16 abril 2021

O lugar do coração - Por: Emerson Monteiro


Nessa busca incessante de achar paz dentro da geografia da gente, quantos pontos cardiais de esperança o coração e a vontade experimentam na revelação das flores e dos frutos, estando a alma em sintonia consigo mesma. Andam devagar nas estradas desta vida; olham insistentes o crivo dos sentimentos; e caminham de olhos atentos às margens de tanto amor pelos desvãos das promessas. Os sinos da alegria que sacodem o valor de sonhos e sorrisos contêm o impulso extremo de vislumbrar os jardins de mais além, nos pequenos louvores das estrelas, de contemplar o firmamento no íntimo das nossas canções.

De palmilhar, pois, as gretas de nós mesmos, lá certo dia se aprenderá o jeito bom de acreditar nos valores da satisfação de nossos instintos no nível mais alto da consciência. Coragem de sustentar normas de bondade sem perder tempo nas longas escolhas que fluem feito folhas e logo em seguida desaparecem como que por encanto no horizonte da pureza do tempo. Nisso, alimentam os gestos de união das criaturas, força inigualável de tempos novos cheios de felicidade.

Assim, depois de longos desfiladeiros de solidão, por fim deparam com o senso da razão de ser o amigo fiel das lonjuras. E amar define o senso da evolução perante os seres, modo perfeito de satisfazer a eterna procura dos melhores momentos. Quantas vezes, neste afã de revelar tais meios de harmonizar o universo dos aventureiros, neste procedimento, somos vistos pelas normas do divino instante qual milagres da Criação, e rimos de tão merecedores, na realização do Ser.

Bem isto, seremos os autores da humana concretude face ao movimento persistente das ondas deste mar infinito de histórias sem fim. Suaves parceiros dos segredos do equilíbrio de luzes e sons, enfim abriremos a porta do silêncio e habitaremos o país das emoções em festa.

Príncipe Philip, o Duque de Edimburgo – por José Luís Lira (*)

 Príncipe Philip (1921--2021)

   O título também poderia ter, romanticamente, um subtítulo: a história de um amor ou, ainda, mais realisticamente, o marido da Rainha Elisabeth II, da Inglaterra. A morte do Príncipe Filipe, nascido Príncipe da Grécia e Dinamarca, foi o principal noticiário dos últimos dias. Seu sepultamento ocorre neste sábado, na Capela de São Jorge, que fica no Castelo de Windsor, 2 meses antes de seu aniversário de 100 anos. Todos os que me conhecem sabem que vejo na monarquia constitucional como a melhor forma de Governo. O monarca atua como Chefe de Estado e é reconhecido como uma espécie de grande pai da Nação. Sua Alteza Imperial e Real Dom Bertrand de Orleans e Bragança, que celebrou 80 anos em fevereiro último, tetraneto de nosso primeiro Imperador, Dom Pedro I, diz com muito acerto que todo brasileiro aspira o ideal monárquico. Quantos reis no Brasil temos? Rei da música, rei do futebol, princesas etc., muitos. E presidentes? Só de instituições. A monarquia nos foi tirada, mas, nós não a esquecemos.

    Voltando ao Príncipe Filipe, sua história é muito interessante. Filho do príncipe André da Grécia e Dinamarca e da princesa Alice de Battenberg que depois de viúva se tornou freira na Igreja Ortodoxa e foi sepultada em Jerusalém, Filipe nasceu na Grécia, pertencendo às famílias reais grega e dinamarquesa. Sua família foi expulsa da Grécia enquanto ainda era criança, durante o Golpe de 1922. Filipe estudou na França, Inglaterra, Alemanha e Escócia, ingressando na Marinha Real Britânica, em 1939, aos 18 anos. Numa ocasião, Filipe conheceu a Princesa Elisabeth, filha do Rei Jorge VI do Reino Unido. Consta que foi amor à primeira vista. Ela tinha 13 anos, ele 18 anos. Eles são primos de segundo e de terceiro grau. Para casar-se com a então Princesa Elisabeth e herdeira do trono do Reino Unido, em 20 de novembro de 1947, Filipe renunciou seus títulos gregos e dinamarqueses, converteu-se da ortodoxia grega para o anglicanismo e recebeu o título de Duque de Edimburgo. Tratou-se de uma extrema renúncia pessoal. Ele sabia que não receberia o título de Rei-Consorte da Rainha, mas, de Príncipe-Consorte. Que sua vida ficaria completamente atrelada à Rainha não só no aspecto sentimental, mas, em todos os aspectos. Ainda assim ele a tudo renunciou por amor à Princesa que ele viu se tornar Rainha e se tornou o pai do sucessor de Elisabeth no trono, Príncipe Charles (Carlos, em português), avô do Príncipe William (Guilherme, em português), que sucederá a Charles e assim sucessivamente.

    Pelos mais de 70 anos de serviço à realeza inglesa, vimos o mundo todo se manifestar solidariamente à Rainha e sua Família. Os próprios ingleses sentiram a partida do Príncipe Filipe como se de alguém da família. Foram muitas as declarações neste sentido de líderes mundiais, destacando Sua Santidade o Papa Francisco, reis, rainhas, presidentes, chanceleres e outras personalidades, entre as quais Sua Alteza Imperial e Real Dom Luiz de Orleans e Bragança, chefe da Casa Imperial do Brasil e herdeiro de direito do trono brasileiro. O povo inglês lembrará o Príncipe Filipe, como nós, brasileiros, lembramos de Dona Leopoldina e Dona Teresa Cristina, imperatrizes, esposas dos Imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II.

      Que Deus o guarde!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.