24 setembro 2021

O silêncio de todos nós - Por: Emerson Monteiro


Isso que somos agora, loterias de movimento incessante. Em cada cabeça uma sentença. Todos, sem nenhuma exceção, aqui, neste exato momento, trazemos a interrogação e resposta de nossos dias. Valor inestimável, teremos cá de dentro a resposta dos nossos sonhos. Bem isto, o fruto de todos os dias, painéis em constante formação, eis o que o somos. Aparentemente senhores de si, no entanto um jogo de claro-escuro pela vida afora. Dois lados do mesmo grão, trabalhamos a necessidade urgente de harmonia. Colhemos a todo instante essas fagulhas desta fornalha.

É que viemos a fim de resolver de vez a equação do Destino, o que passa dentro da gente feita razão de tudo quanto há, durante todo tempo. Esses dois seres extremos em um só habitam a nossa essência na busca de paz, numa medida certa dos acertos e descobertas. Açúcar e sal, tangemos os dias vidas adiante. Desejamos o melhor, porém à medida do domínio que se faça dessas forças que assim conduzimos neste ser que significa indivíduos em aprimoramento. Simples e direto, o conhecimento sacode a tal máquina das circunstâncias e propicia os meios de respostas perante desafios que os transportamos.

Nesse tribunal da consciência, fervem anseios e verdades, contradição só aparente, porquanto desse modo deveria acontecer. Nem de longe existe a quem reclamar senão a nós próprios face aos desatinos e praticados. O resultado disso vem, sem falta, na ordem do firmamento. Se houver de quem indagar, indaguemos do silêncio que em nós vive guardado sempre.

Portanto, alunos e professores, o segredo da transformação lá um dia virá à tona, razão de tudo quanto o Tempo traz a mover as criaturas. Todo momento, pois, criamos em nós o universo de que somos motivo e artífices, na Lei maior de nosso Eu superior.  

Do seriado (inesgotável) “Coisas da República”

 Corrupção, o pior vírus da República

   Praticamente todos os Estados da República Federativa do Brasil estão sendo investigados por fraudes na aquisição de insumos para o combate à epidemia do vírus chinês, desde a compra de equipamentos como respiradores, até medicamentos e máscaras de proteção.

   A bandalheira começou quando Estados e Municípios foram dispensados de licitação, pois a urgência no combate ao mal “justificava”. Infelizmente, o Governo Federal se esqueceu de que vivíamos numa República, atualmente quase um sinônimo de corrupção.

   Segundo dados da Controladoria Geral da União (CGU), até março deste ano já haviam sido comprovadamente desviados R$ 39,1 milhões de um total de R$ 125,9 milhões investigados. Não pode haver crime mais repugnante do que aproveitar-se de uma situação de fragilidade social provocada pela pandemia para apoderar-se de recursos públicos. Pois bem, muitos políticos brasileiros chegaram até lá.

(O texto acima foi publicado no boletim “Herdeiros do Porvir”, nº 65, junho/2021)

Há 62 anos Sobral parou para se despedir de seu primeiro Bispo

Texto de José Luís Lira
Diretor do Museu Diocesano Dom José de Sobral


    Era uma sexta-feira, 25/09/1959, às 21h30min, no então Palácio Episcopal, hoje Museu Diocesano Dom José. Dom José Tupinambá da Frota, primeiro Bispo de Sobral e Conde Romano da Santa Sé, que agiu não só no aspecto religioso, mas, também, nos campos educacional, cultural, da saúde, das comunicações e assistenciais, falecia. Desaparecia o homem, consolidava-se um nome na história como o maior benfeitor de Sobral, de todos os tempos, sem exercer cargo político, sem acúmulo de nada em ordem pessoal, tão somente no exercício da sua vocação sacerdotal que se tornou episcopal.

    No livro “Genealogia Sobralense: Os Ferreira da Ponte” (Sobral: IOM, 2005, vol. IV, tomo III, páginas 1498/1499), o historiador e genealogista sobralense Assis Arruda, ressalta, citando a imprensa da época, como se vê na obra, que o “acontecimento levado ao par pelas suas emissoras locais e pelas estações de radioamadores, espalhou-se imediatamente por todos os recantos do Brasil. Também no estrangeiro, enchendo de tristeza os corações daqueles que o conheciam e enlutando a alma da Igreja Católica. Logo após a morte de Dom José, o povo sobralense, em romaria, acorreu ao Palácio, para prestar seu último tributo de pesar, ao seu querido pastor e guia espiritual. Assistiram os últimos momentos de vida do ilustre antístite o Revmo. Pe. José Palhano de Saboya, seu secretário e Prefeito Municipal de Sobral, Dom José Bezerra Coutinho [Bispo Auxiliar, residente no Palácio], que lhe administrou a extrema-unção, Dr. Guarany Mont’Alverne, seu dedicado médico, J. Wilson, enfermeiro François, Pe. Luiz Rodrigues, Irmã Estefânia, Superiora do Ginásio Sant’Ana, e a Irmã Marfisa.

     Após o seu passamento, o corpo de Dom José foi removido para o salão nobre do Palácio, e três horas depois, conforme deliberação do Conselho Diocesano, para a Capela do Menino Deus, entre choros e soluços da incalculável multidão, e lá ficou exposto à veneração pública. Durante toda a noite, centenas de pessoas desfilaram silenciosamente ante o esquife, tocando piedosamente o corpo do ilustre morto, que se achava revestido de paramentos e insígnias episcopais. Precisamente às 2 horas da madrugada do dia seguinte, o Revmo. Pe. José Palhano, seu filho espiritual, em pranto celebrou a primeira missa de corpo presente, e às 6 horas, Dom José Bezerra Coutinho celebrou a segunda, a qual foi assistida pelo clero, seminaristas, associações pias e o povo em geral. As 10 horas, realizou-se o solene cortejo fúnebre para a trasladação do corpo de Dom José, da capela do Menino Deus para a Catedral, tomando parte as Irmandades, Seminário, o clero diocesano, colégios, religiosos e uma incomputável multidão. 

      Às 17 horas, com a presença de Dom Antônio de Almeida Lustosa, Arcebispo Metropolitano [de Fortaleza], Dr. Tancredo de Alcântara, representante do Governador do Estado, sacerdotes e quase todos os vigários da Diocese, Seminário, Religiosas, Colégios, Associações Pias, destacadas autoridades, e uma grande multidão que enchia a Igreja da Sé e se espalhava pela espaçosa praça, foi celebrada por Dom José Bezerra Coutinho, a missa solene de réquiem, e em seguida teve lugar a encomendação do Corpo, sendo as cinco absolvições do Ritual Romano, ministradas pelo Sr. Arcebispo Metropolitano, por Dom José Bezerra Coutinho, e pelos Monsenhores Fontenele, José Osmar e Domingos de Araújo. Depois o corpo de Dom José foi conduzido pelo Sacerdotes para a Capela do Santíssimo, onde foi sepultado ao som do toque de silêncio, e depois a banda de música municipal entoou uma marcha fúnebre provocando uma consternação geral.

   O desenrolar da triste cerimônia foi transmitido pela Rádio Iracema de Sobral, na palavra do Revmo. Pe. Sadoc Araújo e do radialista José Maria Soares”.

   Salve, Dom José!

PERFIL

     Dom José Tupinambá da Frota, nasceu a 10 de setembro de 1882, na residência da família, situada na então Rua da Aurora, hoje Rua Domingos Olímpio, 231, em Sobral. Seus pais foram Manoel Arthur da Frota e Raimunda Artemísia Rodrigues Lima. Sua formação para o sacerdócio se deu em Salvador (BA) e em Roma, onde foi ordenado sacerdote no dia 29 de outubro de 1905, na Capela do Colégio Germânico, pelas mãos do vice-gerente de Roma, Dom José Cepetelli, o mesmo que no ano anterior ordenou o futuro Papa João XXIII, Angelo Roncalli. 

      Recebeu o grau de doutor em filosofia e em teologia, pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. De retorno ao Brasil, passou um período lecionando no Seminário Maior do Ipiranga, em São Paulo.  Em 1908 foi nomeado vigário de Sobral e, em 1916, foi designado o primeiro Bispo Diocesano da Diocese de Sobral, criada no ano anterior. Primeiro Bispo de Sobral, ordenou 98 sacerdotes. Entre suas obras se destacam: o Seminário da Betânia – Diocesano, atual sede da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), os Colégios Sobralense e Santana, o Abrigo Sagrado Coração de Jesus, o Patronato Imaculada Conceição, o Museu Diocesano que após sua morte recebeu seu nome, a Santa Casa de Misericórdia. Publicou “História de Sobral” e “Traços Biográficos de Manuel Artur da Frota”. 

      Faleceu em Sobral, no então Palácio Episcopal, atual prédio do Museu Diocesano Dom José, a 25 de setembro de 1959, depois de ser confortado com os sacramentos da Igreja, tendo seu Bispo Auxiliar, Dom José Bezerra Coutinho, administrado-lhe a extrema-unção. Seu sepultamento se deu na Catedral de Sobral.