09 abril 2021

As portas da ilusão - Por: Emerson Monteiro


Largas, imensas, rasgam as vistas... Escancaradas bem na margem dos passos dessas criaturas humanas, por via do pensamento vacilado, torna-os meros escravos de si mesmos, entregues às ganas dispersas da ilusão entontecida, imprudente, das longas noites de loucura, vastos campos de amargas visões, dorsos amolados na fraqueza daquelas almas inebriadas de alucinadas perdições, dromedários dos vícios e das sombras.

Foram, pois, muitas daquelas horas de coragem às avessas, nas aventuras de abelhas de fastios exasperados, longas filas de zumbis lançados aos universos inexistentes, pecados de religiões invertidas e à toa, no tempo e no espaço fugido, ao longo das patas daqueles animais enfurecidos no deserto.

E pensar que a morte não é o fim, só um novo recomeço. Regras imortais das calandras desse mundo de surpresas, viemos aqui tão apenas experimentar viver e aprender, reconhecer as tantas oportunidades na aplicação do fenômeno vida, instrumentos de elaboração da consciência que o somos e seremos sempre. Nesse dizer, resta aprender, guardar o definitivo das luzes que percorrem o firmamento, experimentos de segredos tenebrosos.

Insistir em renunciar a tudo isso na intenção dos acertos, construir novos seres e salvação no íntimo da criatura em crescimento espiritual, foi assim e será o ofício da natureza, no coração de todos nós. Aprendizes do destino, talhamos vencer a ilusão num esforço necessário à libertação que nos aguarda mais dia menos dia.

Conquanto ainda em aprimoramento, no entanto seres de poderes incríveis, na força suprema de criar o painel das histórias individuais, qual função inevitável, no gesto de existir nas dobras do tempo onde habitamos. Senhores desta possibilidade às nossas mãos, construímos o futuro ao sabor do presente. Somamos força ao poder infinito dos mistérios, e dormimos no seio do Eterno quais minúsculas partículas da perfeição de que já somos dotados.

Esperança Renovada – por José Luís Lira (*)

      Esta semana da oitava ou primeira semana da Páscoa começou com a esperança de dias melhores. Pelo novo decreto municipal emitido pelo Prefeito de Sobral, Ivo Gomes, autorizou-se a retomada de algumas atividades, contempladas no decreto estadual, entre as quais o setor de construção civil. E nisto muito nos animamos pela possibilidade de reinício da restauração do Museu Diocesano Dom José, já septuagenário. Por conta disso voltei a Sobral e revi essa terra tão amada. Não fiz um tour, apenas fui aos locais que precisei ir. Sobral é uma cidade viva. Gostamos dela. Vivemos n’ela. A força que nos move nestes tempos é a esperança. Vemos os esforços das autoridades municipais e estaduais para proteger a VIDA. Outro dia me questionaram sobre uma possível “violação” ao direito de ir-e-vir e eu respondi – como responderia em qualquer ocasião –, que o direito à vida é maior. O choque de princípios constitucionais é sempre solucionado com ponderação e com o princípio da proporcionalidade. De que adianta eu ter o direito de ir-e-vir se enquanto usufruo ponho minha vida em risco e posso pôr a vida do outro também em risco. É preciso prudência e proporcionalidade que rima com humanidade, humildade etc. Não estamos confortavelmente livres dessa situação. Mas, vamos torcer e oferecer nosso contributo, mantendo o isolamento.

     Última quinta-feira o dia inspirou saudade porque foi o 11° mês de falecimento de minha amada Matusahila. É uma saudade tão grande que nosso conforto é saber que ela está na glória de Deus e a Deus a confiamos. Mas, nesse mesmo dia houve também alegrias. Acompanhei meu pai, dentro de sua faixa de idade, na vacinação dele contra a covid-19 e penso que na próxima semana será a vez de minha mãe, com a graça de Deus. E neste mesmo dia retornei à sala de aula como aluno, mesmo após mestrado, doutorado e pós-doutorado para uma Pós-Graduação em Direito, dessa vez em Direito Canônico, matéria que muito aprecio. Uma turma bem dedicada e preparada. Fiquei muito feliz participar. O público é mais de padres e religiosos(as), mas, temos leigos também, entre os quais me situo. Quando acolhi o convite, primeiro foi porque aprecio muito o tema; segundo porque é oportunidade de requalificação e a disciplina se envolve com as que leciono. O Curso é oferecido pelo Instituto de Estudos Superiores do Maranhão – Faculdade Católica. E se o magistério é um sacerdócio e o bom pastor, lembrando o Papa Francisco, é aquele que sofre a dor das ovelhas junto a elas, é muito interessante a nós, professores, que estamos vivendo esses tempos, passarmos para o lado do aluno que assiste aulas remotas. A experiência é sempre válida e se pode compreender melhor as limitações dos alunos nesse contexto sendo, também, aluno. 

     Falando em Papa Francisco, sua mensagem de esperança continua a ecoar do Vaticano para o mundo e no último domingo ele concedeu a bênção urbi et orbe (da cidade para o mundo). Sua imagem de pastor solidário com a dor das ovelhas, reitero, representa o maior estadista deste tempo de pandemia. A história fará o registro. E, confiando em Deus, aguardemos o dia em que venceremos essa etapa, com o abraço da paz nas Celebrações em Ação de Graças que será mais intenso. 

      Deus nos proteja

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.