22 julho 2021

Aceitação - Por: Emerson Monteiro


Avaliar um pouco da necessidade dos seres humanos de compreender tudo quanto existe. Considerar a importância de confiar nos valores eternos, vez que ninguém que seja ora já identifica por inteiro as explicações dos mistérios. Que persistem razões definitivas do senso do Universo,
temos certeza disto, porquanto aqui neste momento impera a realidade insofismável. Dela impossível de esquivar. No entanto todos querem explicar à sua maneira. Até que faz sentido o que muitos afirmam, belas descrições, definições e depoimentos, porém difícil viver na prática tais interpretações.

Daí a quantidade dos credos, das filosofias, escolas variadas durante todo tempo. Quer-se encontrar o justo peso de todas as medidas, contudo restritos ao grau de compreensão de cada um. Nisso vagam pelos corredores do tempo, absortos nos limites da mentalidade humana. Seres ainda pequenos que alimentam desejos tão inatingíveis, pois a mente vive a insuficiência de tocar de tudo no invisível que percorre às cegas nos segredos universais.

Daí, que alternativa se não a entrega aos princípios da Fé, visões das dimensões que dominam tudo, afinal. É certo que há testemunhos daqueles que foram mais longe, os místicos, os santos, taumaturgos, iniciados... Eles dizem do que viram e veem, tais quem subiu mais alto as montanhas do imponderável e descreve ao seu modo o outro lado da paisagem. A vontade mesmo, todavia, representa esse esforço sobre-humano de chegar a estes patamares de convicção, perante os quais multidões aguardam ansiosas dias de uma certeza absoluta.

Outro jeito assim demonstram as criaturas humanas, de seguir os mestres, suas normas, suas narrativas, e pelejar no vácuo das fronteiras do desconhecido, olhos fixos na esperança de, lá um instante, vislumbrar a plena clareza da Consciência. Enquanto isso, aqui trabalham o íntimo do ser, à busca da paz de que tantos falam e quantos apenas sonham de olhos abertos.

Reminiscências do Cariri por Armando Rafael – por José Luís Lira (*)

    Na última terça-feira, dia 20, celebrou-se o 87° aniversário da chegada do Pe. Cícero Romão Batista no céu, sem presença, por conta da pandemia, de romeiros ou “amiguinhos” do Pe. Cícero espalhados pelo Brasil e que sempre se fazem representar em Juazeiro do Norte.  A partida do Pe. Cícero desta vida terrena se deu no dia da amizade. Em 18 de outubro de 2016, eu me encontrava em Roma para assistir à canonização do querido São José Luís Sánchez del Río, quando recebi um comentário de Armando Lopes Rafael a uma publicação minha em rede social e surgiu uma amizade leal e sincera. 

     Citei Padre Cícero e amizade, pois, sendo Armando Rafael um intelectual de alta envergadura, historiador por formação, professor universitário, pensei que ele não fosse devoto do Padre Cícero como eu não fui uns tempos atrás. Invadido por contrainformações, eu tive uma visão distorcida do Padre Cícero. Inicialmente, fiquei receoso de falar isso a Dr. Armando, até que um dia toquei no assunto e foi uma felicidade em ver que ele também compartilha dessa visão. Chegamos a ir à estátua do Padre Cícero e fizemos fotos como romeiros.

     Todavia, o tema de hoje é sobre um dos tantos contributos que Armando Rafael, amante da arte de Heródoto e monarquista, ofereceu à sua terra e sua região. A publicação foi feita pela Editora “A Província”, sediada no Crato, em 2020. Recebi exemplar autografado junto com cartão sempre personalizado do autor. Entre as tantas atividades obrigatórias, feitura de um livro e outras coisas, o livro, embora lido inicialmente, ficou aguardando uma manifestação o que faço não por dever, mas, por satisfação e justiça.

       A(s) epígrafe(s) de um livro, recordando aulas dos Doutores Carlos Cozzi e Ricardo Machado, em Buenos Aires, diz ao que se propõe o trabalho e Armando Rafael vai a Honoré de Balzac: “Há duas histórias, a oficial, mentirosa, Ad Usum Delphini, e a secreta, em que estão as verdadeiras causas dos acontecimentos, História Vergonhosa”. E Armando parte para, digamos, uma terceira via, a História real, amparada em arquivos pessoais e enriquecida fontes biobibliográficas para fazer justiça a três caririenses de nascimento e dois por adoção.

   Trata, em artigos organizadíssimos e delimitados no rigor científico, sobre: 1) o Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, contrarrevolucionário de 1817, relacionado à Revolução Pernambucana de 1817, onde se destacaram figuras que depois estariam, também, na Confederação do Equador. 2) Joaquim Pinto Madeira, o caudilho que se relaciona com as duas revoltas citadas, fuzilado no Crato. 3) Dr. Leandro Bezerra Monteiro, o varão católico, advogado e político caririense, nome de destaque na questão religiosa do II Império. 4) Dom Francisco de Assis Pires que recebeu do Cardeal Leme o epíteto de violeta do episcopado brasileiro, por sua fidelidade, castidade e humildade. 5) Dom Newton Holanda Gurgel, quarto bispo de Crato, a quem, conforme o autor, Crato deve grande homenagem. Poder-se-ia dizer que são cinco ensaios biográficos num livro.

   “Algumas Reminiscências do Cariri”, ilustrado com a Bandeira Imperial hasteada no cimo da chapada que abriga aquela região, é uma pequena/grande joia histórica e literária que deve ser lida e apreciada por nós, brasileiros e pelo mundo. Parabéns, mais uma vez, Dr. Armando.

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.