12 outubro 2021

Ter fé - Por: Emerson Monteiro


Fé é isto, de ter a força de nunca desistir. Ter a raça e o pudor de enfrentar o que vier, livre do que aconteça no decorrer da resistência. Furor de coragem indômita. Pendor a exerce a função de sobrevivente dos incontáveis vendavais em meio aos escombros do inesperado. Superar a si mesmo nas condições de imaginar saídas impossíveis, nas noites mais escuras. Sustentar o ânimo, inclusive dos que estejam por perto. Fé, além da crença, na certeza plena de dominar temores e repousar na paz da consciência, instrumento de atravessar desertos e mares bravios. A mística dos deuses, de trazer sempre o amuleto de todas as luzes e de todos os santos. Confrontar o inderrogável, nas cenas brutais da película. Aceitar seguir o caminho limpo de Deus qual herói das próprias aventuras. Alma soberana dos altares medievais. Gladiador dos coliseus da virtude e amante do amor verdadeiro durante as eras remotas da Cristandade. Senhor de novos sonhos, autor das epopeias maravilhosas da realização de tudo quanto de bom existe, aonde assim esteja, no vigor das gerações.

Querer e poder, à medida do empenho das forças, na essência de si, valor maior da existência e caminho de superação dos limites humanos. Ser senhor da vontade e conduzir a Salvação pelas dobras sombrias dos instintos. Viver qual quem reconhece a que veio.

Acreditar no inacreditável, pois, mesmo face ao desespero, o gênero humano carece das convicções definitivas nos valores puros, na ciência da Natureza, nos pendores da imortalidade, da justiça, nos patamares eternos, sob o sentido absoluto da Inteligência Suprema, senhor de todas as leis. Aceitar de bom grado a mensagem dos espíritos que nos indicam reais objetivos e razão de estarmos aqui. No silêncio dessa história de tanta beleza que habita o nosso ser interior, quedarmo-nos de corações contritos aos braços da Esperança, calma que nos alimenta e evolui.

(Ilustração: O Angelus, de Jean-François Millet).