12 fevereiro 2021

Saudades dos Tempos Imperiais! Uma dura reflexão – por Armando Lopes Rafael

   A bem dizer, o cargo de  Presidente da República – em qualquer país que adota esta forma de governo – deveria ser o símbolo mais respeitado pela população. Deveria. Infelizmente, isso nunca aconteceu no nosso sofrido e querido Brasil. Iniciamos este novo século (e novo milênio) sendo governados por cinco presidentes. 

    Nenhum deles se afirmou como estadista! Nenhum deles serviu como motivo de união ou de unanimidade respeitosa para a totalidade da nossa dividida população. Um desses, por sua desastrada e incompetente administração, motivou milhões de pessoas saírem às ruas, Brasil afora, pedindo o seu impeachment. Outro, foi preso durante quase dois anos, acusado de corrupção, sendo o único Presidente do Brasil a cumprir tão lamentável papel. Dói dizê-lo.

  Diferentes eram os tempos do Brasil Imperial! Como bem lembrou Dom Luiz de Orleans e Bragança, atual herdeiro do Trono e Chefe da Casa Imperial Brasileira: 

“Mais de 130 anos já se passaram, e os contrastes entre o Brasil atual e o Brasil-Império só têm crescido. No tempo do Império havia estabilidade política, administrativa e econômica; havia honestidade e seriedade em todos os órgãos da administração pública e em todas as camadas da população, havia credibilidade do País no exterior. Havia dignidade, havia segurança, havia fartura, havia harmonia”.

    Nos dias atuais o Brasil tem saudades do Imperador Dom Pedro II, ainda hoje considerado “O maior dos brasileiros”. 

Dom Pedro II, conforme a Constituição do Império
"Imperador aclamado e Defensor Perpétuo do Brasil"


É Carnaval? e a Quaresma? – José Luís Lira (*)

 

     “Quanto riso, oh, quanta alegria!/ Mais de mil palhaços no salão/ Arlequim está chorando/ Pelo amor da Colombina/ No meio da multidão”, os versos dos cariocas Zé Keti e Pereira Matos (1967), este ano de 2021 ficarão só na lembrança. Fazendo trocadilho com a marchinha do ano seguinte, 1968, de Paulo Sette e Umberto Silva, vemos um recado para este ano e uma esperança para 2022: “Este não ano vai ser/ Igual aquele que passou”... Ano passado houve comemoração que rima com aglomeração. Este ano ficaremos em nossos lares e se assim fizermos podemos manter a esperança de normalidade no próximo ano.

      As origens do carnaval são diversas e nesses dias, em tempos comuns, o País para. Uns dizem que na Babilônia, na Grécia e na Roma da antiguidade, já havia algo comemorativo. O carnaval surgiu no Brasil de modo simples, sutil. No período colonial os escravos faziam a festa. Depois foi crescendo e tomando corpo, passando pelo período belo das marchinhas de carnaval que se inicia com a composição de 1899 de Chiquinha Gonzaga, intitulada “Ó Abre Alas”. E as dimensões atuais são tamanhas que fazem todo esse “reboliço”.  Neste 2021, um vírus terrível nos assombra e nos faz ficar em casa ou naquelas atividades essenciais. 

     Escrevo esta coluna numa quinta-feira, véspera da sexta-feira em que antecede o carnaval que se deseja sem aglomerações, para o bem de todos. A rodoviária de Sobral está fechada. E fazer o quê? A vida é o bem essencial e para protegê-la tudo é válido. O registro que faço é para que a posteridade conheça que o passamos. E recorro de novo a Paulo Sette e Umberto Silva para quando o próximo carnaval chegar, embora que eu nesunca tenha sido bom folião, mas, quando do carnaval deste ano falarmos, vamos dizer: “Eu não brinquei/ Você também não brincou/ Aquela fantasia que eu comprei/ Ficou guardada e a sua também/ Ficou pendurada”, “Mas este ano está combinado/ Nós vamos brincar...”, serão “... três dias de folia e brincadeira”. E voltando a Zé Keti, diremos, “Foi bom te ver outra vez/ Tá fazendo um ano/ Foi no carnaval que passou”... “Eu quero matar a saudade/ Vou beijar-te agora/ Não me leve a mal/ Hoje é carnaval”.

      Este ano o Carnaval, palavra originária do latim, carnis levale, significando retirar a carne, não terá festas, desfiles e aglomerações. As casas de praia e de serra não receberão inúmeros convidados. Ficaremos reservados. É que as autoridades nos recomendam e, no momento, se constitui necessidade vital. Portanto, este carnaval se aproxima muito mais do período que viveremos na sequência, a Quaresma, com início na Quarta-Feira de Cinzas. Há uma grande simbologia nos 40 dias da Quaresma (que a bem da verdade são mais que 40, pois, o dia festivo do Senhor, domingo, não é contado). Remetem-nos aos 40 anos de caminhada dos hebreus do Egito à Terra Prometida; aos 40 dias que Jesus jejuou no deserto. 

      Após esses 40 dias que se seguem ao carnaval, teremos a Semana Santa que culmina com a Páscoa Cristã, no primeiro domingo após a primeira lua cheia do outono do hemisfério norte. A Quaresma é a preparação para a Páscoa do Senhor Jesus, momento de triunfo da vida eterna sobre a morte humana. Que nesta Páscoa ao celebrarmos a Ressurreição de Jesus, tenhamos o fim da pandemia!

(*) José Luís Lira é advogado e professor do curso de Direito da Universidade Vale do Acaraú–UVA, de Sobral (CE). Doutor em Direito e Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Nacional de Lomas de Zamora (Argentina) e Pós-Doutor em Direito pela Universidade de Messina (Itália). É Jornalista profissional. Historiador e memorialista com mais de vinte livros publicados. Pertence a diversas entidades científicas e culturais brasileiras.