12 julho 2021

Sem fugir de si - Por: Emerson Monteiro


O homem está envolto na sua própria sombra e se admira por estar tudo escuro.
Preceito zen

 Andar assim de peregrinar neste mundo, às claras do dia, no entanto a transportar nos sentimentos força viva da aparente incompreensão de tudo quanto há na semente viva da libertação desse eu que a gente carrega no peito na forma de pensamentos. Um andarilho da própria sorte, eis o que somos na verdade. Nisso, a construir, da matéria prima das horas, os frutos do aprimoramento. Andar às claras, ou tanger nos antes e depois os desejos já mortos no passado, ou a morrer no futuro. Enquanto que nós significamos isso de admiradores dos escuros que envolvem o esse tempo dagora.

Carecemos de revelar o instante perene de todo momento.

Bom, eis o diagnóstico da procura dos dias. Aonde chegar que seja de esperança, felicidade, vontade leve de sobreviver às tempestades. Desvendar os segredos do nós que ora somos, conquanto, de certeza, ninguém veio aqui só aos pedaços em decomposição. Dispomos, no íntimo do ser, da fagulha que iluminará o Universo inteiro. Nesse código secreto persistirá o destino de todos.

Invés de mergulhar nos momentos que passam velozes diante da janela dos vagões, cabe descobrir por dentro de si, longe dos objetos em queda livre, o ápice da realização do Ser. A isto viemos, pois.

Instrumentistas da nossa orquestra divina, tocamos as peças geniais do Tempo, que já possuímos todas as melodias, os ritmos e harmonias. Sobreviventes deste Si poderoso que transportamos na essência, viajamos às estrelas. Lá fora, percorrem os espelhos das almas e fazem e desfazem os humores dessas criaturas em que habitamos temporariamente, enquanto não identificarmos o senso do eterno através das nossas veias e mistérios.

À nossa frente, firmes interrogações. Escolhas perfilam dúvidas e cativam as existências, quais de embriagados provisórios. Nem que quiséssemos desesperadamente fugir, haveremos de achar a porta e sair livres aos Céus.