22 fevereiro 2021

Como eram os diplomatas nos Tempos Imperiais

     Fiscalizar a nomeação e a promoção de diplomatas era uma das maiores preocupações do Imperador Dom Pedro II, que conhecia, pode-se dizer, a vida de cada um. Daí, por exemplo, opor-se à nomeação do futuro Barão do Rio Branco para Cônsul do Brasil em Liverpool, no Reino Unido, por se ter este amasiado no Rio de Janeiro com uma atriz belga do Teatro Alcazar, e já ter dela um filho. 

   É também conhecido o fato de um diplomata nosso que, após uma carreira sem manchas, foi nomeado Embaixador em São Petersburgo, então capital da Rússia. Naquele momento, o homem estava na Itália, quando veio a público haver ele cometido irregularidades no jogo, em um clube fechado, frequentado pela aristocracia romana. Sabedor do fato, o Imperador foi inexorável; mandou demiti-lo imediatamente, cassando-lhe ao mesmo tempo o título de Conselheiro.

   O resultado desse policiamento do Soberano era um corpo diplomático ao mesmo tempo brilhante e capaz, moldado na melhor escola, onde cada qual se impunha pelo seu valor próprio e suas altas qualidades morais. Não se viam diplomatas sem um mínimo de moralidade, ostentando publicamente as suas amantes; embriagados, praticando toda sorte de desatinos; ou fazendo falcatruas, emitindo cheques sem fundos, fazendo dívidas de jogo, tudo à sombra das imunidades diplomáticas e amparados pelos governos com o silêncio.

FONTE: Leopoldo Bibiano Xavier, no livro "Revivendo o Brasil-Império". 1º ed. São Paulo: Artpress, 1991. P. 35.

Todas as promessas - Por: Emerson Monteiro


No exercício da fé, há que aceitar todas as promessas. Andar todos os passos e resolver o enigma de pisar este chão tais andarilhos tontos. Depois de chafurdar os cinco sentidos, decidir qual direção. Bem isto de revirar as peças desse jogo enquanto estamos a caminho, porquanto há dias contados. Externar o destino em forma de transformar o momento de viver num relativo absoluto, abrir e fechar de olhos às portas dos objetos que fogem aflitos de nossas mãos angustiadas e viver realmente o objetivo de tudo. Pássaros assustados com a natureza em volta, mergulham na luz e trinam sem cessar face ao furor da liberdade.

Quiséssemos apurar o senso dessa transformação, disso tudo restaria solucionado o mistério de andar nessas paragens do Infinito, e buscaríamos viver para sempre nos braços do que nos une às marcas que aqui deixamos. Colheríamos todas as flores do Universo em nós e acalmaríamos de uma vez por todas o desejo da felicidade maior. Gestos simples, largas plantações de alegria e paz invadiriam os corações, em festas inigualáveis de carinho e fraternidade.

Fosse isso, no entanto, que esperamos de nossos movimentos desencontrados, em verdade já vivemos a todo instante o pleno vigor de uma renovação mais pura. Filhotes do tempo, saberíamos resistir ao inevitável, no pretexto de conhecer o que ainda ignoramos. Vêm os sonhos e revelam segredos inesperados, mesmo que insuficientes a que aceitemos o mistério e deixemos de andar às tontas nas estações do caminho. Criamos algemas nos próprios punhos, frutos dos equívocos por demais. Agarramos às culpas feitos vítimas da conformação do sem jeito. Devemos disso nos livrar o quanto antes e reviver.

Daí o sentido único de sair da caverna do passado e fixar propósitos no presente, viventes da imortalidade que o somos. Querer praticar o que esperamos, na forma de criaturas refeitas no primor do Paraíso perdido, agora reencontrado. Isto depende exclusivamente de nossa decisão espiritual.