23 agosto 2021

Um começo de conversa - Por: Emerson Monteiro

 


O canto / Está escrito: “Ele pôs termo às trevas”. / Ao ler estas palavras, o Rabi de Kotzk costumava exclamar: ­– Deus deixou um canto livre nas trevas para que o homem possa abrigar-se. (Do livro Histórias do Rabi, de Martin Buber)

Há que ser sempre assim, canto a que chegar um dia deste, através de si próprio, pelas trevas da matéria onde ainda estamos no dispositivo da consciência de achar o portal da libertação aonde possamos nos abrigar do destino.

A isto viemos aqui. Quais labirintos a céu aberto, e tocamos as existências neste segmento de revelar a nossa Salvação. Nisto indicam as escolas filosóficas e religiosas, durante todo tempo, setas no caminho do Infinito, pois a tanto somos destinados, numa missão redentora.

Quais viventes livres nos labirintos individuais da Natureza, tocamos cada passo na busca desse desiderato de argonautas do Espírito, frutos da sequência original de tudo quanto existe. Daí, as muitas histórias pessoais do conhecimento adquirido no transcorrer das gerações, porquanto viemos aqui tantas vezes quantas necessárias sejam até desvendar a saída deste Chão e encontrar o reino definitivo da Eternidade espiritual.

Porquanto significamos um sistema inteiro de autoconhecimento, a dispor da evolução pessoal, estrada dos sonhos e das luzes, em nossas mesmas mãos. Das experiências guardadas, somamos forças de, lá num certo momento, divisar, no horizonte das reencarnações, o sentido pleno de tudo quanto vivermos e guardarmos, farnel das jornadas aprendidas e praticadas. Simples, pois, interpretar os motivos que nos trazem neste mundo, conquanto pudermos avaliar a perfeição absoluta da Criação a que pertencemos.

Por mais desejemos fugir dessa sequência natural do processo da transcendência aos níveis superiores, em nós importam os limites desta liberdade maior aos quais nos destinamos, seres em potencial da Certeza de uma fé perene e reveladora.