01 julho 2021

Estradas vadias - Por: Emerson Monteiro


Quantas vezes o vento / apagará meus rastros / no chão do parque?
                                                                                            Márcio Catunda

Os dias foram espalhados nos trilhos do tempo e largam agora essas mais profundas interrogações no íntimo das criaturas. Nuvens que, lá no céu, alimentam os sonhos, os pensamentos, as transmissões radiofônicas, tudo afinal, aonde irão esconder seus gestos insistentes de tocar em frente os fragmentos e as horas? Sem um mínimo de propósito que seja visível, lá de dentro dalgum lugar regressam ao firmamento dos sinais passageiros que logo mais se desfarão sobre as memórias guardadas nas gentes em movimento. Quer-se tanto fugir desse tropel do desconhecido, no entanto o caminho prossegue minuto a minuto sob os pés ansiosos de algo definitivo. Nisso, pensamentos e sentimentos invadem constantemente o espaço que resta entre o silêncio e as histórias do mundo lá de fora.

Parar o quê e quando serão meras conjecturas que adormecem a toda manhã. Vagamos feitas folhas ao vento. Há que haver, debaixo das perfeições, respostas plausíveis de resumir essa força do destino que arrasta vidas e vidas. Ouvimos só a música do Infinito e assistimos o passar cadenciado das horas quais notas de uma sinfonia de catedrais feitas aos pedaços de nós mesmos, marcas indeléveis de existências abandonadas que gritavam aflições de dúvidas.

Espécies de seres ainda inocentes de si, viver alimenta a consciência desses mistérios que crepitam nas almas e as envolvem de sombra e luz, que vagam pelas planícies das dores. Minúsculas peças de largo oceano, flutuamos nas circunstâncias tais senhores da ausência e autores dos próprios segredos que sempre nos arrastam ao Sol.

O fenômeno Tio Juca - Por: Emerson Monteiro

O médium José Soares de Gouveia (1898-1965), conhecido familiarmente como Juquinha e em geral como Tio Juca, viveu no Ceará, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, em função de ser funcionário público federal no cargo de fiscal de consumo. Casado e com filhos, com raízes familiares e residência mais prolongada na Bahia.

Em Salvador fundou a “Casa do Tio Juca”, para atendimento de crianças e que chegou a contar com reconhecimento de utilidade pública. Há relatos de inúmeros alertas espirituais para se evitar acidentes, sonhos premonitórios, várias curas, localização de pessoas e objetos, chamamentos espirituais para atendimento de pessoas em risco, apoio financeiro a pessoas, encaminhamento de pessoas para uma vida equilibrada, tudo sempre com muita motivação de solidariedade humana. O interessante é que os fenômenos eram sempre espontâneos, inesperados e contavam com rápidas providências do médium. Um caso surpreendente foi a localização de uma jovem desaparecida há cerca de 20 anos na Amazônia. Insistentemente orientado por espíritos, de maneira voluntária e sem ter nenhum conhecimento do episódio, com base nas informações insistentes de natureza espiritual, empreendeu uma longa e complicada viagem, uma autêntica aventura, ele a localizou numa tribo indígena, bem integrada e realizando um trabalho que a satisfazia. Em seguida, já tendo descoberto onde residia a mãe da jovem, em Manaus, procurou-a e informou-a de que a filha estava viva e bem, e não queria retornar à antiga condição familiar e social, entregando-lhe um medalhão de família, devolvido pela jovem. Inúmeras pessoas foram repentinamente beneficiadas pelas ações espontâneas de solidariedade praticadas por Tio Juca, atendendo à sua intuição ou claramente orientado por Espíritos. Antonio Cesar Perri de Carvalho (Grupo de Estudos Chico Xavier)

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Dentre outras histórias do Tio Juca, narradas no livro O fenômeno Tio Juca, de autoria de Eusínio Gaston Lavigne, existe uma que quero aqui relatar:

Tio Juca sempre buscava servir aos mais necessitados, sendo constantes as visitas de pessoas pobres que buscavam sua residência à busca de auxílio. Dentre elas, havia um senhor pobre, já de certa idade, que vinha aos sábados na intenção de receber algum donativo. Nisso, num determinado período, Tio Juca teve de fazer uma viagem e demorou a voltar. O pedinte, então, vinha e recebia a justificativa de que o médium viajara e não deixara o auxílio costumeiro.

Depois de três tentativas, o ancião observando a dificuldade em receber a esmola, exclamou à esposa do notável sensitivo:

- Pois quando ele voltar, lhe diga que arranje outro velho pra fazer caridade, que eu mesmo não venho mais aqui – nisso, deu meia volta e sumiu de uma vez por todas.