06 abril 2021

O rei de cada barriga - Por: Emerson Monteiro


Nesses tempos que é de guerra e paz, dormentes e impávidos lá vão eles, os donos do poder de tudo, ou nada. Umas, vestais de credos desconhecidos; outras, senhoras dos ares e dos mares. Que vale dizer tangem os rebanhos das consciências nas trilhas das lendas. Claro que existem os menos inúteis, no entanto que carregam consigo do pouco que juntaram das tralhas dos vagões. Olhos acesos nas sombras do que deveriam carregar, esquecem o peso e transportam multidão de ilusões em forma do vazio que significam viver. Sóis e luas, arrastam cruzes e matulões de vaidades soltas, cacarecos da ansiedade, das dores atrozes do desespero, de amanhã, de horas desejadas de ambições perdidas. Eles, muitos, bichos de lata e cavaleiros da solidão.

Isso bem dos tempos quando as amarras dos navios começavam a virar fiapos de lã num mar de vícios. E as luzes do alvorecer pedem mais sinceridade às criaturas, estas peças de reposição do destino cheias de certezas artificiais e cicatrizes de combates que nunca aconteceram dentro de si. Apenas saltimbancos doutros filmes jogados à lama dos séculos, à lata de lixo da história. Neles, que as esperanças viraram feras sem dentes e lâminas de papel toalha. Quase isso, de alimentar o firmamento de seres destinados a outros planetas vindos bem de longe, certo dia, à cata dos seus habitantes.

Fôssemos recorrer aos sonhos da ficção, diríamos só que já atravessamos o lodaçal dos resultados aqui plantados no decorrer das civilizações, conquanto aguardamos nova fase de alegria e uma coletividade fraterna, fruto do que até agora aprendemos a ferro e fogo. Nada, porém, foi para sempre, se assim o será nalgum momento perante as ilusões de um chão de tanta fantasia. Há que haver, por isto, solo fértil de verdades absolutas, oportunidades da visão plena e dos valores eternos, que persistem acesos em nossos corações.

NESTES TEMPOS DE DOR E PERPLEXIDADE PELA PANDEMIA DO VÍRUS CHINÊS

 Em meio à mediocridade – com raríssimas exceções – dos políticos brasileiros, leiam abaixo a mensagem do Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança – este sim, um verdadeiro estadista! São palavras elevadas, frutos do equilíbrio, sensatez, serenidade e sensibilidade de Dom Luiz.. 


MENSAGEM DO CHEFE DA CASA IMPERIAL DO BRASIL


    Meus muito caros brasileiros,

    No dia 1º de abril de 2020, quando os graves efeitos da pandemia do novo coronavírus apenas começavam a ser sentidos em nosso País, julguei ser de meu dever, como Chefe da Casa Imperial do Brasil, dirigir-lhes palavras de Fé, esperança e caridade. Passado um ano desde aquela comunicação, acredito ser oportuno revisitar os pontos ali levantados, à luz da experiência obtida desde então.

    Com profunda consternação, quero, antes de tudo, lamentar a perda irreparável de 321.515 vidas colhidas neste período no Brasil, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde. Rogo a Deus Nosso Senhor, por intermédio da Santíssima Virgem, pelo eterno repouso dessas almas, e ofereço orações e solidariedade, em meu próprio nome e em nome de toda a Família Imperial, às famílias enlutadas e àqueles que vêm sofrendo, direta ou indiretamente, em função da crise sanitária.

    De outra parte, não posso deixar de comemorar o fato de mais de 11 milhões de nossos compatrícios – dentre os quais alguns de meus próprios irmãos, cunhadas e sobrinhos – terem superado a moléstia. Apesar dos problemas e das dificuldades por todos nós bem conhecidos, pode-se afirmar que o Brasil tem enfrentado esta verdadeira guerra, travada não em trincheiras, mas sim em leitos hospitalares, da qual pelo favor de Deus, e pelo valor de seus filhos, há de sair vitorioso.

    Neste sentido, devemos louvar o devotamento incansável de nossos cientistas, médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde que, com não pequeno risco para suas próprias vidas, têm se empenhado no combate e tratamento da doença; o trabalho e o sacrifício desses profissionais – assim como os dos chamados “trabalhadores essenciais”, que, a bem dizer, mantêm o País funcionando durante a calamidade – será sempre digno de toda a nossa admiração e reconhecimento.

    Convencido como estou de que o fim do flagelo não tardará, conclamo as Autoridades Constituídas em nível federal, estadual e municipal a deixarem de lado quaisquer discordâncias políticas e cooperarem, segundo suas legítimas atribuições, neste já dolorido esforço em prol da saúde do povo brasileiro. Recomendo-lhes ainda olhar com particular atenção a aflição de médios e pequenos empresários, profissionais liberais, autônomos, bem como os trabalhadores em geral e suas famílias, duramente atingidos pela crise econômica resultante da pandemia; o Brasil é lar de uma gente generosa, laboriosa e inovadora, que saberá superar mais esta crise, fazendo uso dos recursos com os quais nos dotou largamente a Divina Providência.

    Agora, uma vez mais, como católico, sinto ser necessário externar minha angústia ante a nova ameaça de fechamento das portas das Igrejas do Deus único e verdadeiro, privando tantos e tantos brasileiros de receberem os Sacramentos da Confissão e da Sagrada Comunhão e, mais grave ainda, levando muitos a falecer sem a Unção dos Enfermos.

    A prática da Religião é fator preponderante para a saúde psíquica de um povo, de modo que renovo aqui o meu respeitoso apelo aos membros do Clero para que – neste momento em que, com razão, preocupamo-nos com a saúde do corpo – não deixem de cuidar da saúde das almas e da salvação eterna de nossos irmãos, como tantos Santos o fizeram por ocasião das pestes que assolaram as nações no passado. E inspirado na Fé que moveu aqueles Santos, animou os mártires e ergueu a Civilização Cristã, convido todos à oração e à penitência.

    Por fim, dirigindo-me de modo particular aos sempre leais monarquistas, quero agradecer-lhes pelo exemplo de amor acendrado à Pátria, de solidariedade e de busca do bem comum que souberam dar ao longo do último ano.

    Na cuidadosa observância das necessárias medidas de resguardo, tem sido possível realizarmos pequenas reuniões, com número limitado de atendentes. Contudo, permanece minha orientação para que, por ora, Encontros Monárquicos e reuniões correlatas de maior porte permaneçam sendo realizados sob o formato de videoconferência, deixando que o uso sadio da tecnologia moderna transponha as vastidões geográficas de nosso rico País de dimensões continentais. Tanto quanto for possível, não faltará a essas beneficiosas conferências o concurso de meus imediatos herdeiros dinásticos, os irmãos Dom Bertrand e Dom Antônio e os jovens sobrinhos Dom Rafael e Dona Maria Gabriela.

Tenhamos em mente que o impedimento é momentâneo, e que muito em breve poderemos comemorar, todos juntos, o Bicentenário da Independência do Brasil, em 2022.

    Encerro esta comunicação da mesma forma que fiz há um ano: rogando a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, que leve consolo às famílias enlutadas, alento aos enfermos e que abençoe e proteja esta Terra de Santa Cruz, a Ela consagrada por meu tetravô, o Imperador Dom Pedro I, por ocasião do Grito do Ipiranga.

São Paulo, 1º de abril de 2021.

Dom Luiz de Orleans e Bragança

Chefe da Casa Imperial do Brasil