21 março 2021

Na escola deste universo - Por: Emerson Monteiro


Talvez alguns imaginassem existir, e só existir. Largados aqui fossem aos segredos desse movimento constante, vagassem testando as barreiras do tempo na medida das suas necessidades, ou que fossem tão só sombras do vento, meros incidentes da natureza, abandonados aos caprichos dos acontecimentos ocasionais. Talvez...

Esses aventureiros dos céus, igualmente viajantes do trem das horas, sem cessar batem calçados nas estradas; comem, dormem, trabalham, navegam, viajam, descem e sobem nas costas uns dos outros; estiram pernas em lugares os mais indefinidos; manjam e saem pelas portas dos fundos quais protagonistas de cenas que viraram fumaça na medida em que perdem a força de viver, e tudo. No esforço de responder aos tais testes, todavia, reúnem do pouco que aprendem e acalmam o instinto de continuar olhando no passado, quais quem não desejasse perder o trilho e continuar sempre a sina de ganhadores espertos.

Quadro esse, no entanto, que exige largo esforço dos protagonistas, de saber disso quase nada, a que não ser que chegaram de não sei onde e irão a lugar algum, vêm e vão aonde ir, e muito dessa jornada rumo às estrelas lhes parece ficção. Livros e livros, professores, funcionários, edifícios, multidões, nesse rio que flui de dentro e de fora das criaturas que nascem e rolam no azul das claridades. Todo esse tempo, que vibra nas conversações, aulas abertas, experimentar e sofrer, e amar, e conhecer, luzes dos olhos das manhãs, e desaparecem lá longe, no final das tardes silenciosas. 

Há que estar aqui... Eu sei. Sobreviver aos escombros das saudades, ao escarcéu dos conflitos, à fome das ilusões, nas quedas aos braços da inexistência deste chão temporário e delicioso várias vezes. Salões enormes e peças largadas inúteis, porém na razão de ser dalguma superfície que existirá no íntimo das montanhas da consciência. Vontade maior de sustentar o mistério de que são elaborados eles encontram entre tempo e espaço, doces repastos das ausências que de si carregam no peito.

Vários até se aventuram querer revelar o que lhes dizem os pensamentos, os sentimentos, meditações, sonhos, imaginação; contudo meras palavras que apenas traduzem o instinto desse dizer sem conta, e esperam das pessoas o que nem podem dar a elas, a real transformação naquilo em que ouvem os sons do coração de uma Eternidade esplendorosa.

(Ilustração: O vazio, de Daniela Agostini).