08 outubro 2021

A busca incessante da realização do Ser - Por: Emerson Monteiro


São tantos esses momentos, dos quais só alguns inesquecíveis. Na alma da gente, bem ali, pulsa vivo o coração; porém, numas quantas intensidades, o que determina continuar, o que prevalece no decorrer da Eternidade. É o som vago dessas harmonias, que cresce no mais íntimo das criaturas e ecoa ao longe, pelo Universo inteiro. Lembranças de razões marcantes que permaneceram, das vivências, das emoções, que determinaram a sequência natural da sobrevivência do ser; ânsias, lamentos e sonhos que permanecem guardados desde sempre, determinações que conduziram nossos passos rumo da felicidade.

Inúmeras vezes, elas regressam na forma de recordações; tristes ou felizes; sobrenadando por dentro das pessoas quais restos dos naufrágios antigos que teremos sido. Chegam, batem os porões da percepção e pedem que sejam ouvidas, espécies animadas que persistem e crescem à medida dos próprios desejos, pois adquirem vida íntima. Nem sei de que mundos regressam, tão incólumes e faceiras. Sei, sim, que avançam e dominam o território da presença nas pessoas. Gritam, revivem, sustentam, onde estejamos, a criar espaços intermináveis entre hoje e nunca mais, longas pontes do Infinito ao Desconhecido.

Preenchem espaços no pensamento, nos bastidores dos dias, até dominar as asas da imaginação e mergulhar o firmamento da memória; vivemos, assim, submissos dessas visagens do passado que nos dominam e crescem, senhoras feiticeiras de reinos encantados, restos de filmes de antigamente.

Do pouco que ora esquecemos do poder dessas influências misteriosas, disso a gente alimenta vorazmente o que restava de significarmos. Trabalho inevitável,  urgente, das sobras desses fantasmas, daquilo reconstruímos o ser que ora somos. Arquitetamos fugir sobre o abismo das horas mortas, e tricotamos tecidos de esperança, a revelar faces novas. Alienígenas de nós mesmos, batemos muitas portas à procura do que a gente seja de verdade. Fervilhamos pântanos, sobrevoamos hemisférios, experimentamos existências, enquanto a Paz crepita em nossas entranhas, no poder maior da Consciência eterna que nos aguarda logo adiante.

Formação do Cristianismo de Eliandro Nascimento – por José Luís Lira (*)

   Desde que foi lançado, em 2020, fiquei curioso em ler o livro do colega de magistério e investigador científico, Prof. Francisco Eliandro do Nascimento, doutorando em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará. Eliandro é tão presente nos cursos de Direito, onde leciona Filosofia Jurídica, que achei que ele era formado em Direito. Além do amor pelo Direito e pela Filosofia temos alguns elos, entre os quais a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), de onde ele é egresso e onde eu leciono desde 2004, no Curso de Direito, e o maior deles: a amizade e admiração que temos por um dos maiores filósofos de nossos tempos e eu ainda tenho a honra de ostentar que fui professor dele, o Mestre – literalmente Mestre – José Cândido Fernandes. Eu tenho consciência de que mais aprendi do que ensinei ao Mestre Cândido, mas, gosto de destacar essa faceta.

   E apresentando o segundo livro de nosso autor, Eliandro Nascimento, “A Formação do Cristianismo e as Contradições das Culturas Grega, Romana e Judaica”, editado pela AIAMIS, em rápidas palavras, o Mestre Cândido aponta as bases do trabalho de Eliandro: “Com carisma, mística, espiritualidade, e compromisso, que lhe são peculiares, elaborou uma ampla e profunda pesquisa: exegética, histórica, filosófica e teológica. Produzindo assim um texto bem estruturado, organizado, documentado e bem enriquecido” e recomenda o trabalho aos interessados e estudiosos do tema, como “grande contribuição”. Inicialmente, o Mestre Eliandro nos diz seu principal objetivo neste livro: “realizar uma análise do conceito ‘Plenitude dos Tempos’ utilizado por Paulo e compreender o contexto histórico, filosófico e teológico da formação do Cristianismo”. 

   A estrutura do livro se dá em quatro capítulos principais, excluindo-se prefácio, apresentação, introdução, considerações finais, posfácio e bibliografia, esta que dá suporte ao trabalho. Assim temos uma leitura d’a Plenitude dos Tempos; a contribuição dos Gregos, com a língua grega, a filosofia grega, a presença de Alexandre, o Grande, conclui este capítulo; a contribuição dos romanos, com contexto histórico de Roma, a pax romana e a engenharia de Roma. E aqui, permito-me abrir parênteses, em que a engenharia romana contribuiu para a divulgação do cristianismo? Conforme nosso autor, “Roma havia desenvolvido, a partir da perspectiva de um mundo globalizado, um sistema de estradas nunca visto antes em nenhum momento histórico”, ressaltando ainda que eles “implementaram um ideal de lei universal”. Assim, foi por essas estradas que Paulo, p. ex., leva a mensagem cristã a pontos variados. Destaca a Via Ápia. E quantos cristãos foram martirizados nessa Via? Incontáveis. 

   Finalmente, em quarto capítulo, o autor elenca o “irmão mais velho do cristianismo”, o judaísmo, com a história dos judeus que é tão originária para o cristianismo, o monoteísmo e as sinagogas que são, também, bases para o cristianismo, visto que acreditamos num só Deus, trino, mas, um só Deus e nossos templos, nossas Igrejas. Aqui o próprio Eliandro lembra-nos que judaísmo espera um Messias e, nós, cristãos, o vemos em Jesus, o Cristo.

   Este espaço é breve e serve para recomendar a leitura deste importante trabalho e parabenizar ao autor por sua contribuição à historiografia cristã.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.