08 março 2021

As transformações que a vida impõe - Por: Emerson Monteiro


Dentro de alguns instantes tudo muda em um jeito de renovação diante dos impasses naturais à nossa vontade, nos caminhos deste chão. Quer-se o impossível, porém leis do desconhecido impõem determinações que mexem com a gente na faixa estreita das decisões, e, mesmo que assim não quiséssemos, permite ver poucos meios de achar os rastros e sinais do Infinito que prevalecem. Força soberana, pois, avalia o que de melhor deva acontecer, proveniente das condições e de ordens intransponíveis que controlam as escolhas das criaturas humanas.

São essas ocorrências fortuitas que fazem aquilo que resolveram chamar Destino, e nem de longe representa vontades individuais; oferece o mínimo necessário a que pudesse ser de outro jeito. Bem aquilo que Nietzsche diz ser incrível a força que as coisas parecem ter quando têm de acontecer. Motivos invisíveis, pois, andam livres à frente dos acontecimentos, e nada resta senão adaptação e  conformação. Muitos, tantos, desses registros preenchem a História. Quais, no entanto, os meios de participar da condição inevitável, procuramos seguidamente, todos desejando transformar essa condenação ao inesperado, e que alimentássemos de poder as lutas humanas.   

E quando menos se espera, que nem um vendaval imprevisível, tudo fica diferente do que era antes. Aparentemente haveria outra forma de conduzir o barco, mas existirá muito pouco a fazer frente aos desejos insatisfeitos. Espécies de seres experimentais, vemo-nos tais instrumentos de ordens superiores. Alimárias do acaso, agimos sempre submissos a forças universais. 

Quanto aos poderes relativos que desenvolvemos, de concentração mental, meditação, oração, sociedades organizadas, instituições; profetas, sábios, sacerdotes; tangemos dias sucessivos de expectativas, fruto de códigos e manuscritos achados nas cavernas da tradição. Ainda que ansiemos vir a predominar sobre a natureza determinante que rege a existência, baixamos os olhos aos sonhos e de lá, certa feita, haveremos de dominar o impossível e viver de vez as reais transformações que ora só presenciamos, apesar da força valiosa do querer que possuímos.


A verdade histórica de alguns fatos

Como as cores da bandeira do Brasil foram “reinterpretadas” para apagar ligação com a monarquia

BBC News Brasil -- por Edison Veiga, de Milão

   Você já deve ter ouvido a história de que as cores da bandeira nacional brasileira seriam uma homenagem às riquezas naturais do país. O verde representaria a exuberância de nossas florestas e o amarelo, o ouro encontrado no subsolo. O azul seria uma referência aos rios que permeiam o território brasileiro e ao mar que banha a costa. Até o branco da faixinha teria sua justificativa: a paz. 

    Essa interpretação pode até soar simpática, mas não tem nexo histórico. "As cores vêm da bandeira do Império", resume à BBC News Brasil a historiadora Mary Del Priore, autora, entre outros livros, da tetralogia Histórias da Gente Brasileira, em que aborda o país desde a colônia até os tempos atuais. Esse negócio de verde das matas e amarelo das nossas riquezas é balela", comenta o historiador e escritor Paulo Rezzutti, biógrafo das principais figuras da monarquia brasileira. "O verde é uma alusão à Casa de Bragança. O amarelo remete à Casa de Habsburgo."

Conforme conta o historiador Clovis Ribeiro no livro Brasões e Bandeiras do Brasil, publicado em 1933, o próprio marechal Deodoro da Fonseca, que proclamou a República e tornou-se o primeiro presidente do Brasil, quis que a nova flâmula aludisse à anterior. "A explicação do verde das matas e do amarelo do ouro foi construída depois. Foi uma maneira tardia de a República tentar modificar o simbolismo original da bandeira, associado à monarquia", completa Rezzutti.

A verdade concisamente
    A Presidência da República reconhece a referência ao período imperial. "Após a proclamação da República, em 1889, uma nova bandeira foi criada para representar as conquistas e o momento histórico para o país. Projetada por Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos, com desenho de Décio Vilares, foi inspirada na Bandeira do Império, desenhada pelo pintor francês Jean Baptiste Debret", informa a área de comunicação do Palácio do Planalto. 

Bandeira imperial

Bandeira do Brasil na época do Império

     Mas, se a bandeira da República brasileira é uma releitura daquela utilizada pelo Império, como foi criada então esta primeira?  O historiador Clovis Ribeiro conta que momentos após proclamar a independência, ainda na região do Ipiranga, em São Paulo, dom Pedro teria tirado as insígnias portuguesas de seu chapéu e determinado as novas cores do País. "Doravante, teremos todos outro laço de fita, verde e amarelo. Serão as cores nacionais", afirmou o novo imperador, de acordo com tal versão. Quando retornou ao Rio, o imperador delegou ao pintor francês Jean Baptista Debret, fundador da Academia de Belas Artes, a missão de criar a flâmula oficial do Império.