05 maio 2021

O senso do inesperado - Por: Emerson Monteiro


É preciso ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela bailarina.
 Nietszche

Bem isso de viver os séculos de noites insones e poder continuar sonhado diante das tantas câmeras em ação, nas dores inesperadas de horas em movimento, e saber conduzir o barco das vidas, ainda que face a face com os desmandos da inconsciência e dos tempos. Um tanto disso, e o azul de céu a contemplar os afazeres inúteis, porém de acordo com as leis do Cosmos, que os permitem, porquanto necessários ao aprendizado constante destas gerações. Ir ao fundo de mil poços e voltar à imortalidade.

Quero crer ser possível, pois, recomeçar a qualquer momento o que nunca existira, nem na imaginação. Precisar desaparecer até reviver das ilusões; admitir ninguém ser maior que ninguém, que inexiste o inevitável e que sobreviver significa isso de mergulhar a fundo à cratera de si mesmo e de lá reaparecer, razão de tudo, durante todo tempo.

Perder-se e, de novo, descobrir o motivo do que persistia dos universos perdidos no espaço. São muitas as histórias individuais de criaturas largadas aos sóis e que, outra vez, regressam à luz das manhãs de primavera. Andar, portanto, nas estradas do instante quais minúsculos seres doutras galáxias e assistir ao renascimento de espírito simples, suave, espécie de semente do eterno que fertiliza de esperança e fé nos corações.

Aparentemente lançados no abismo vazio doutras energias, as condições dos voos noturnos, sair-se-á noutras dimensões bem mais claras do que o quanto até aqui, então, neste universo estreito que, de certeza, abrirá circunstâncias nunca vistas aos países deste mundo. Nas vozes das montanhas, gritarão além do além, e reverter-se-ão sobre as canções das tantas jornadas do passado.

Conquanto persistam os desejos jamais imaginados dos super-heróis, maiores delírios de luz quedar-se-ão aos olhos do firmamento e dormirão o sono de paz da Felicidade.

(Ilustração: A tentação de Santo Antônio, de Hieronymus Bosch).