15 maio 2021

Até encontrar a Paz - Por: Emerson Monteiro


As tantas vivências deste mundo, nas noites mais escuras, nos sóis que se sucedem, eis os quantos degraus ainda a subir na busca da sonhada Paz. Viver, repetir o mesmo gesto dos dias, construir os sonhos no modo de manter o gosto de continuar, essa a longa caminhada no sentido maior de resolver todos os dramas, de deixar fluir a força que mora em nós. Que mais querer se não isto, de achar o pouso das jornadas, nem sempre vitoriosas, porém único caminho aos passos de todos. Ter o prazer de saber que andamos nos lugares onde descobriremos meios de tranquilizar a consciência e aproveitar as oportunidades do melhor jeito, concretizando intenções sinceras, de realizar o suficiente, e, lá um dia, desfrutar a paz dos justos, e revelar o equilíbrio e a satisfação.

Nisso que se destinam as chances de estar aqui, de plantar a semente da Verdade no coração deste lugar. Ser, sempre, instrumento da virtude; nada tão significativo a fim de existir durante todo tempo. O campo em que isto acontece está naquilo que ora somos. Quais artífices dessa imensa perfeição, trabalhamos sem cessar no objetivo de resolver a equação das horas e desenvolver os instrumentos de humanidade vivos na nossa essência. Sobreviver ao vazio dos objetos e concretizar o novo que trazemos na nossa alma. Todos os caminhos levam a isto, porquanto assim fomos destinados. O que nos reserva o tempo em forma de poder chegar ao momento de germinação.

Os desafios, as contradições, os instintos e desejos, tudo tende a encontrar a Paz e compreender por que viemos, que transportamos nesse valor maior de superar as limitações da matéria e desvendar os mistérios do Espírito, motivo de vir onde estamos agora.

(Ilustração: Vincent van Gogh pintando girassóis, de Paul Gauguin).

Devoção e memória: São João Paulo II, Santo Ivo e o Dia dos Museus – por José Luís Lira (*)

     Nos dias seguintes temos algumas datas de grande significado para mim e para o mundo também. É claro que digo para mim porque as privilegio, mas, muitos, milhares também o fazem. Elas são universais. No dia 18 de maio de 1920, na cidade polaca de Wadovice, nascia Karol Józef Wojtyla, em português, Carlos José. Este era o nome de batismo daquele que ficou conhecido mundialmente como João Paulo II, o terceiro dos três papas de 1978. Todos eles intimamente ligados a Nossa Senhora de Fátima. São Paulo VI, foi o primeiro pontífice a ir a Fátima, João Paulo I, que o sucedeu e viveu poucos dias de pontificado, 33 dias, para ser exato. Sua Santidade o Papa João Paulo II esteve em Fátima antes de ser papa e manteve contato com a vidente Irmã Lúcia. Já São João Paulo II foi, por excelência, o Papa de Fátima. Seus pais viveram os dramas da primeira guerra. Ele sofreu as consequências da segunda guerra, tendo inclusive, exercido trabalhos forçados naqueles dias de chumbo. Nossa Senhora, em Fátima, anunciou o fim da primeira guerra e que nova guerra viria depois. Mas, o que o ligou, definitivamente a Fátima, foi o atentado do qual ele fora vítima a 13 de maio de 1983. Atentado que poderia ter posto fim à sua vida terrena e à missão pontifical que Deus lhe confiou, mas, a mão de Deus pela intercessão de Nossa Senhora (de Fátima) agiu e ele viveu sua missão até seu último dia de vida, em 2005. São João Paulo II completaria 101 anos neste 18 de maio. 

    Nesta data também é celebrado o Dia Internacional dos Museus, criado em 1977, por iniciativa do Conselho Internacional de Museus, organismo que integra a UNESCO. A cada ano é escolhido tema específico para debater durante o Dia Internacional dos Museus. Este ano de 2021 é “O Futuro dos Museus: Recuperar e Reimaginar”. Nestes tempos em que vivemos, o Museu, como sempre o fora, é o guardião da memória e muito se terá a contar. Às vezes imaginamos que estamos vivendo um daqueles terríveis filmes de ficção cientifica, mas, é verdade esse drama da pandemia. A solução vai chegar, pois, Deus está iluminando a ciência, como sempre iluminou, e nós livraremos disso, e nossos museus contarão essa história.

  No dia 19 de maio de 1303, falecia, na Bretanha, França, o religioso e advogado Yves Hélory de Kermartin. Conforme seus biógrafos, o santo vinha de linhagem nobre e, aos 14 anos, fora sagrado cavaleiro. Em vida ele fora aclamado advogado dos pobres. Em 26 de junho de 1347, o Papa Clemente VI canonizou Santo Ivo e, depois, o santo foi proclamado padroeiro dos profissionais de Direito, especialmente, dos advogados. Seu decálogo é uma preciosidade e quase uma base do código de ética de vários países. Aliás, várias nações têm nesse o dia do advogado, como o faz Portugal, França, Itália..., em homenagem ao Santo Advogado. Aqui no Brasil é o dia do acadêmico de Direito. 

   Advogado e professor de Direito, não posso deixar de lembrar este santo e citar dois dos mandamentos do advogado por ele composto: “o advogado deve amar a Justiça e a honradez tanto como as meninas dos olhos (VIII) e para fazer uma boa defesa, o advogado deve ser verídico, sincero e lógico (X)”.

   São João Paulo II, que conheceu nossos tempos, e Santo Ivo, cujo amor pela justiça transcendeu, roguem a Deus por nós!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.