16 junho 2021

O abismo do futuro - Por: Emerson Monteiro

 

... visto que ninguém conhece o futuro. Quem lhe poderá dizer o que vai acontecer? Eclesiastes 8:7

 

Desde sempre que o desejo tem as criaturas de conhecer o futuro! Um saco de mistérios prevaza, então, lá das bandas de depois, frutos das interrogações grudadas às paredes do Infinito. Um rio corre silencioso, o Tempo, e nisto alimenta preocupações e sonhos nas folhas dos calendários, diante das quais rendemos a homenagem das aspirações inacabadas. Esse mesmo rio sacode, também, pelo coração e percorre de sangue as veias, enchendo de combustível fóssil a máquina do cérebro, conosco a fugir nos corredores dos dias, feitos atores em movimento. Ali bem perto, assistimos esse fluir das cenas, tais espectadores de nós mesmos, aos olhos da nossa consciência. Nós, autores das ausências que caem aos nossos pés dia após dia, na velocidade do vento.

- Que isto de ser assim? A quem perguntar? – Uns observam os outros e a si mesmos, nas dobras de mais profundas indagações aos céus.

Fossemos repisar o trilho do passado, por certo nos perderíamos nas dúvidas que ainda se repetem todo tempo adiante. O que aprendemos são as peças de um quebra-cabeças imortal que transportamos nas nossas malas que batem estradas afora.

Ninguém que se vanglorie da certeza no que tange os dias que virão, porquanto o mínimo de fagulha reverte de ilusões as vaidades e transforma em cinzas os maiores incêndios. Nem sei porque tantos perdem nesse jogo de reverter o presente nas carcaças no futuro. Atiram aos escombros melhores momentos e destroem esperanças num abrir e fechar de olhos, vítimas de si próprios, das humanas vaidades e humanos vícios.

Contudo há que vir à tona, ao dia aprazado, o senso de justiça que rege os fenômenos; longe de nós a força suficiente de escapar dos resultados que elaborarmos nos trilhos deste chão das almas.