03 julho 2021

Tomé e Paulina, testemunhas do amor maior – por José Luís Lira (*)

 

São Tomé

Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus

   Os apóstolos de Jesus não eram perfeitos. Alguns, valentes, outros, cheios de fé, outros precisavam “ver” para crer, um traiu... e assim sempre vi a humanidade retratada naqueles doze homens e nos discípulos de Jesus. Das muitas emoções que tive na Terra Santa, duas delas a eles se relacionam. Ao chegar ao cenáculo, lembrei-me de Tomé. Sei que todos ali estiveram, Madalena e Maria Santíssima também. Elas e as outras mulheres que não aparecem naquela passagem do Novo Testamento, certamente estavam ali. 

   Hoje, a Igreja celebra Tomé e por isso recordo este grande santo. É João, evangelista, que narra o testemunho de fé do santo celebrado. Após Madalena trazer a boa-nova da Ressurreição aos seguidores mais próximos de Jesus, Ele aparece aos discípulos, mas, naquela ocasião não estava Tomé. Todos disseram eufóricos a Tomé que Jesus esteve ali. Este respondeu: “Se eu não vir em suas mãos a marca dos cravos, e não enfiar a minha mão no seu lado, não acreditarei”. 

   Oito dias depois, diz o Evangelista, Jesus apareceu novamente e lá estava Tomé. Jesus convida Tomé a ver as marcas dos cravos e conferir o lado chagado. Tomé, carregado de emoção, só consegue dizer: “Meu Senhor e meu Deus”. E, ainda hoje, tantas vezes nós repetimos essa que se tornou uma jaculatória. Quando nos faltam palavras ou mesmo quando as temos, nós repetimos: “Meu Senhor e meu Deus”. E por meio de Tomé, Jesus se refere aos cristãos de todos os tempos, pois, Tomé precisou ver para crer, mas, “... bem-aventurados os que não viram e, contudo, creram”. O outro testemunho é dos discípulos de Emaús. Eles acreditaram que Jesus realmente havia morrido naquela sexta-feira e que seu ministério havia se encerrado ali e decidiram voltar às suas origens, dar seguimento às suas vidas. Passei nas ruínas de Emaús e lembrei-me daquele encontro. O “forasteiro” que os acompanha na caminhada parecia não saber o que havia acontecido a Jesus, o nazareno. Então, Cléofas lhe conta e fala. Depois, pelo andar da conversa eles percebem que o forasteiro era o próprio Cristo e voltam correndo a Jerusalém para contar a boa-nova aos discípulos e apóstolos. 

   São testemunhos que nos fortalecem a fé e nos lembram que mesmo aqueles que viveram o mesmo tempo de Jesus Cristo, fraquejaram em algum momento, como também ocorreu a muitos santos e santas que tiveram sua noite escura. E aqui recordo Santa Teresa de Calcutá por seus últimos escritos.

   Preambularmente citei Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, reconhecidamente a primeira santa do Brasil-Brasil, como dizia sua postuladora, saudosa amiga Irmã Célia Cadorin, lembrando que Santa Paulina não se autodeclarou estrangeira em dado tempo e por isso foi considerada brasileira e todo seu apostolado foi aqui no Brasil. Após ser, injustamente, destituída da condição de superiora da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, que fundou, depois, demonstrando sérios problemas de saúde (diabetes), sofrendo amputações, sem enxergar. Dois anos antes de seu retorno à Casa do Pai, ela reafirmou como Paulo, sua imensa fé: “Confiai sempre e muito na Divina Providência. Nunca, jamais desanimeis, embora venham ventos contrários”. Santa Paulina é celebrada no próximo dia 9 de julho.

   Santos e Santas de Deus rogai por nós!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.