28 dezembro 2021

As fronteiras da Razão - Por: Emerson Monteiro


Entre esta uma vez e todas as outras, nesse tabuleiro estreito da terra de ninguém, lá onde impera só o êxodo das civilizações de papel, ali moram os bruxos. Eles, seres estranhos, irreais, que carregam sacos de quinquilharias, sobras de refeições dos pássaros noturnos, asas de morcegos, cascas de árvores carcomidas, extintas, chás das ervas fantasmagônicas, perfumes exóticos, garras de animais retorcidas em noites de lua nova; tudo, por fim, que diga respeito aos mistérios das sombras adormecidas. Arrastam consigo crenças disso, num absoluto que de há muito deixou de existir nos seus mesmos corações empedernidos pela sorte agoureira, vã. Assim eles tangem seu rebanho das ilusões de viver na força dos poderes inexistentes, porém que vivem numa intensidade inimaginável dentro das cavernas escuras, e aferretam o corpo sadio das verdades deixadas cá neste mundo pelos místicos que sofreram a síndrome da perfeição e sobrevivem pelos céus.

Vemos isso a cada segundo que se extingue nas dobras dos fins das tardes bonitas do Sertão. Esses encapuzados seres que transitam ao som dos derradeiros cantos das aves do Paraíso e soltam lamentos de quem sumirá pela escuridão feitos rebotalhos de exércitos derrotados nas guerras de perpetuação das espécies abstratas. Vê quem quer e alimenta esse desejo transcendente de resistir às maldições dos que desaparecem tão logo a luz refaça na claridade das manhãs.

Vivem cheios disso, das flores do esquecimento, das relíquias dos santos que contiveram a ação devastadora do tempo. São eles os dias em sua fome voraz de triturar os anseios, que contam as lendas maravilhosas de todo instante; guardam de tudo um pouco, na trilha das almas em movimento, sem, igualmente, querer presenciar o que as memórias insistem dizer pelas estradas dos sóis.

As melhores lembranças viram, pois, trastes empoeirados nas prateleiras das casas abandonadas, tomadas por entes vazios, deixados apagados nas lareiras do transitório, que de lá nunca voltaram. Recordações, saudades, apegos que foram embora e perderam aqui suas tais quimeras de contos esquecidos em reinos bem distantes e eternos.   

Registros históricos - Por: Emerson Monteiro


Hoje à tarde, em conversa com Gabriel, meu neto, vim a conhecer esta história da Segunda Grande Guerra, página dolorosa da Humanidade, episódio que fui pesquisar e aprofundar, que trata do seguinte acontecimento:

Sabe-se na história que o efetivo brasileiro entrou na luta junto das tropas aliadas no dia 02 de julho de 1944, incorporadas ao 5º. Exército dos Estados Unidos, data em que embarcaram 25 mil dos nossos soltados com destino à frente da Itália. No fragor da batalha, a FEB – Força Expedicionária Brasileira, cumpriria das mais cruentas missões, dentre essas a tomada de Montese, Fornovo e Monte Castelo.

Diante da tomada de Montese foi que ocorreu a história que quero aqui contar, isto quando três soldados brasileiros, em patrulha no campo daquela região, deram de cara com nada menos uma companhia inteira do Exército alemão, algo em torno de 100 homens, e não aceitaram a rendição, partindo para o confronto direto, sem outra alternativa que fosse existir, encararam com denodo a contingencia. Era o dia 14 de abril de 1945. Assim, eles resolveram defrontar o inimigo, pelejando até o derradeiro cartucho de munição, sendo em consequência eliminados pelos soltados alemães.

A coragem dos brasileiros, no entanto, impressionou sobremaneira até o comandante germânico, que ao enterrá-los apôs sobre a cova uma placa com os dizeres Drei Brasilianische Helden, Três Heróis Brasileiros.

Eram seus nomes: Geraldo Baêta da Cruz, de 28 anos, vindo de Entre Rios de Minas, Geraldo Rodrigues de Souza, 26 anos, natural de Rio Preto na Zona da Mata, e Arlindo Lúcio da Silva, de 25 anos, proveniente de São João del Rey.

Eis uma das tantas páginas que honram a nossa Pátria e demonstram o brio de nossa gente altiva e trabalhadora, de que jamais devemos nos esquecer.