24 outubro 2021

Outubro poético – por José Luís Lira (*)


   O Dia do Poeta e da Poesia são distintos no Brasil. Conforme dados oficiais, o dia 20 de outubro é o Dia do Poeta, data escolhida para celebrar o dia 20 de outubro de 1976, quando em São Paulo, surgia o Movimento Poético Nacional, na casa do intelectual Paulo Menotti Del Picchia.

   O Dia Nacional da Poesia já foi celebrado em 14 de março, em caráter não-oficial. A data de nascimento do poeta Castro Alves, 14 de março de 1847. Em 31 de outubro, celebra-se, oficialmente, o Dia Nacional da Poesia, em homenagem ao nascimento do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade (Lei Federal 13.131, de 3 de janeiro de 2015, em vigor).   Ainda existe o Dia Mundial da Poesia, em 21 de março, que celebra a nível internacional a Poesia. Esta data foi criada pela UNESCO, em 16 de novembro de 1999.

   Nos últimos dias li um jovem poeta que em breve dará uma demonstração de sua poesia em publicação. É o meu colega de profissão no Direito e amigo Dr. Macsimus Duarte. Li, também, a poesia madura de Erivalda Ximenes Paiva. Recebi seu livro de presente no dia em que palestrei sobre meu patrono na Academia Groairense de Letras, Mons. Luís Ximenes de Aragão Freire, também poeta, no dia 10/11/2018, há quase três anos. O título de seu livro é “Na melodia da madrugada”. E eu fico a me indagar sobre quem é mais amigo do poeta que madrugada. A autora abre seu livro com “A Saudade” que “No coração faz morada/ grudada à alma da gente/ não nos larga nem por nada/ água que desce em torrente”. E segue com “A Profecia”: “No poema vejo a profecia/ dizendo que n’alma lhe vai/ na caneta as palavras vão nascendo/ humano, divo a essência se sobressai”. E volta à saudade que “Invade a alma da gente/ vai percorrendo caminhos/ deixando-nos consciente/ que não estamos sozinhos”. “E a saudade é assim/ esse pequeno sinal/ que parece não ter fim”.

   A autora homenageia sua terra, sua paróquia, sua padroeira, seus párocos, destacando o Mons. Cleano Tavares que é tão presente na Academia Groairense. Mas, também fala dos amores humanos, da natureza e conclama: “Capte as mensagens/ do amanhecer/ que está no ar/ e que só os que amam/ podem perceber, e até falar”.

   Homenageando sua mãe, Erivalda faz prece: “Minha doce mãe como é bom te amar/ E pedindo a Deus numa prece sozinha/ Para que ELE venha lhe abençoar”. “Enlevo uma prece e oração/ Anjo de bondade a cuidar com desvelo/ Do filho pequeno todo amor e esmero”.

   O sertão não é esquecido e “As plantações estão floridas/ Nos pendões dos milharais/ É do meu sertão querido/ Tudo isso e muito mais”. “E breve se colherá”. A poetisa ou poeta, como preferem alguns, tem tão belos poemas que cabe ao leitor averiguar. Por isso recomendo a leitura de sua poesia que invade a alma e faz a gente sonhar. Parabéns, Confreira.

   Dedico esta coluna às Professoras Efigênia Alves, Maria Fernandes, Esliane Brito, tia Madá (Madalena Ribeiro, minha professora nos tempos de colegial) e aos alunos do Fundamental II – turmas do 6°, 7°, 8° e 9° ano do Colégio Oriento, de Guaraciaba do Norte, que me convidaram para participar da 19ª edição do PLICO – Projeto Literário do Colégio Oriento, num Café Literário. Perguntas inteligentes, espaço agradável. Excelente acolhida! Sigam em frente. A poesia e a literatura ganharão excelentes autores desse projeto!
    

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.