13 agosto 2021

E quando soar a última trombeta - Por: Emerson Monteiro


Ali quando chegar a hora derradeira do impossível de seguir adiante, na pequenez do que nós somos. Quantos sinais de interrogação podem surgir nessa frase dos tempos finais da consciência?! Nisso, as gerações se sucedem. Lastro de tantas vidas que demonstra o tanto de viver e esperar mais no tempo. E o que fazer senão tocar em frente o prumo das existências e aguardar novos sóis e novas terras? Isso bem na hora do limiar dos infinitos que nos aguarda de braços abertos.

Assim, o vislumbrar do instante definitivo, daquela ocasião quando fecha a empanada e os atores saem de cena, por vezes exaustos, noutras apenas trôpegos das visões do inútil. Luzes apagadas indicam o término da função, e surgem as perguntas de o que aprendemos dos apuros e das festas.

O som cavo do horizonte a gritar pelas vastidões do mistério, e nós apenas afeitos ao inesperado quais alimárias sem destino. Sim, seres individuais. Mapas estanques de si mesmo, pranteamos a história que termina. Alguns admitem que o mundo acaba a quem morre. Outros, no entanto, narram dos livros sagrados que virá um instante preciso de prestar contas do que aqui nos fora entregue, a fim de revelar os segredos da Natureza. A alma, qual livro de todas as explicações, soma necessidade com sinceridade; bem sabem da urgência do sentido que caminha aqui ao nosso lado. Ninguém veio neste chão por mero acaso, pois.

Nessa intenção, inesperam as expectativas sólidas dos dias que passam na esteira silenciosa do tempo, que transcorre sem avisos prévios. Há os credos que falam da hora precisa em que os céus mudarão de cor e astros rolaram no espaço. A quem nos cabe indagar dessa hora crucial a não ser à nossa consciência?! Que sou, donde venho e aonde irei, causas essenciais que moram sempre no coração da gente.

Santa Mãe dos Prazeres: duzentos e sessenta anos! – por José Luís Lira (*)

 

   As primeiras notícias que temos da festa de Nossa Senhora dos Prazeres em Guaraciaba do Norte, é que seu ápice se dava no dia 6 de janeiro, dia de Reis, um dos prazeres celestes de Nossa Senhora. A bênção da capela, realizada pelo fundador, Pe. Felipe Dias Santiago. Nesta mesma data foram realizados os primeiros batizados naquela capela. A partir daí Nossa Senhora com o título “dos Prazeres” se tornou a maior protetora daquele povo serrano. Quatorze párocos passaram desde a instalação da Paróquia, em 1888, até a proclamação do Dogma da Assunção de Nossa Senhora, dada na festa de Todos os Santos de 1950, quando a festa passou a ser celebrada em agosto. E, muitas gerações de cristãos celebram suas padroeiras com títulos de Nossa Senhora, sem data fixa, com festa em 15 de agosto. 

   Numa cidade que nasceu no entorno da pequena capela dedicada à sua Padroeira, esse se constitui o período mais importante da vida religiosa e social, pois, após as celebrações têm sempre parque, barracas e mais atividades. 

   Em agosto, esteja onde esteja, programo alguns dias da “festa” para estar com meus pais e meus conterrâneos na grande celebração à nossa Padroeira, devoção portuguesa que chegou ao Brasil junto com os descobridores e que em mim, se inseriu na alma desde a mais tenra infância. Foi com Nossa Senhora dos Prazeres que aprendi a confiar na mãe de Deus como minha mãe também e mãe de todos!

   Celebramos os 260 da bênção da primeira capela e realização de seu festejo. O povo guaraciabense é um povo de profunda religiosidade. Dos 132 anos de instalação da Paróquia, 54 fora a Paróquia dirigida pelo mesmo pároco, santo no coração de nós que o conhecemos, Mons. Antonino Cordeiro Soares († 1990).

   A devoção a Nossa Senhora dos Prazeres surgiu em Portugal e com os portugueses veio a esta Terra de Santa Cruz que depois se tornou o Brasil, pois que Pedro Álvares Cabral, em sua viagem ao Brasil, em 1500, se fazia acompanhar da imagem de Nossa Senhora da Esperança. Em 1722, o Frei Agostinho de Santa Maria argumentava que Nossa Senhora dos Prazeres possui o mesmo significado da devoção de Cabral.

   O texto bíblico diz: “... em alma perversa a Sabedoria [Deus] não entra;/ ela não habita um corpo sujeito ao pecado” (Sab 1,4). Deus fez morada, fisicamente, em Maria, por nove meses e desde que Ela fora criada e por toda a eternidade, seu coração é puro da mácula original. Por isso, não há o que se discutir quanto aos méritos de Maria, aquela que incitou Jesus a demonstrar seu primeiro milagre (Jo 2,1-12) e Ela nos deu a lição definitiva: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5).

    E sobre Maria [De qua natus est Iesus], Mãe de Deus e nossa, a Virgem dos Prazeres celestes, não os nossos frágeis e passageiros prazeres humanos, que pela sua importância, podemos afirmá-la a fundadora de Guaraciaba do Norte. Sua devoção, a nós trazida pelo Pe. Felipe Santiago fez surgir a Cidade, e para homenageá-la, escrevi o livro “Nossa Senhora dos Prazeres e a história de Guaraciaba do Norte”, lançado em julho último, registrando o lapso temporal de 260 anos, que, com a graça de Deus, chegou às mãos do Papa Francisco que enviou bênção ao nosso povo por carta publicada na contracapa do livro.
   Ave, cheia de graça, Nossa Senhora dos Prazeres!

   (*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com 26 livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.