13 março 2021

Limites da resistência humana - Por: Emerson Monteiro


Há momentos por demais extremos, quando escurece o tempo e se procuram as mínimas alternativas, no entanto ausentes. Situações, a bem dizer, de absoluta solidão interior. Desafios à sanidade. Extremos limites da possibilidade desses seres que somos. Olhares em volta e total condição da pequenez de tudo quanto os cerca. Nessa hora, chegam respostas do que fizemos até então. O que reunimos de conforto dentro da alma. A fronteira da resistência. Nenhum apego mais daquilo que tanto alimentou vaidades, pretensões, orgulhos, arrogâncias, superioridades, vontades de poder...

Só de preservar sonhos ninguém vive. Acreditar no impossível e deixar correr o barco, atitudes sem bases reais, serve de convicções intelectuais de fugir ao sagrado das religiões; nenhuma consciência, porém, suficiente de sustentar teses materialistas e sofrer com dignidade, somente. Restam laivos de viver a coragem, o destemor no desespero, temeridades, a força de reconhecer a existência qual valor substancial de tudo, sobremodo nesses animais que pensam, tais somos nós.

As situações-limite dessas vivências com que nos deparamos sustentam a força da evolução; a alguns, a fé, os credos, as raças; da firmeza nas crises. Ainda que de fugir houvesse meios, nem disso haver certezas, porquanto o território da presença neste chão dispõe das barreiras do instransponível. 

Nessas ocasiões, a inevitabilidade da sobrevivência fala mais alto e pede coerência, paciência, meios de negociar com a sorte dos destinos. Contar outros valores trazidos lá de longe. Talvez da inocência da infância, do amor dos pais, de irmãos, amigos. Do amor, afinal, que revive histórias felizes e sustenta teses de salvação. Palavras de conforto daqueles que narram episódios de vitórias e curas fora de qualquer cogitação, mas acontecem. 

Aceitar o inevitável, eis o que ensinam os mestres, os filósofos, as vidas e vidas que gravaram seus nomes na História. Sejam que testemunhos de esperança, haver-se-á de servir aos que padecem os dramas daquelas ocasiões extremas e clamam dalgum universo a luz da conformação, e aceitam em paz o que tenham de padecer, mesmo face aos dias ingratos deste mundo.


Idas e vindas - Por: Emerson Monteiro


Pensar é assim, movimento de seres exóticos a percorrer os corredores de si mesmo, por vezes na escuridão de horas infindas; noutras, apenas pedaços de corpos que se desfazem nas dobras desse lugar silencioso. Uma pátria enorme de alternativas no pensar, porém às vezes sem qualquer finalidade, tão só apelos a novas possibilidades, que também somem apressadas diante dos eternos segredos do Tempo.

Nesse frisson de tantas luzes que apagam e acendem a todo minuto, os pensamentos invadem o território da imensidão cobertos de lâminas metálicas aquecidas pelos sóis de cada manhã. Vagas soltas pelo ar, aqui avançam passo a passo nas palavras, que nada mais serão que novas sementes na forma de pensamentos que chegam a outras criaturas humanas. Apenas isto, desejos informes de revelar aquilo que jamais será conhecido a não ser que germine aonde vai. Hálito forte de visões adormecidas que sobem ao deserto dessas horas e refazem as probabilidades que desaparecem nas brumas do vento. Quantos sons diluídos, pois, no instante, e que dormem no eito dos inanimados, quais serão nada logo ali no abismo do Infinito.

E perguntar pelos sonhos, as histórias adormecidas que despertaram a meio da noite e embalam almas de memórias insistentes, esquecidas falas de um mundo que vive dentro da gente e que dele quase nada conhecemos além de saber que existe. Toca o espaço dos pensamentos e diz desse universo assombrado das cavernas escondidas, no íntimo da natureza, enigmas necessários a todo o momento, rescaldos e respostas da humana Consciência em gestação.

Enquanto isso, acontecem os refolhos do indivíduo; alguém mexe consigo mesmo em face da busca incessante de fugir do encantamento que a tudo envolve. Reviram as páginas do instinto feito de palavras que renascem debaixo dos pensamentos e percorrem as veias dos sentimentos; olham extasiados os clarões de luas, elas que falam de certezas próximas e deslizam suavemente pelas fibras do coração, formam lagos de esperança e paz, e desmancham os apegos do chão no Amor à liberdade.