28 maio 2021

Neste mundo de ausências - Por: Emerson Monteiro


Jesus lhe respondeu: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça”.
Mateus 8, 20

Isto é aqui, neste chão, aonde viemos no sentido de largar o apego e vencer os liames que nos prendem à matéria. Aparentemente um contrassenso, no entanto a real finalidade de tudo nos levar ao nada. De, num gesto simples, então, lá um dia esquecer de vez todos os favorecimentos do reino material e se erguer, nos próprios pés, aos planos superiores da Criação. Somos nós esses tais autores de nós mesmos diante das interrogações com as quais viemos nos deparar ao nascer aqui. Missão por demais extrema, contudo a única essencial, nos conceitos filosóficos, místicos e proféticos. Sem outra que seja alternativa, os seres humanos dispõem dos meios suficientes a isto realizar.

Vivemos entre os dois reinos, este daqui, perecível, venerável, estanque, e o Reino de Deus, qual nos ensinam os mestres, que simboliza o objetivo principal de tudo quanto há neste universo ora conhecido. Assim, no decorrer das tantas existências, através das muitas reencarnações, nos aprimoramos, pouco a pouco, depurando valores materiais, até obter o salvo-conduto da Realidade definitiva, o que ensinam as escolas espirituais.

Enquanto isto, a vida vale de treinamento. Não tenho amigos, não tenho inimigos, todos são meus professores, Emmanuel (Francisco Cândido Xavier). E a resposta desse processo evolutivo somos todos os habitantes deste mundo cheio de contradições e desafios. Desfrutamos das oportunidades necessárias ao aprendizado, dia a dia, nas atuais condições, horas que se desfazem nas experiências vividas e guardadas ao transcorrer do tempo.

Nessa ordem universal, desenvolvemos a missão de nascer de novo ao eterno ser de felicidade que já o somos e ainda não saibamos. Havemos de decalcar em nós esse ente de plena luz que trazemos na nossa essência. Eis a síntese de todas as crenças e de todas as culturas, durante todas as civilizações.

Maio está chegando ao fim – por José Luís Lira (*)

 

     Nosso próximo encontro aqui será em junho. Maio, mês de Maria Santíssima, Mãe de Deus e nossa, está se encerrando. Na pandemia que se prolonga por mais de um ano as notícias quase sempre nos assustam. E os dias nos lembram Gerardo Mello Mourão, em seu clássico “O País dos Mourões”: “Iam caindo: à esquerda e à direita iam caindo...” Mourão falava de seus antepassados em suas lutas, mas, nos tempos atuais, nós poderíamos referir isso ao inimigo silencioso chamado covid-19 que dizimou à esquerda e à direita pessoas caras, parentes, amigos nossos. As perdas nos remetem a Zenão de Eleia: “Quem é um amigo? ‘Um outro eu’”. Todos temos que fazer a nossa parte, isso é essencial e está muito claro. Confiemos a Nossa Senhora para que como mãe interceda junto de Jesus, seu Deus e Filho, pelo fim dessa situação. 

      Na semana passada retornou à Casa do Pai a Irmã Annette Dumoulin, 85 anos, da Congregação das Cônegas de Santo Agostinho, belga por nascimento, de Juazeiro do Norte, por coração. Ela era considerada a madrinha da “nação romeiro”, dos romeiros do Padre Cícero. Faleceu de causas naturais. Essa semana à Casa do Pai também retornou o Pe. Mailson Sousa Costa, de nossa Diocese. Foi um momento que nos fez silenciar. Jovem, 42 anos, alegre e feliz em seu sacerdócio. Crendo no que pregou em vida, pediu para receber os últimos sacramentos e comungou pela última vez o corpo de Cristo que tantas vezes consagrou... Recordo-me de seu entusiasmo ao falar sobre santidade numa conversa que tivemos. Agora também ele se faz integrante da comunhão dos santos e santas de Deus no corpo místico de Jesus Cristo Nosso Senhor. Intercedam por nós!

     E mesmo em tempos difíceis, há razão para alegria. Por isso, registro alegria pessoal ao receber um e-mail, no último dia 20. Em abril, revisando um trabalho meu sobre Nossa Senhora dos Prazeres e a História de Guaraciaba do Norte, resolvi encaminhá-lo por e-mail ao Santo Padre. Considerei um desafio, pois, embora já tendo me correspondido com Sua Santidade, nunca o fizera dessa forma. E para surpresa minha, recebi resposta. Uma resposta diferenciada das outras que já recebi. Compartilhei o assunto com alguns amigos e um deles me mandou uma resposta que pareceu retirada de minha alma: "Deus sempre é generoso e nos dá prova de Seu amor por meio do seu Vigário na Terra, o Santo Padre". A carta constará no livro. 

      Deus seja Louvado!

      No último dia de maio, 31, o calendário cívico assinala o Dia Mundial das Comunicações Sociais. E quão importantes são as comunicações para a humanidade... Na liturgia se celebra a Festa da Visitação da Virgem Santa Maria, na qual rememoramos o encontro da Mãe de Deus com sua parenta Isabel, que em avançada idade tinha concebido um filho. Lemos no martirológio romano que “no feliz encontro das duas futuras mães, o Redentor que vinha ao mundo santificou o precursor ainda no seio da sua mãe, e Maria, respondendo à saudação de Isabel e exultando na alegria do Espírito Santo, deu glória ao Senhor com um cântico de louvor, o ‘Magnificat’”. É, também, uma tradição na Igreja Católica Apostólica Romana se celebrar a coração da Virgem Maria no Céu, como rainha do céu e da terra. A ela renovamos nossos pedidos e n’ela confiamos.

       Viva a Mãe de Deus, rainha do céu e de terra!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.