05 julho 2021

Na floresta das palavras - Por: Emerson Monteiro


Nem sempre elas obedecem ao que a gente quer dizer. Tomam das nossas mãos e viajam por dentro das consciências ao vão da sorte que por si determinam. Quais senhoras dos tempos, elas movimentam pensamentos de jeito enviesado, alterando, por vezes, o sentido das intenções. Formulam conceitos doutras histórias nos lugares menos indicados e contornam os desejos do pensamento de quem disse. Feras dotadas desse instinto aguçado, chafurdam nas matas virgens dos sentimentos dum jeito de senhoras absolutas do que querem e não do que queremos. Animais dotados, pois, de razão própria, tocam discursos à maneira doutros princípios que não os nossos. Palavras a falar de métodos inexistentes ao nosso conhecimento.

Nalgumas situações, até que respeitam a contra-vontade dos autores, porém longe do que de real existirá durante todo tempo. Vamos, nisso, rasgando espaços de falas soltas feitos quem cava minério em terras estrangeiras. Nunca se sabe o que elas pretendem na verdade que só elas conhecem.

Caprichosas, revertem o quadro das cores e das flores, e impõem seus espinhos, suas mágoas, e dominam o sonho das inspirações. Vacilam, claudicam, desaparecem a meio dos momentos sórdidos, bichos sonsos dos dramas medievais. Contudo, ainda assim, nesse impulso das falas, persistem na visão de renovar a face do Universo partindo do bem que a isso lhes compete, de donas efetiva da floresta onde imperam livres, enquanto ficamos prisioneiros das surpresas que podem nos acarretar.

Mais que nunca, os humanos precisam domar a força descomunal das palavras que lhes chegam a todo instante. Crer nas possibilidades que eles trazem de reverter pensamentos em ação e sentimentos em atitudes. Amar os valores nobres que carregam consigo, desocupar o farnel das tradições e acalmar a fome de realizar o melhor entre as pessoas. Fazer delas que a gente possa mudar em alegria as dores deste mundo, alimento da esperança viva de novos céus que nos aguardam logo ali na outra face do ente que nós somos.