27 abril 2021

Paraísos artificiais - Por: Emerson Monteiro


Um mundo velho, atoleimado, vindo abaixo numa velocidade estúpida, e tantos ainda se achando meio cobertos de razão, atolados até o eixo na lama das ilusões que artificializaram. Que mundo, que estrelas, que gentes. Cercadas de falsos motivos de viver, amam mil trastes, lágrimas de langor, troços perdidos no pântano de uma corrupção generalizada nos espaços toscos da ignorância. Que mais esperar de uma gente que se arrasta pelo trilho de mentes sem cura. Bem isso de olhar pela janela dessa nave, enquanto cavam as próprias perdições, desfiladeiros de ausências logo ali na curva do Destino.

Existem, pois, soltos nas crinas dos laboratórios os tais instrumentos de enganar a si, isto a preço módico, no alcance das castas ditas de poder, que nutrem falsos luxos da matéria preciosa dos dias. Daí, correm soltas aos mercados tecnológicos à buscam de enganar seus pedaços de carne em decomposição, fertilizantes da história, o que vem passar depois da estupidez acelerada. Políticos, líderes de fancaria, pobres mortais das massas tóxicas. Capengas vilões da sorte alheia. Vão desfilando no picadeiro dos circos de horror em que produzem as crias da pobreza espiritual, transportam no bornal a falta de conhecimento.

Mesmo desse jeito, ocupam lugares e transferem ao lixo tantas oportunidades do que melhor poderia ser a rica imaginação humana. Refazem de sucata os sonhos vagos dos pobres enganos guardados debaixo de injustiças e sofrimento. Mas irão, sim, chegar ao dia, aos pousos certos, no alho das dores que fermentarem. Nem de longe ficarão impunes, enganchados naqueles abismos dos que perderam o prumo e querem, agora, corrigir a multidão. Ninguém foge ao crivo da Verdade, luz acesa de tudo, uma vez que só criar fantasias jamais encobriria a força descomunal do Tempo no seu eterno movimento. Mais perto estão os frutos dos desejos de Paz. Quem viver verá.

(Ilustração: Juízo Final, de Ticiano).