09 março 2021

Um Eu maior - Por: Emerson Monteiro

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endência que seja de alguns, de muitos, talvez, achar, no lado negativo, a humana condição que predomina; entretanto vejo diferente, porquanto sou, a bem dizer, um otimista crônico. Sim, sei da insistência depreciativa de quantos julgam apressados a raça de que somos. Argumentos sobre guerras, misérias, injustiças, perversões, desassossegos, paixões, desigualdade social, desonestidade, perseguições, irrealizações várias, porém esquecidos, em tudo, que existe o lado da luz, claridade inevitável da unidade fundamental dos sistemas, durante todo tempo. 

Desde dentro da gente, existe um mundo novo a ser revelado passo a passo, na medida de nosso crescimento da consciência, ampliação da visão do quanto desfrutamos de existir, os seres inteligentes da Criação. São vitórias sem conta espalhadas neste espaço onde viajamos vidas e vidas. Multidões de conquistas, sobretudo no campo da tecnologia. Nas artes, ciências; avanços administrativos dos grupos sociais; aprimoramento das leis, dos estudos e pesquisas; descobertas e aperfeiçoamento dignos de seres desenvolvidos, que assim possamos ser. 

Entrementes, há necessidades urgentes no aspecto moral, psicológico, emocional. Batemos cabeça de encontro a nós mesmos quando a matéria é o conhecimento da essência espiritual, vez ainda engatinhar nesses assuntos. Quais esquecidos de si próprios, humanos abandonam a segundo plano as revelações da alma, fonte e origem da harmonia e da paz.

Ao que consta do tanto que as ciências do espírito vêm conhecendo, inúmeros exemplos de grandes luminares demonstram as possibilidades de evoluir no sentido do autoconhecimento, de vidas sucessivas, do Subconsciente, da concentração mental, da ioga, da meditação, oração, práticas de fraternidade, solidariedade, divisão da riqueza; um campo infinito de demonstrações transformadoras e sustentáveis de viver coerentemente, instrumentos que virão, por certo, indicar o real objetivo a que viemos e, afinal, constituir justo motivo das existências. Só, deste modo, então, conheceremos a verdadeira natureza humana face aos mistérios universais de que fazemos parte integrante.


Olival Honor - Por: Emerson Monteiro


Sempre é bom lembrar os amigos, máxime quando eles também gostam do que a gente gosta. Livros, gostar de livros; um deles, Olival Honor de Brito, poeta e cronista de Crato, pessoa votada às letras e de largos serviços prestados à cultura caririense. 

Desde bem antes, conheci Olival, nas démarches de 1964, ele funcionário da agência de Crato, do Banco do Brasil, e que seria transferido a outras terras por conta das reações verificadas na ocasião, em face das suas posições políticas. Trabalharia longo período em João Pessoa, onde plantou largas amizades, lá mais adiante (década de 80) regressando, já aposentado, ao Cariri, pátria que tanto ama.

De volta ao Crato, só então tive a oportunidade de nos aproximar, agora através dos nossos interesses literários. No Instituto Cultural do Cariri, do qual participo de 1983, realizamos o rescaldo da biblioteca, ao tempo vitimada por rigoroso período de chuvas que atingiu o prédio que ocupávamos, à Praça 3 de Maio (São Vicente), destruindo larga quantidade das obras raras e dos documentos que tão bem preservamos. Olival tomaria a capricho salvar o que restara do acervo. Por sua iniciativa, alugaria duas das salas do edifício em frente ao Colégio Pequeno Príncipe e transferiria todo o material restante a novas e provisórias instalações. 

Nessa fase, aprovaríamos junto ao governo do Estado, no mandato do governador Lúcio Alcântara, o projeto de construir uma sede própria da instituição, local atual do ICC, na Praça Filemon Teles, em terreno doado pelo prefeito Ariovaldo Carvalho. Encabeçaria a construção o presidente Manoel Patrício de Aquino, que realizou trabalho primoroso, razão de hoje termos nossa sede num lugar privilegiado, em frente ao Parque de Exposições do Crato.

Enquanto isto, Olival seguiria sua produção de poeta e cronista, também a editar seus próprios livros, ora em torno de uma dezena, com textos valiosos que retratam com fidelidade momentos de nossa história regional e apresenta seus pontos de vista, inclusive na visão sócio-política em prol da justiça social e dos novos tempos que construiremos com trabalho e dedicação no decorrer da História. 

Ele é advogado militante e toca firme a sua caminhada beletrista, sendo ex-Presidente, ex-membro do Conselho Superior e atual ocupante da cadeira nº 7 (patrono: Antônio Barbosa de Freitas), da Seção de Letras do ICC – Instituto Cultural do Cariri, e um dos destaques da rica literatura cearense.