24 maio 2021

O vendaval - Por: Emerson Monteiro


Às vezes voltam os roteiros de filmes, de contos, romances, que ficam passeando por dentro das lembranças na maior sem cerimônia e a gente bem que gostaria de rever, reler, reviver nos originais. Assim acontece comigo em relação a um conto de Saki, pseudônimo de Hector Hugh Munro, escritor britânico, cujos contos satíricos e macabros expunham a natureza da sociedade inglesa na primeira década do século XX. Wikipédia

Bom, de tão expressivo que o considero, trago aqui seu resumo: Viviam próximos, em propriedades de vastas florestas, dois ricos senhores. Nas suas matas era costume caçarem aos bandos e, nalgumas ocasiões, entrar nas cercanias um do outro, gerando animosidade que já durava algumas décadas, enquanto as situações persistiam.

Mais adiante, sob o peso daquela tradição desagradável, resolveram pela consciência deles desistir das querelas e fazer as pazes, o que, de certeza, geraria união e melhores dias. Então aconteceu de ambos saírem numa caçada noturna, alimentando possível encontro em que pudessem estabelecer os novos sentimentos, motivo da alegria dos dois.

Altas horas, ao se aproximarem, forte vendaval sacudiu a floresta onde estavam instalados debaixo de vetusta e frondosa árvore. Sem qualquer previsão, o tronco cederia aos fortes ventos, vindo abaixo, prendendo nos galhos os dois ditos senhores, deixando-os próximos naquela solidão noturna.

Em meio da imprevisão do que viviam nessa hora, já desenvolvendo as conversas amistosas que previam, lembraram os demais companheiros da jornada e começaram a gritar, em pedidos urgentes de socorro.

As horas foram passando, no entanto, e nada de serem ouvidos. O tempo arrastava consigo a escuridão da noite, quando escutaram estalidos de madeira, passos distantes na folhagem seca e logo imaginaram ser dos outros homens que lhes acompanhavam. Qual o quê, bando de lobos famintos surgiria voraz e nenhuma chance restou aos dois personagens, que, desvalidos, apenas sucumbiriam na face do inesperado.

Quanto disso acontece pelo transcorrer das existências. Vêm oportunidades dos bons propósitos, que ficam relegadas a planos secundários, de perder o tento das novas histórias, farsas que muitos pregam a si mesmos, tudo sujeito a desaparecer qual em um passe da mágica, instrumentos que sejam de fazer o bem.