à fé em Deus e na iluminação que Ele dá aos cientistas. Então, temos nos cuidar, nos prevenir e confiar que esse tempo passará. E nessa crônica quase sem tema, sinto-me tentado a citar o cantor Gonzaguinha: “Ontem um menino que brincava me falou/ Hoje é semente do amanhã/ Para não ter medo que este tempo vai passar/ Não se desespere e nem pare de sonhar/ Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs/ Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar/ Fé na vida, fé no homem, fé no que virá/ Nós podemos tudo, nós podemos mais/ Vamos lá fazer o que será”.

    Às vezes queremos até maquiar o nome morte. Dizemos que alguém fez sua viagem, partiu... Enfim, não quero, como nem sempre aceitamos essa realidade. Muita vez a pessoa está sofrendo, inconsciente, mas, nós a queremos por perto. E ela, o que dirá? Dependendo de sua espiritualidade, quer ir aos braços do Pai. Recordo-me de uma amiga cujas penúltimas palavras foram: “Vem logo Senhor”. Isto é fé. Que tenhamos fé!

   Às vezes ficamos com aquela sensação de que o passado veio nos visitar, numa música, num poema, num livro, numa paisagem, numa pessoa. Todavia, no ensinamento da Rainha Elizabeth, lembremo-nos de que os primeiros encontros ocorrem todos os dias. Só precisamos de habilidade para enxergá-los e viver plenamente cada momento.

    E assim seguimos nossa caminhada, seguros de que temos uma missão a desempenhar aqui e que só quando a concluímos é que somos chamados que nem na parábola dos talentos à prestação de contas final, onde estaremos, com a graça da Luz Perpétua, diante de Deus Altíssimo.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.


13 janeiro 2022

Nunca antes foi assim - Por: Emerson Monteiro


O ineditismo de todas as situações vidas afora. Enquanto o pensamento é só linear, tudo acontece desarvoradamente na velocidade extrema do quanto existe, vindo de todas as direções. Ainda que doa o coração da gente, nem de longe há de ser diferente daquilo que gostaríamos de ver mudar, sem mais nem menos, ao sabor dos nossos sonhos. Vontade nunca há de faltar nesse instinto de querer mudar a direção do vento e brilhar em novos sóis diante do eterno. Sempre inédito o sabor de tudo, sejam pássaros, sejam flores.

Nessa fome de transformação que sacode o desejo das criaturas impera a determinação de um poder avassalador que impõe justiça a cada hora. Assim será no transcorrer das gerações infindáveis. Enquanto dentro das pessoas essa fragilidade assusta, uma pequenez surpreendente contudo se possui na quantidade necessária de imaginar ser liberto e tocar em frente. Nisso persistirá o ímpeto de viver a todo custo, qual espécie de sentença maior que se cumpre diante dos dias e dos séculos.

Mesmo que correr, fugir, não haverá de haver meios sem a restrição do tempo e do espaço, somos meras peças de ação; vive-se o condicionamento das forças da natureza que circunscrevem as eras em volta da gente. Em nós essas argolas dominam, ferem e conduzem. O que vem logo depois nunca antes teria vindo. Eternidade pensante estabeleceu, pois, o tanto de existir dessas criaturas alienígenas que o soemos. Buscar melhor definição resta aos olhos dos menos avisados que insistem acreditar no impossível das percepções imaginárias.

De certo, portanto, estamos aqui às portas do inesperado de todo momento, quais expectadores de um teatro  em que parece estejamos a representar e a assistir, sem conhecer o texto e muito menos o argumento. Nós conosco próprios, a viver na sua face necessidade de viver, dotados das mínimas condições de cumprir roteiro até então por demais desconhecido. Nós, senhores de mundos ainda inexistentes, experimentos de Alguém jamais visto, autor do quanto herdamos e tocamos adiante neste mar de lamúrias e oportunidades esplendorosas.  

Ego, o deus das ilusões - Por: Emerson Monteiro


Quando o Jiva (ego) entra no Espírito e faz-se um com ele, não há mais dor nem sofrimento.
Râmakrishna

O outro lado de si mesmo, uma região da pessoa voltada sobretudo para os motivos da matéria, como se os achasse início e fim das existências. De que modo trabalhar esse conceito sem correr o risco de falar de tudo quanto já conhecemos dos percalços deste chão alucinante? Porém a ele compete isso, testar o avanço das criaturas rumo da perfeição que tanto buscam. Sustentar os Espíritos vivendo aqui neste mundo enquanto durar o fascínio dessa ilusão que sustem os sobrevoos aos páramos da Luz maior.

Bem essa a função do lado sombrio das criaturas humanas, o território intermediário entre o princípio e a completude da consciência individual. Sempre observo isto de que o Ego tem sua destinação matemática nas funções da natureza individual.

Uns execram esse agente de transformação à base do desencanto das estações da vida, até quando, lá um dia, revelará por destinação quanto de riquezas dispomos nos nossos seres em formação, passados depois os transtornos daquilo que antes houve por conta das ações e dos sabores físicos, materiais prazerosos, desfaçatez das visões estreitas do deus vilão das madrugadas impuras.

...

Há em nós, por isso, a fase primária da experiência humana, território desse domínio precário do senhor da matéria, no encalço da parte essencial do grande Todo. Neste universo, tudo tem sua razão de ser. Nada passa ao largo da evolução. Somatório dos esforços, desde sempre reunimos na Unidade primordial dos dois lados os valores em movimento. Jamais desfazer do inimigo (Amai os vossos inimigos, disse Jesus-Cristo), pois um dia ele saberá o que faz, e também chegará à Luz.

Jeito bom de administrar essas parciais adversidades significa a compreensão de verdades antes relativas, até quando chegue à Verdade absoluta. E somos nós esses protagonistas da compreensão do que existe no espaço entre ideias e sentimentos, autores da plena virtude na presença de Deus.

(Ilustração: A visão de Tondal, de Hieronymus Bosch).


11 janeiro 2022

O tempo e o Infinito - Por: Emerson Monteiro


Nesta região sul do Ceará, denominada Cariri, existe uma formação montanhosa característica, a Chapada do Araripe. Do lado Poente dessa chapada, logo nas proximidades da encosta, são encontrados longos veios calcários que oferecem substanciais e nítidos registros pré-históricos do Período Cretáceo, último período da Era Mesozoica, de aproximadamente 130 milhões de anos, que, segundo estudos, seriam originários da época quando surgiram as flores na formação da vida nesta Terra. E na cidade de Santana do Cariri, localizada nesse sítio, funciona um Museu de Fósseis de rico acervo, pertencente à Universidade Regional do Cariri, dotado de peças fossilizadas de vegetais e animais daquele período geológico, aberto à visitação, considerado o terceiro melhor equipamento em nosso País.

Bom, tudo isso eu disse na intenção de justificar um sonho que tive recentemente. Via adiante longo itinerário pelo qual avançara no tempo, algo em torno de dois milhões de anos depois de agora. Fora longe, bem longe. Recordava de poucos detalhes daquele tempo visionário; observava, no entanto, a cor azul como a de maior intensidade qual característica do lugar lá onde me achava então. Mas algo chamou minha atenção, a querer recordar o que vivera aqui no passado das eras, em mundo distante, remoto, ausente. E senti saudade deste lugar e de onde eu hoje sou.

Quis imaginar qual a possibilidade do regresso aos meus inícios e sentir de novo o quanto das emoções atuais. Nisso mergulhava no trilho de onde viera, espécie de linha tênue a se projetar no vácuo do Infinito, na intenção de regressar. Num impulso voluntário, temeroso, avançava pela trilha e, depois de reduzir tudo a um único ponto minúsculo, simplesmente o via sumir em um nada absoluto, sem que nem contivesse na memória o que quer que fosse deste tempo em que ora estou. Isso em hipotéticos dois milhões de anos do sonho.

Avaliemos pois o quanto possui de poder a força da imaginação, que propicia a tantos o recurso de mobilizar o instante do presente aos pousos remotos e inalcançáveis, condão do pensamento e do sentimento, num dispor das criaturas humanas nessas maravilhas da Criação, e ver o tempo se diluir no Infinito e sumirmos juntos.

10 janeiro 2022

Ainda que digam - Por: Emerson Monteiro


O termo veio do Oriente, Maya, ilusão, mecanismo por demais regente de tudo quanto há nas aparências dentro do que aqui vivemos. Conceito de explicar a fatuidade das circunstâncias, no entanto aonde buscar senão através delas razão do quanto existe?! Deste modo, nestes tempos bem de agora, cercados das tantas contradições que nos dominam, contudo temos de prosseguir até devolver à realidade suas fantasias e viver perante o desconhecido avassalador. Países ricos, outros pobres. Exploração dos recursos naturais de jeito arrevesado. Competição exacerbada no seio das comunas. Nações que escravizam seus próprios povos. Outras que apenas desejam dominar o estado de coisas a toque de caixa. Ciência que explora em si os segredos da natureza a interesse particular, em sacrifício das massas delirantes. Avanços inimagináveis dos meios técnicos e poucos frutos em favor da grande maioria. Propostas que se diluíram na história sem avanços e soluções coletivas. Perdas da destinação por conta dos desejos só dos grupos que escravizam. Fome de ânimo e confiança nos líderes que surgem, tais lobos em pele de cordeiros. Máquinas de dominação; vejam em que viraram os famigerados instrumentos de governo. Espécie de letargia avança sobre o senso do pensamento, o que antes parecia atender à sede humana de fraternidade e avanços comunitários. Quadro um tanto dantesco, porém que merece reflexão e atitude numa menor fração possível de tempo, sob o peso das urgentes necessidades e da continuação das existências. Valores têm que vir à tona num momento da mais importante transformação de que carecemos durante as civilizações. Algo que signifique uma visão justa, fraterna, esclarecida. Enquanto isto, contamos o excesso de população a clamar coerência dos comandos, numa crise de justiça, de paz, de respeito entre os seres humanos qual nunca vista ou imaginada. Ao grosso modo, atravessamos um choque de realidade superior à nítida potência de superação. Lá desde longe havia sinais desses tempos, todavia encobertos pelo jogo de interesse dos poderosos. Eis, assim, o retrato fiel de uma fase que indica sobretudo antevéspera de profundas mudanças a título de sobrevivência e exige consciência de quantos alimentam o sonho de harmonia e felicidade aos herdeiros do Sol.

09 janeiro 2022

Sempre assim será - Por: Emerson Monteiro


De pleno acordo que os acontecimentos deitam e rolam na esteira do quanto existe, seja dentro da gente, seja lá fora nas visões apaixonadas. Quais folhas soltas de livros maravilhosos, pisamos as estrelas e fazemos disto nosso rastro, caminheiros de jornada inesquecível, a nossa evolução, o nosso valor diante das noites do Tempo eterno. Amantes de melodias sublimes, tocamos o barco e plantamos a semente de nós mesmos pelas florestas da felicidade. Divisamos nisso as tantas oportunidades que guardávamos conosco em rios de alegria.

Esses seres valiosos que vivem aqui neste universo sem fim, temos em nossas mãos o amor ao mistério e recriamos esperança todo momento. E saber de bom grado o poder que alimentamos em nós quando tocamos esta vida em forma dos véus de verdades inigualáveis. Puros seres em formação. Matéria prima dos frutos divinos, tais seremos face ao destino.

Aparentemente, às vezes o tempo fecha e ficamos à margem dos resultados, feitos de solidão e desamor, no entanto ferrenhos defensores dos melhores céus. Porquanto fomos talhados às galáxias. vagos heróis de lendas sublimes, e divisamos a trilha da sorte, delas herdeiros e senhores, desde que respeitemos a chance de plantar paz no coração das criaturas...

Longas, infinitas, profundas vivências já guardamos das memórias do caminhar, pois. Nem nas hipóteses mais extremas sofreremos a perda desse investimento da Natureza a quem pertencemos. Sustentar o dever de realização do Ser que guardamos em cada um significa isto, viver o senso da Consciência e colher as flores da certeza na alma dos instantes a que pertencemos. Horas a fio, sonhar e desvendar os sonhos. Constituir a essência de tudo quanto aqui prospera e que administramos na perpetuação. Todavia acender luzes em nossos sentimentos e transformar o mundo das nossas almas, uma religião natural de tudo, enfim.

08 janeiro 2022

Ao modo de crônica-registro-revelação – por José Luís Lira (*)

   No calendário da Igreja Apostólica Romana a Festa de Reis é também a Epifania (revelação) do Senhor, celebrada no domingo passado. Antes se celebrava no dia 6 de janeiro que é, também, o dia da gratidão, seguido do dia 7 com a Liberdade de Cultos grafada no calendário cívico. E nesta data de hoje, dia 8, lembramos o dia do fotógrafo e amanhã é a solenidade do Batismo do Senhor. Neste domingo, ainda, rememoramos os 200 anos do Dia do Fico quando o então Príncipe Português Dom Pedro de Alcântara, futuro Dom Pedro I, decidiu ficar no Brasil e assim lançava, digamos assim, os fundamentos da Independência do Brasil que ocorreria em 7 de setembro de 1822.

    São celebradas religiosas de grande importância para nossa Igreja Católica Apostólica Romana e nos deixam em júbilo: a festa de Reis, as solenidades da epifania e batismo do Senhor. Deus seja Louvado! 

  Também o calendário cívico traz o dia da gratidão. Buscando um significado para gratidão encontraremos: “um sentimento de reconhecimento, uma emoção por saber que uma pessoa fez uma boa ação, um auxílio, em favor de outra”. E como é belo ser grato. Gratidão sempre por tudo o que recebemos, incluindo gratidão a Deus que todos os dias nos premia com maravilhas às quais nem sempre agradecemos. É bom refletir.

   A liberdade de cultos é uma dádiva do constitucionalismo assegurada no Estado Democrático de Direito. Essa liberdade de culto foi sendo edificada no dia-a-dia e nela não podemos deixar de lembrar o respeito aos diferentes credos. Todos o direito de exercer nossa religiosidade sem querer interferir ou ferir mesmo a religião do outro e os que assim agimos também gostamos de reciprocidade de respeito. Respeitar não é ter que participar do culto do outro. É permitir que ele faça seu culto e não o tentemos convencer disso ou daquilo. Evangelizar é uma missão dos que acreditam na palavra salvífica de Jesus. E aqui me lembro do Evangelista Marcos (9, 38-39) quando João chega ao Mestre e diz: “Mestre, vimos um homem que, em teu nome, estava expulsando demônios e procuramos impedi-lo; pois, afinal, ele não era um dos nossos”. E o Mestre respondeu: “Não o impeçais!”.

     O dia do fotógrafo me é muito caro. Não sou fotógrafo profissional como nosso amigo Marcildo Brito, mas, tenho uma predileção pela fotografia. Acho um registro fantástico. Vez por outra me deparo com antigas fotografias e pareço viajar no tempo. A este respeito, todos sabem, participo de trabalhos de reconstrução facial a partir de fotos de crânios de personalidades e de santos, juntamente com meu amigo Cícero Moraes. Essas reconstruções faciais a mim sempre me pareceram um “retrato”, uma fotografia que nos foi enviada do passado. Assim fizemos Dom Pedro I, em 2018, o que relaciona o tema ao Dia do Fico. Nos últimos dias do ano passado e nestes primeiros dias de ano novo trabalhamos São Vicente de Paulo e, em breve, contemplaremos sua aproximação facial.

   No próximo dia 13 celebraremos o segundo ano de eternidade do Pe. Osvaldo Carneiro Chaves. Imagino seu sorriso vendo essa observação lá do Céu. A sua bênção, Pe. Osvaldo!

    Essas celebrações dão continuidade ao Natal e iniciam o ano e que Deus nos livre da pandemia que aflige ao mundo. A recomendação é seguir a ciência e que cada um de nós, façamos nossa parte.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.

 

07 janeiro 2022

Tempo, o vertedouro dos carismas - Por: Emerson Monteiro


Há o tempo psicológico e o tempo real. Um que passa, de acordo com as impressões pessoais. E um que é eterno, inclusive dentro da própria pessoa. Porém, de comum, na flor das águas só se enxerga a matriz das ilusões, senhor do ego, que manda e desmanda nos focos e nos objetos e desaparece logo depois das ansiedades humanas. Sem qualquer esforço, o que a gente imagina ser real porém sem nenhum fundamento, pois some numa velocidade estúpida. E as pessoas baixam a cabeça diante das impossibilidades de dominar esse ente misterioso. Veem-se dominadas, e tudo bem, que outra senão essa alternativa frustrada?!

Contudo correr na busca de reverter aquele sentido que parece único eis a porta da libertação dessa escravidão ao tempo-matéria, tempo-ilusão. Dito isso, vem a vontade transcendental de sobreviver às ilusões. Transferir ao outro universo a força vital. Recriar o momento. Ressuscitar da lama do chão.

Tarefa por demais insana para a grande maioria, a anestesiada pela ilusão, alguns mergulham fundo nas águas desse mar de que falam os místicos. Avançam nas tradições e, por vezes, chegam a presenciar o outro lado das imagens, no espelho do tempo real. Têm que renunciar ao desejo de dominação das coisas e criaturas. Baixar a fome da ignorância e descobrir a fonte do mistério.

...

Qual quem procura na essência de Si, renunciam ao brilho fosco do imediato e largam os apegos. Nem parece a voz geral que impõe condições inarredáveis ao vulgo. Largam de admitir a velocidade com que tudo parece escorrer das lâminas da matéria e deixar de lado as possibilidades do processo vida. Que assim tem sido, que assim possa continuar, que o tempo não para e algo deve ocorrer às malhas dos destinos. Entretanto disso já se sabe o final, enquanto resta achar o outro universo de Si mesmo nas ondas fortes desse mar. Tais de um sonho lá um dia despertarão noutro Universo de pura luz, a plena Realidade.

05 janeiro 2022

A fome da compreensão - Por: Emerson Monteiro


Busca das derradeiras peças desse quebra-cabeça monumental dos seres humanos, contam então os retalhos mais raros que fecharam o jogo das Escrituras. Chafurdaram na lama dos milênios em viagens alucinadas e paradas homéricas pelos corredores da ambição, e quase agora divisam extremos nos limites que se apresentam. Lá bem mais perto do que pensavam ficam as margens desse desconhecido e seus dentes afiados. Quantas civilizações, quantos dramas e restos de cenário que falaram disso, da ausência de reais sentimentos nos corações humanos.

No entanto ninguém destruiu a esperança de tantos, ainda que tontos de respostas. Existem os heróis anônimos, silenciosos e suas vitórias de resistência a toda prova. Heróis, afinal. Nomes que nem sempre ficaram guardados nas páginas da História. Razão de sobrevivência da raça, eles dormem felizes às sombras dos séculos. Isso porque persiste a Justiça real que impera nos ares do Infinito.

Vive-se hoje espécie de prestação de contas dos tempos, em fase crucial das tantas humanidades que aqui passaram. Ninguém que disso possa duvidar. São os sinais dos tempos dos povos. Tipo de saturação dos abusos até aqui praticados às leis naturais, principiam os efeitos de tudo que plantaram. A quem muito foi dado mais lhe será pedido, nas palavras de Jesus-Cristo.

Na década de 60, falavam em apocalípticos e integrados. Só diminutas dúvidas ficaram daquilo, daqueles tempos aflitos. Alienação deixou de ser palavra de ordem e conduziu o barco dos dias até que vemos em que redundou, nessa pasta escura de máquinas e mercados. Os indivíduos quais meros instrumentos de sistema global alucinante padecem de medo e fome.

Veja bem, e quero achar o fio condutor dentro desse quadro surrealista. Fruto das largas experiências em esgotamento, chegamos ao ponto de mergulhar em nós próprios e desvendar, por fim, o mistério de que fazer parte integrante da Natureza. Religião de todas elas reunidas, aos viventes deste Chão significa encontrar o foco essencial de Si mesmo e solucionar o enigma da Criação inevitável.

04 janeiro 2022

Lembranças eternas - Por: Emerson Monteiro


Desde lá de longe que guardo comigo essa impressão das vidas vividas noutros quadrantes inimagináveis em termos atuais. No íntimo das eras, bem de remotas camadas, há uma memória independente de mim. Ondas sucessivas de lembranças que invadem, na maior sem cerimônia, o salão das festas do pensamento e trazem às vezes essas recordações dos tempos idos nas distâncias quiméricas. Acho que todos são assim, esses memorialistas inveterados daqui do Chão. Calados, arrastam fiapos das vivências que restaram gravadas pelos lastros desaparecidos das passadas existências. Disso daqui que ninguém foge, ainda que deseje e nem sabe o que seja, nem de onde veio. Nesse esforço das tantas horas, caem por terra certezas que carregavam consigo na mochila do tempo, no entanto andarilhos largados nos próprios passos à procura do Infinito das eras.

Eis bem o que somos, haustos de memórias trazidos no decorrer das gerações donde viemos e aonde iremos, num intervalo esquisito que somos agora entre as paredes desse corredor. Juntamos os fragmentos das existências que conhecemos e nos conheceram, tais perdidos náufragos dos dias esquecidos pelas estradas de nós mesmos. Tangemos desse modo o rebanho dos nossos eus que recuperam sonhos e alimentam encontros inesperados de si na vastidão dos hemisférios que significamos.

Afinamos o instrumento da sorte do que seremos um dia de tudo. Compomos a longa maestria de melodias encantadoras com as quais apaziguamos o Universo em nosso coração. Tocamos quantas luas nas viagens astrais que fizemos pelas galáxias do mistério, e cá nos acalentando no desejo da paz de que ouvimos falar na infância e jamais esquecemos. Domar pois a fera das nossas angústias e fixar para sempre o ritmo do Amor pleno, missão das longas noites de ilusão que largamos nas jornadas ao vento.

Pouco a pouco desvendamos, com isso, o enigma do ser que transportamos nos desertos deste mundo, na firme esperança de chegar aos céus do sentimento e permanecer na casa do nosso Pai e Senhor Nosso.

03 janeiro 2022

Certezas mais certas - Por: Emerson Monteiro


Quais reflexões soltas no espelho do Tempo, seguem os rios de gente e objetos, nessa ladeira longe dos reais conhecimentos da Verdade. Vagos sinais de depois, perduram só nalguns momentos o mais que sejam meras estatísticas criadas pela imaginação superficial. De certo em absoluto apenas vive nos rastros deixados fora, logo ali antes de agora. Queiram os maiorais e nem de longe registram algo que não seja a fuga disso. No entanto há que se tocar o barco, ainda porque fugir não existe aonde. E os orgulhos da raça imperam nas aves ansiosas pelas noites da história.

Querer diferente, ainda que desejemos porém que outro resultado vamos encontrar aguarda nas curvas desta condição de alimárias do Destino. As civilizações criam muitos personagens divinizados, querendo explicar o inexplicável. Existem deuses que encarnam figuras diversas e seus compromissos em ocorrências várias. A humanidade precisa que assim seja. Que leia nas lendas os valores que nunca dominam. Nisso, vagam entre os astros com as diversas interpretações, fruto das passadas vivências. Daí pede com gosto que seja diferente o que acontece adiante.

Em cada um habita pois esses autores nascidos pelas dores do parto da imprevisão. Padecem de causar espanto à busca de responder ao impossível. Prendem-se a manias, pensamentos, sentimentos, atitudes, apegos, prazeres e lutas, empreendimentos da fuga livre nos corredores de uma sequência natural de tudo. Tais fagulhas ao vento, deslizamos nas ondas desse mar, olhos postos em nós mesmos, vistos nos espelhos dos dias, o contrário do que somos na realidade pura.

Isso de juntar palavras dá nisto, numa flutuação inesperada de conceitos que regem o senso e, por vezes, impedem de a gente ver a nós próprios, achar o Eu que vê sem compreender o suficiente de acalmar o impulso desta comodidade e apurar o melhor, de clarear o império da Razão que vive no íntimo de todos, motivo do que somos e seremos sempre.

É Razoável Crer?



 
Nesta tarde, Cristo do Calvário, venho pedir-te por minha carne doente mas, ao ver-te, meus olhos vão e vem de teu corpo com vergonha.
Como vou queixar-me de meus pés cansados quando os teus estão destroçados?
Como mostrar minhas mãos vazias, quando as tuas estão cheias de feridas?
Como explicar-te minha solidão, quando estás só, pregado no alto da cruz?
Como explicar-te que não tenho amor, quando vejo teu coração rasgado?
Agora já não me lembro de nada, fugiram de mim todas as minhas dores.
O ímpeto da súplica que eu trazia afoga-se em minha boca imóvel.
Só quero pedir-te, para não pedir nada, estar aqui junto à tua imagem morta e aprender que a dor é somente a chave santa de tua santa porta.
Amém 

Postagem original: Via Mariana Bueno Lopes / No Caminho de Compostela

Reflexões sobre o bicentenário da nossa independência -- 2

 

O regime republicano promoveu perseguições aos monarquistas

    No campo das leis, tão logo foi instalado o novo Governo Provisório republicano - decorrente do golpe militar de 15 de novembro de 1889 -  este promulgou o Decreto nº 85, criando um tribunal de exceção, para julgar – em corte marcial – sumariamente, qualquer pessoa que ousasse modificar a forma de governo recém imposta ao povo brasileiro. E nas sucessivas 5 (cinco) efêmeras constituições republicanas (promulgadas em de 1891, 1934, 1937, 1946 e 1967) sempre constou uma cláusula pétrea proibindo qualquer tentativa de modificar a forma de governo republicana. A única exceção foi a atual e vigente Constituição de 1988. Veio,com esta última Carta Magna,  o indulto para os monarquistas terem liberdade de expressarem suas ideias. Os monarquistas foram, assim, os “últimos anistiados políticos do Brasil”.

     Ademais, desde os primeiros tempos do novo regime, com mais intensidade no segundo governo, chefiado pelo Marechal Floriano Peixoto, as autoridades republicanas promoveram violenta repressão à ideologia monárquica. Essa perseguição chegou a custar a vida de muitos patriotas brasileiros. Dentre eles citamos com profundo respeito:  o Almirante Saldanha da Gama (morto em Campo Osório); o Marechal Barão de Batovi – herói da Guerra do Paraguai – fuzilado com seus companheiros monarquistas no Estado de Santa Catarina. 


Acima, memória da  Revolta da Armada, movimento de rebelião promovido por unidades da Marinha do Brasil contra os dois primeiros governos republicanos do Brasil (leia-se Marechais Deodoro e Floriano Peixoto), por estes terem adotados feições de uma ditadura militar.O líder do movimento, Almirante Saldanha da Gama foi assassinado, pela tropas republicanas, na batalha de Campo Osório, no Rio Grande do Sul.

       Acrescentem-se à lista os trucidamentos perpetrados contra o Barão do Serro Azul e seus aliados, no Paraná; o Coronel Gentil de Castro, assassinado, após longa prisão, no Rio de Janeiro.  Também foram trucidadas, em ocasiões diversas, dezenas de ex-escravos negros, entusiastas da Princesa Isabel, quando saíam às ruas dando vivas à Redentora. Citamos ainda o Genocídio de Canudos, promovido pelos fanáticos republicanos no sertão da Bahia. Nesta página negra da nossa história, uma população inteira de sertanejos, fixada no vilarejo de Belo Monte (onde vivia a trabalhar e rezar) foi dizimada, nas três expedições militares consecutivas, deslocadas do Rio de Janeiro para promover esse massacre.

Texto e postagem: Armando Lopes Rafael

01 janeiro 2022

O Fracasso da República: No Bicentenário da nossa Independência -- a ser comemorado em 2022 -- algumas reflexões....

Marechal Deodoro da Fonseca, o "pai" da República brasileira

    
De 1822 a 1889 o Brasil foi uma nação respeitada no mundo. Em 15 de novembro de 1889, houve um golpe militar que impôs a República. Nascida através de um golpe, à revelia da vontade da população, a República simboliza os interesses de grupos e partidos, em detrimento do bem geral. Acompanhe, a partir de hoje,  dados e fatos sobre o regime republicano no Brasil.

A República em números 

Em pouco mais de 130 anos, a república acumula:


•    2 estados de sítio,
•    17 atos institucionais,
•    6 dissoluções do Congresso,
•    19 rebeliões,
•    2 renúncias presidenciais,
•    3 presidentes impedidos de tomar posse,
•    5 presidentes depostos,
•    7 Constituições diferentes,
•    2 longos períodos ditatoriais,
•    9 governos autoritários.

 Na Monarquia o Brasil era um país de Primeiro Mundo. Veja nossa posição hoje

Segundo este ranking, num total de 167 países, o Brasil está entre as piores posições em Capital Social (133º posição), Segurança (111ª) e Qualidade da Economia (102ª). Nos itens Educação, Saúde e Qualidade de Vida, que são frequentemente usadas como "prioridades" pelos políticos brasileiros, o Brasil ocupa 90ª, 58ª e 63ª posição, respectivamente. Nem mesmo para investidores e empresários o Brasil representa um local seguro, ficando na 98ª posição no ranking num total de 167 países avaliados.

Segundo o IPC, que é o principal indicador de corrupção no setor público do mundo, o Brasil, "em 2019, manteve-se no pior patamar da série histórica do Índice de Percepção da Corrupção, com apenas 35 pontos". Neste ranking, 0 significa que o país é percebido como altamente corrupto e 100 significa que o país é percebido como muito íntegro. Com 35 pontos, o Brasil ocupa a 106ª posição num total de 180 países e territórios avaliados.

 Fonte: Site Monarquia Já

Postagem de Armando Lopes Rafael

A morte da Imperatriz Thereza Christina

 A 28 de dezembro de 1889, somente quarenta dias após a Família Imperial Brasileira ter sido injustamente banida de nossa Pátria, em função da quartelada republicana de 15 de novembro daquele ano, faleceu em um hotel na Cidade do Porto, em Portugal, a Imperatriz Dona Thereza Christina, aos 67 anos de idade.

    Em seus últimos instantes de vida, Dona Thereza Christina confidenciou à Baronesa de Japurá, sua dama de companhia:
– Maria Isabel, eu não morro de doença. Morro de dor e de desgosto.

     O historiador Max Fleiuss afirma:
“Costuma-se dizer que o dia 15 de novembro foi uma revolução incruenta, feita com flores. Houve, porém, pelo menos uma vítima: a Imperatriz.”

Fonte: Leopoldo Bibiano Xavier, no livro: “Revivendo o Brasil-Império”. 1º edição, São Paulo. Artpress, 1991, páginas. 160-161.