29 agosto 2021

Antes de ouvir o silêncio - Por: Emerson Monteiro


Antes e depois das explosões deste mundo parcial, na aflição dos refugiados que sobrevivem às injustiças dos homens, na fome do desespero dessas populações largadas a ermo, partos angustiados das mães em luta contra a indiferença das guerras, logo em seguida vem o grito surdo das multidões desesperadas, olhos postos na lama dos séculos; são os fieis ao sonho da liberdade prometida. Quanto de clamor penetra, pois, o silêncio das realidades, na solidão de amores esquecidos, calmaria de barcos abandonados às marés dos desencantos, tropel inútil das marcas que ferem os dias da indiferença, lesmas a deslizar pela inconsciência dos tais senhores desavisados.

Enquanto isso, nalgum lugar dos céus, a meio caminho das pessoas e do tempo, retomam seus acordes os instrumentos dessa sinfonia das certezas de que tudo perderá o senso diante do repicar dos sinos da Verdade. Ainda que pareça drama de perdidos autores, há o equilíbrio que constrange ao fim os vermes, aqueles que praticaram gestos obscenos de furor e perversidade, na ilusão de ser donos e superiores, a ferir de morte o valor inevitável das oportunidades.

Quais torrentes de luz, somos esses espelhos de um tudo, neste passeio constante da realidade. Reunimos em nós pedaços da eternidade que transportamos; construímos as trilhas de toda geração que nos sucede. Ao destoar o coro da perfeição, aprendemos nisto divisar o que nos aguarda logo ali nas raízes do inevitável. No entanto a escola ensina sempre que há o Ser divino, a Razão absoluta.

Daí a gente ouve, no escuro dessas noites, as notas da melodia que toca o coração; revivem os sentimentos e alimentam a saudade doutras esperanças. Inúmeros acordes vagam no vento, nos ciciar das matas, no latido distante dos cães nas madrugadas. Compomos em nós próprios os amores da felicidade que agora pulsa os momentos em nossas almas. A suavidade das estrelas envolve de emoção as pausas dos sons, sob a regência magistral de encantos do Infinito.

O Conde D'Eu e suas lembranças do Brasil

(Postagem feita inicialmente no Facebook da Pro Monarquia)

    Em 1921, quando – após mais de três décadas do início do injusto e penoso exílio imposto à Família Imperial Brasileira quando do golpe de Estado republicano de 15 de novembro de 1889 – o Conde d’Eu enfim pôde visitar o Brasil, um ano antes de seu falecimento, Sua Alteza foi recepcionado e acompanhado pelo historiador Max Fleiuss, que deixou narrados alguns episódios ocorridos naquela ocasião:

“No Palace Hotel, onde se achava hospedado, assisti a várias cenas que lhe confirmavam a estupenda memória. Certa manhã foi visitá-lo um cavalheiro da família Miranda Montenegro. Ao entrar, fez uma reverência. O Conde encarou-o, e de pronto chamou-o pelo nome de batismo, e nos disse havê-lo conhecido menino, na fazenda de seus genitores, contando pitorescamente vários incidentes, um dos quais foi a passagem numa pequena ponte carcomida, do que resultou um banho nada confortável.

“Outra visita foi a de um ancião de grandes barbas brancas, calças da mesma cor e um fraque antigo. Ao vê-lo, o Conde abraçou-o com enternecimento e, pondo-lhe a mão na cabeça, exclamou:
“– Cá está ela!
“Era uma depressão produzida por bala, na batalha de Campo Grande. O velho chorou de prazer.” 

 

Fonte: XAVIER, Leopoldo Bibiano. Revivendo o Brasil-Império. 1º ed. São Paulo: Artpress, 1991, p. 177.

Foto abaixo: Sua Alteza Imperial o Príncipe Dom Gastão de Orleans, Conde d’Eu, na última fotografia tirada antes de seu falecimento, ocorrido a 28 de agosto de 1922.


 

Um Presidente de República católico visto na perspectiva de um Príncipe Católico

 (excertos de uma postagem do Facebook da Pró Monarquia)

   No último dia 6 de agosto, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança, foi convidado de honra da Conferência “Dom Gabriel García Moreno: o Presidente dos equatorianos de ontem, hoje e sempre”, promovida no formato de videoconferência, a fim de marcar o transcurso, naquela data, do 146º aniversário do martírio daquele que muitos consideram o maior estadista católico do século XIX.

   Falando em espanhol, o Príncipe Imperial proferiu palestra intitulada “García Moreno sob a perspectiva de um Príncipe Católico”, discorrendo brilhantemente sobre aquele monarquista e paladino da defesa da Santa Igreja, que foi Presidente do Equador por duas vezes – entre 1861 e 1865 e depois entre 1869 e 1875 – e consagrou seu País ao Sagrado Coração de Jesus. Eleito para um terceiro mandato, foi assassinado a 6 de agosto de 1875, pela Maçonaria. Mas sua memória é até hoje celebrada no Equador.

   Discípulos de Doutor Plinio, o Príncipe Imperial e seu irmão, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, foram desde o início, em 1960, membros da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, e hoje são Diretores e grandes entusiastas do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, tendo participado de sua fundação, precisamente por encontrarem ali a principal frente de batalha em prol de um Brasil autenticamente cristão e monárquico, a Terra de Santa Cruz.


Assista também em nosso canal no YouTube: https://youtu.be/zISSb0sYhzo
Aqueles interessados em assistir à Conferência “Dom Gabriel García Moreno: o Presidente dos equatorianos de ontem, hoje e sempre” podem fazê-lo através do link:
https://www.youtube.com/watch?v=oo-lG0WB1P4