23 abril 2021

Resgate coletivo - Por: Emerson Monteiro


Faz perto de quatro décadas quando isso aconteceu. Era junho de 1982 (O Voo VASP 168 foi um acidente aéreo ocorrido em 08 de junho de 1982, quando um Boeing 727-200 com destino a Fortaleza se chocou contra a Serra da Aratanha, na cidade de Pacatuba, Ceará.) Wikipédia

Dentre as 137 vítimas fatais estava meu cunhado Wagner Dantas, esposo de  Lydia, minha irmã, ele um jovem empresário bem sucedido da confecção cearense, digno trabalhador e pai de quatro filhos. Foi um choque tremendo a nossa família, o que acompanhei passo a passo, inclusive na reorganização dos negócios da empresa e permanecendo junto de sua família durante 22 dias, eu e minha mãe. Dias difíceis, dolorosos, que marcaram profundamente a todos nós.

Nesse período, espírita que sou, frequentava às 16h dos sábados, reuniões privadas que ocorriam na União Espírita Cearense, à Rua Carapinima, em Fortaleza, quando havia manifestações mediúnicas de psicografia através de D. Maria de Lourdes, médium respeitada e eficiente. Recebia mensagens de entidades espirituais, dentre elas, naquela fase, pude presenciar comunicação escrita de um espírito que desencarnara no fatídico acidente aéreo. A pessoa se identificava como um dos passageiros, e revelou que naquele voo estiveram reunidos antigos membros do Império Romano à época da perseguição aos primeiros cristãos, os quais foram responsáveis pelas mortes das chacinas, com fieis sendo jogados de penhascos, queimados em fogueiras, atirados a feras e gladiadores, no Circo Romano.

O carma coletivo então adquirido viera, pois, de ser resgatado na ocasião do citado acidente. Mensagem equivalente eu leria, mais adiante, num dos livros mediúnicos de Francisco Cândido Xavier, que passaria à minha irmã, dessa vez também de outro passageiro, uma enfermeira que estava entre as vítimas e relatava idêntica explicação a propósito da ocorrência.

No transcorrer das consequências imediatas, de todas as vítimas restaram por volta de 200kg dos corpos, sepultados em cerimônia única, a meio de grande comoção pública, exatamente no Dia de Corpus Christi daquele ano.

Santo Antônio: Sabedoria e Humildade – por José Luís Lira (*)

 

     Outro dia iniciei os comentários sobre o livro “Santo Antônio: A história do intelectual português que se chamava Fernando, quase morreu na África, pregou por toda a Itália, ganhou fama de casamenteiro e se tornou o santo mais querido do Brasil”, Editora Planeta, autoria de Edison Veiga, a mim presenteado pelo amigo e colega na advocacia Macsimus Duarte. Uma coluna não é suficiente para comentar o trabalho de Veiga e mais ainda a história e a santidade de Antônio a quem chamo “o Grande”. Mesmo com esta, ainda retornarei ao tema.

    Edison explica que “Santo Antônio de Pádua, o homem que tomou para si o nome da cidade e rendeu a ela fama mundial, não nasceu Antônio, muito menos paduano. Por batismo, Santo Antônio se chamava Fernando. E nasceu em Lisboa, que na época ainda não era a capital de Portugal”. Este confirma o que se costuma dizer que a pátria do Santo é o local do qual ele retorna à Casa do Pai pelo falecimento. Assim, por exemplo, Santa Paulina e São José de Anchieta são santos brasileiros, os Beatos Assunta Marchetti, Eustáquio Lieshout, nascidos em outras terras, são tão brasileiros quanto Santo Antônio Galvão, Santa Dulce dos Pobres, Beata Nhá Chica e Beato Donizetti Tavares, brasileiros por nascimento. 

    Antônio descende de nobres. Seu pai, Martin vem dos herdeiros de Godofredo de Bulhões, aclamado o primeiro soberano do Reino Latino de Jerusalém que, para mim, é muito especial, pois é dele que se origina a Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, nobre e pontifícia, na qual me honro em ser cavaleiro e secretário-geral do Conselho na Lugar-Tenência do Rio de Janeiro. O pai de Antônio e sua mãe eram nobres. Veiga nos informa que Martin de Bulhões, mais do que fidalgo, era prefeito de Lisboa. Antônio, então Fernando, estudou o trivium: gramática, retórica e dialética; o quadrivium: aritmética, geometria, astronomia e música. Por nobreza, estudou cavalaria, ao completar 15 anos. Mas, Fernando “não iria se tornar cavaleiro como o pai. Ele havia conhecido: sua família seria a Igreja; suas batalhas seriam com as armas da fé”. O nobre se tornou monge agostiniano, sendo ordenado Sacerdote. Com o passar do tempo, se tornou franciscano, então jovem instituição com o fundador ainda vivo, Francesco di Assisi. O Padre Fernando largou nome e sobrenomes e se tornou Frei Antônio (Antão, na forma latina, Antonius).

    O Frei – Irmão – Antônio, diz-nos seu novo biógrafo Veiga, “Havia se tornado um homem que cultivava o silêncio – assim refletia, meditava e conversava com Deus” e desenvolveu a missão brilhante em prol do Reino de Deus. Mais uma vez recorrendo a Veiga: “Ele era a prova de que era possível mesclar humildade com conhecimento, simplicidade com doutrina, coração com razão”. São Francisco o chamara de seu “Bispo”, sendo, depois, aclamado o primeiro doutor ou mestre franciscano e o povo observou sua santidade reconhecida pela Igreja menos de um ano após seu falecimento.

    O Santo esteve nos exércitos português e brasileiro após sua morte. Entre nós, Antônio é general da reserva não remunerada e na Igreja, Doutor Evangélico. De Fernando Martins de Bulhões a Santo Antônio de Lisboa e de Pádua, de sacerdote agostiniano a frade franciscano, tudo isto e muito mais está no valioso livro de Veiga!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.