09 novembro 2021

A contabilidade desta vida - Por: Emerson Monteiro


Tem gente que nem de longe deseja saber disso, de prestar contas deste mundo tão gostoso. Assim, recebe de um tudo, surfa nas planilhas da existência, usufrui do bom e do melhor da Natureza, respira ar puro, bebe água limpa, etc., etc., e acha que fica por isso mesmo, os bônus do acaso. Claro que não é bem desse jeito, pôs ainda tem que trabalhar, caminhar, tomar banho, viajar, estudar, etc., se não arrastaria de graça todos os prazeres daqui do Chão. No entanto, depois de tanto esforço de ser feliz, esquece as normas do procedimento de viver. Que teremos de respeitar os semelhantes, obedecer aos códigos, pagar boletos, morar, comer, vestir, educar a família, envelhecer, por vezes adoecer, quem sabe até morrer lá um dia?!

Bom, nisso há um conta corrente preso ao tempo do corpo, onde são contabilizados os débitos e créditos do que fazemos, instante a instante. Máquina perfeita, a Justiça maior anota tudo, numa escrituração magistral daquilo que fazemos dos direitos, e iremos responder dentro das normas exatas o quanto produzimos de resultados. Com a mesma exatidão de que fomos construídos nestes corpos destinados ao aprendizado evolutivo, cá vamos nós pelo caminho de aprimoramento, porém sujeitos às consequências dos nossos atos.

Muitos, talvez, poucas vezes imaginam ser desse modo, que haveremos de prestar contas lá adiante, ao cruzar a alfândega da Eternidade; e nisso esquecem a responsabilidade do viver, indiferentes à justeza da Perfeição que rege tudo, no piso das histórias universais. Fugir, não tem essa chance. Daí, ficar atônitos ou indiferentes aos pressupostos do Destino exige carga pesada de alienação e compromisso ao mesmo tempo. Só se arrepender é pouco, lá depois. Precisa cuidar, o quanto antes, de aprimorar a consciência e melhorar os praticados, na Lei do Merecimento. Largas oportunidades estão bem aqui às nossas barbas, chances multiplicadas a cada momento de exercitar esse destino individual em nossas mãos, agora. Os orientais denominam isto de Carma, ou contabilidade desta vida.

(Ilustração: O julgamento final, de Hieronymus Bosch).

Vem aí o feriado de 15 de Novembro -- por Armando Lopes Rafael

Crato tem “tradição republicana”, certo?... errado! 

    Hoje analisaremos esta falácia. A segunda-feira próxima – 15 de novembro de 2021 – assinalará os 132 anos do golpe que implantou a república no Brasil. E qual é a falácia?  A de que a cidade do Crato possui “tradição republicana(SIC). Vá lá! Todo povo tem direito a alguns “ôba-ôbas”. Crato também tem. Mas esse “ôba-ôba”  não parte do povo cratense, pois o  povo “não está nem aí” para o feriado de 15 de Novembro. A falácia vem de uma minoria de pessoas, já na ancianidade. Ou seja, é oriunda da minoria de parte da população cratense avançada nos anos.

     Mas o fato é que -- vez por outra --, ouvimos alguém alardear a falsa “tradição republicana” de Crato. Que nunca existiu no passado. Nem existe nos tempos atuais. Trata-se de um devaneio...  Começo por lembrar que o aniversário do golpe que implantou a república nunca foi comemorado em Crato. Nesta cidade o povo comemora muitas datas: 7 de setembro, 21 de Junho, 1º de setembro (Nossa Senhora da Penha), 19 de março (São José). Também festeja as datas de outros santos como São Francisco, São João, São Pedro... Agora, “comemoração” no dia 15 de Novembro – data da “Proclamação da República” – nunca se viu.

     E por que isso acontece? Ora, Crato, durante 149 anos viveu sob a monarquia (de 1740 quando foi fundado, até 1889 quando uma minoria de oficiais militares empurrou goela abaixo da população a forma de governo republicana). Não se apaga facilmente um século e meio na vida de um povo.  Tanto isso é verdade que, ainda hoje, quando o povo reconhece méritos ou qualidades acima do comum – em certas pessoas – costuma dar-lhe o título de “Rei”. Por isso tivemos ou temos: “O Rei Pelé”, “O Rei Roberto Carlos”, “O Rei do Baião” etc. E o que dizer dos concursos que se realizam para escolha da “Rainha do Colégio”, “Rainha da Exposição”? e de nomes de lojas como “O Rei da Feijoada”, “O Império das Tintas”? Ou nomes por demais conhecidos como “Cidade Princesa do Cariri”, “Imperatriz do Crato (sua Padroeira, Nossa Senhora da Penha), “Rádio Princesa FM”, “Colégio Pequeno Príncipe”?etc.etc.

     Portanto, é um mito sem consistência essa alardeada “tradição republicana” de Crato. Precisamos ter coragem para proclamar isto, pois ela não reflete a realidade. Ainda não se conseguiu sensibilizar as camadas populares para comemorar, em Crato, o golpe militar que impôs no Brasil essa fracassada República. Sempre foi assim. Assim sempre será.

      Mais uma vez, o próximo 15 de novembro terá repartições públicas e escolas fechadas. Mas pouquíssimas pessoas saberão explicar a razão desse inopinado feriado...